6 coisas que você precisa saber depois da faculdade de Educação Física (a 5ª é a minha preferida)

Por Yuri Motoyama

Vamos imaginar um cenário onde a graduação em Educação Física é impecável e não apresenta nenhum ponto a ser melhorado. Nesse cenário, todos os interessados e aspirantes a profissão levam a faculdade a sério e são comprometidos. Imaginou?

Agora você, aquele aluno exemplar, pegou o seu diploma. E depois? O que fazer?

Faço uma especialização ou um mestrado? Entrego currículo ou me inscrevo em um concurso? Vou trabalhar com o que gosto ou continuo naquele lugar chato onde fiz estágio porquê é “mais garantido”?

Todos nós, que passamos por qualquer curso de graduação sabemos que o período que compreende a “faculdade” é mágico. Festas, amizades, um novo ambiente, novas pessoas, nosso primeiro contato com profissionais experientes e principalmente o fantástico universo de informações. Porém, você teve algum direcionamento sobre o que fazer depois da graduação?

Está terminando sua graduação ou já é formado, clique aqui e ouça as tendências para o mercado de trabalho em Educação Física (atualizado).

Considerando o tempo de experiência que tenho como educador físico, gostaria de deixar aqui algumas ideias que considero importantes para se ter em mente após a graduação:

  1. A graduação não vai te formar como o profissional que você imagina e sim vai te abrir as portas para você chegar lá. A grade curricular na faculdade de educação física é bem abrangente. Muitas vezes (como no meu caso) existem disciplinas nas quais você não tem tanto interesse, porém vai ter que aprender tudo sobre ela. Quando formado, terá condições de caminhar por todas essas áreas, porém vai precisar se dedicar muito nas áreas que tem interesse para se especializar.
  2. As pós-graduações não são um enfeite para o seu currículo. Conheci muitos professores que terminaram suas pós graduações para dizer: – Ufa! Consegui! Está aqui o meu pedaço de papel chamado diploma. Isso pode te garantir pontuação em uma prova de títulos para um concurso público. Entretanto, quem estuda para somente ter um pedaço de papel no final do curso pode correr o risco de se tonar um profissional desatualizado. As pós -graduações são (ou deveriam ser) a entrada para o mundo acadêmico – no qual não deveríamos nunca sair – e vão te mostrar os caminhos para conhecer mais sobre o tema que você escolheu.
  3. Quantas pós graduações são necessárias para que eu seja um bom profissional? Eu responderia 1 ou 50! Se você é uma pessoa que só estuda quando tem prova e tem preguiça para o autodidatismo eu recomendo que você nunca pare de fazer pós graduações. Se você tem a mente aberta e sabe da necessidade de ter acesso a conhecimentos novos constantemente, 1 pós graduação poderia te mostrar o caminho das pedras.
  4. Estudar ou trabalhar? Os DOIS! Não se esqueça que você é um profissional da saúde e não um historiador (até os que trabalham com o passado precisam se atualizar). Eu perco o sono quando vejo profissionais que estão trabalhando a anos a fio e nunca mais sentaram a bunda para estudar depois da graduação. Algum dia eu vou levar esses professores para aqueles dentistas de rua que tem na Índia e ver se eles querem ser atendidos por eles. Se você não gosta de estudar e só gosta de “dar aula” então você não entendeu bem a sua posição profissional. Como um professor meu diz: “A prática é a teoria em funcionamento!”
  5. Especialização ou Mestrado? Isso já é uma pergunta bem íntima, rs. Passei pelas duas fazes em períodos diferentes da minha vida. A especialização abriu minha cabeça para um monte de teorias e ideias. O mestrado me ensinou o que é ser apaixonado por uma coisa. Tanto um quanto o outro vão te deixar atualizado, porém a diferença que eu vejo é que a especialização muitas vezes te dá o peixe mais gostoso e o mestrado te mostra onde está a vara, como escolher a melhor isca e onde pescar os melhores peixes. Só um apaixonado por pescaria entraria nessa. (rs)
  6. Fazer o que gosto ou ganhar dinheiro com o que já tenho? Isso já é bem complicado e envolve uma coisa que não é sempre que temos: persistência. Conheço professores que contaram moedas, largaram muitas oportunidades e hoje estão felizes ganhando dinheiro com o que gostam. Conheço professores que utilizam a maior parte do seu tempo para ganhar dinheiro e o restante para sonhar com o trabalho dos seus sonhos. E conheço professores que NÃO sabem o que os faz profissionalmente felizes e por isso vivem reclamando e prestando um péssimo serviço a saúde das pessoas. Sabe aquele filme do Will Smith Em busca da Felicidade? Tem um capítulo do filme (da vida do protagonista) que se chama correria. Todo mundo que busca um sonho vai ter que passar por essa fase. Chuto dizer que quem ainda não chegou nessa fase está reclamando demais e fazendo de menos. Um teste rápido para analisar se o que você está fazendo é realmente o que te faz feliz basta pensar: “Se hoje fosse o meu último dia de vida, eu faria isso?”

