Câncer: pesquisador desenvolve tecnologia para identificação simples e precisa para os estágios iniciais.

Jorge Soto

O pesquisador  Jorge Soto está desenvolvendo uma tecnologia simples e não invasiva (com código aberto para testes) para facilitar a detecção de formas múltiplas de câncer. Ele demonstrou um protótipo de seu trabalho pela primeira vez através da iniciativa TED no Brasil.

Aproximadamente há um ano, a tia do pesquisador sofria de dor nas costas. Isso seria uma lesão normal para uma pessoa que jogou tênis por 30 anos, porém como ela não estava melhorando, seus médicos decidiram realizar mais testes. Começando por um raio-x e chegando a uma biópsia, eles diagnosticaram um câncer em seu pulmão no estágio 3, mesmo assim ela não apresentava fatores agravantes – ela nunca havia fumado, ingerido bebidas alcoólicas e praticou esportes por metade de sua vida. O problema é: porquê demorou quase seis meses para sua tia ser diagnosticada precisamente?

Uma de três pessoas que estão lendo esse texto são diagnosticadas com algum tipo de câncer durante suas vidas e uma de quatro pessoas morrem pela doença, diz Soto.

Muitas vezes os sintomas iniciais são idênticos a outras doenças mais simples e isso faz com que o diagnóstico seja um processo lento e frustrante por onde o paciente tem que passar por várias consultas e vários procedimentos. Em alguns casos a doença se desenvolve sem apresentar nenhum sintoma inicial e temos que esperar algum sintoma aparecer, porquê tem que ser assim?

“Estamos no século 21 para tratamentos e medicamentos, mas nos século 20 com procedimentos para diagnósticos”.

Juntos com uma equipe de cientistas e tecnologistas do Chile, Panamá, México, Isral e Grécia, Soto está em uma jornada para fazer a detecção do câncer nos estágios iniciais de maneira simples, barata, inteligente e acessível. Agora que o progresso em biotecnologia está democratizado, o pesquisador e seu grupo acreditam que encontraram uma forma confiável e precisa para detecção de câncer em estágios iniciais através de um teste sanguíneo para identificação de pequenas moléculas chamadas de microRNA.

Clique aqui para ler uma artigo sobre a atividade física como opção para contribuir no tratamento do câncer.

Jorge Soto explica: “O vírus cria um padrão único para cada tipo de câncer, produzindo microRNAs como um perfeito e altamente sensível biomarcador”. A tecnologia atual baseada em análises de DNA não é utilizada por causa do tamanho reduzido das moléculas de microRNA.

Imagine que a próxima vez que você for ao médico, um técnico de laboratório ira coletar poucas gotas de sangue para extrair RNA.

Pela primeira vez em público, Soto demonstrou o protótipo desenvolvido pela sua equipe. O técnico do laboratório irá espalhar suas amostras de RNA por várias placas, cada uma contendo biomarcadores que irão identificar um tipo específico de RNA. Feito isso, as placas irão para uma caixa de testagem – nesse protótipo, um cilindro azul tão grande quanto um bolo de aniversário. O técnico coloca a placa dentro da caixa para ser processada por uma reação específica, que irá medir quanto e quão rápido cada biomarcador brilhará. O próximo passo é pegar um smartphone (utilizado como uma câmera digital) onde ele irá enviar as fotos da caixa de testagem para uma base de dados online para processamento e interpretação. A etapa final do processo compara os específicos microRNAs e como eles reagiram considerando os dados já existentes sobre os padrões relacionados a certos tipos de câncer. Todo o processo dura aproximadamente 60 minutos, permitindo com que os pacientes peguem seus resultados em tempo real.

“Atualmente essa plataforma é um trabalho para esse protótipo, porém ela funciona ” diz o pesquisador que já conseguiu identificar dessa forma o câncer pancreático, de pulmão e seios em humanos.

Atualmente a detecção do câncer só acontece no estágio 3 ou 4. Isso é muito tarde e acaba saindo muito caro para os familiares. “Atualmente minha tia luta bravamente contra o câncer, porém eu quero que lutas como essas sejam raras” diz Soto.

Eu quero ver o dia onde o câncer será tratado facilmente  graças a uma rotina de diagnósticos voltados para os estágios iniciais.

Quando isso acontecer, diz o pesquisador, a forma como vemos a doença mudará radicalmente.


Referência

Traduzido do site Blog.Ted

Acesse o vídeo com toda a palestra clicando aqui.

  • Yuri Motoyama

    Exatamente Fábio! Um ponto que o pesquisador destacou é a importância dessa tecnologia ser acessível a todos. Vejo que existem muitos tratamentos, medicamentos e intervenções boas pelo mundo, porém elas ficam restritas apenas para os que tem uma condição financeira fora da nossa realidade. Abraço e agradecido pelo comentário.