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No final das contas tudo isso que conversamos aqui se trata de paixão. Entender sua posição como um profissional que precisa estudar constantemente para trazer qualidade de vida às pessoas sem comprometer sua saúde.

Soa como uma coisa séria e importante, não soa?

MAS É!

Agora, nada melhor que assistir o vídeo de uma das grandes mentes desse século dizendo o que ele pensa a respeito disso.



  • William Kauê

    Ótima matéria! Gostei da número 6, realmente cabe à cada um decidir o que fazer da vida. Eu tenho 21 anos e aos 18 tive a oportunidade de ser contratado para prestar serviços numa empresa de grande porte aqui na Baixada Santista, com um salário razoavelmente bom. Porém apesar do salário, eu não estava feliz, e após anos tentando bolsa em faculdades que eu NÃO iria gostar nem um pouco, eu decidi fazer o que gosto. E quando fiz isso as portas começaram à se abrir. Hoje eu me encontro temporariamente desempregado, porém extremamente feliz no meu primeiro semestre do curso de Educação Física com bolsa integral na Universidade Paulista. Cada dia me apaixonando mais e mais pela profissão.

    • Yuri Motoyama

      Legal William! Como costumo dizer: quando se faz o que gosta, os obstáculos são pequenos…Abraço e agradecido pelo comentário!

  • Leide Araújo

    Ótimas dicas, inicio o curso esse mês!

    • Yuri Motoyama

      Poxa que legal!!! Desejo um ótimo curso pra vc!
      Depois me fale o que está achando…

  • Afranio Umberto

    Yuri, boa tarde!
    Excelente texto! Inspirador!
    Estou no segundo ano de Ed. física e ainda mais motivado a correr atrás do que realmente gosto!
    Abraços

    • Yuri Motoyama

      Muito bom Afranio! Então força e muita energia para continuar estudando!

  • Fenestron Aguia

    Parabéns Yuri, eu estou no meu primeiro semestre do curso de Bel em Educação Física e estou me adaptando a essa nova realidade, afinal, é um curso onde predominam pessoas muito jovens e eu sou um jovem de 45 anos. O curso tem me surpreendido, confesso, pois há muita atividade prática e eu esperava uma carga maior de teoria, sem problema, eu até gosto. Com relação ao tema, já estudo alternativas pra após a minha graduação e estar antenado é a melhor opção por enquanto, grato pelas dicas.

    • Yuri Motoyama

      Poxa Fenerstron! Me desculpe, alguma coisa aconteceu aqui que eu só vi usa mensagem hoje! Fico feliz que tenha gostado das dicas e espero que ainda esteja acompanhando nosso conteúdo. Esse ano vamos produzir muito material legal para quem está estudando na graduação. Eu acho que a carga prática e teórica muda um pouco dentre as instituições. Um modelo que eu acho bem legal é o da USP que separa a faculdade de Bacharel, Licenciatura e Ciências do Esporte. Se der vai nos informando de como anda sua graduação aí… Abração e valeu pelo comentário!

  • Tripa Seca

    Parabéns Yuri Motoyama, você está sendo uma benção para nós que queremos seguir esta área! Fica uma dúvida, para prosseguir na tentativa de um mestrado é necessário que durante o percurso universitário participemos de publicações e artigos não é? Pois isso conta muito na pontuação de uma seleção acadêmica (corrija-me se eu estiver errado). No caso de algumas faculdades particulares que não oferecerem essa oportunidade de conhecimento e aprendizagem o que fazer para achar um caminho para que possamos iniciar com essas publicações?

    • Yuri Motoyama

      KKKK uma benção foi boa!! “Nem tanto mestre! Nem tanto…”
      Cara, eu gravei um podcast respondendo muitas perguntas sobre essa fase de transição entre a graduação e a pós graduação (mestrado). Link: http://4×15.com.br/podcast-27-pos-graduacoes/
      O correto é que na universidade (que deveria ser a porta de entrada para pesquisa) nós desenvolvamos projetos científicos. Mas isso raramente acontece. OS critérios de seleção para o mestrado mudam um pouco, mas sempre uma das fases é um entrevista com avaliação do currículo lates (então, as publicações contam). Mas isso não é um critério impeditivo, eu mesmo entrei no mestrado com um currículo zerado e estou construindo meu currículo acadêmico agora. O caminho que eu penso para ter um número maior de publicações e bater nas universidades públicas e ver se existem grupos de estudos e pesquisas na sua área de interesse. Lá geralmente, com o tempo, você acaba participando ativamente cada vez mais das pesquisas além de ser um bom celeiro para futuros mestrandos! Abraço chefe e valeu mesmo pelo comentário!