Ciclismo: enganando os atletas eles pedalam mais!

Por Yuri Motoyama

Vamos conversar um pouco mais sobre o modelo de fadiga central ou famoso modelo governador central comentado aqui em outro post. Atualmente, muitos desses modelos são feitos com ciclismo pelo fato da bicicleta facilitar alguns procedimentos durantes os testes.

Uma pesquisa conduzida na universidade de Massey na Nova Zelândia, realizou um experimento muito interessante. Um grupo de ciclismo realizou 4 testes de 4.ooo metros em um ciclo-ergômetro. O primeiro teste foi para eles se habituarem a aparelhagem (eles utilizavam mascaras para análise dos gases expirados). No segundo teste chamado de baseline, os ciclistas tentariam alcançar seus recordes nos 4.000m. Na terceira e quarta tentativa os pesquisadores informaram aos ciclistas que eles iriam competir contra seu próprio recorde. Para que isso fosse visualizado, a bicicleta que eles utilizaramModelo avatar estava conectada a um tipo de jogo de videogame. Em uma tela, os ciclistas visualizavam um ciclista pedalando contra eles, esse ciclista era um avatar calibrado com o recorde deles no baseline.

O grande lance da pesquisa era que em uma das duas ultimas tentativas (a da quebra do recorde), os pesquisadores enganavam os ciclistas e calibravam o avatar a correr 2% a mais que os seus próprios recordes.

O resultado foi muito interessante, o fato de se criar uma competição contra o avatar fez com que seus próprios recordes fossem quebrados. E o mais interessante foi que quando eles competiram contra o avatar 2% mais rápido (sem saberem), eles quebraram seus recordes novamente!

A literatura científica sobre treinamento tem muitos dados a respeito sobre como os aspectos motivacionais podem interferir na fadiga (consequente na performance). A grande dúvida que fica no ar seria: quando paramos um exercício, realmente estamos impossibilitados de continuar? Por que paramos então?

A partir desse questionamento surgem vários outros como: será que as competições esportivas de alto nível são decididas pelos atletas melhores treinados? Ou seria vencida pelo atleta mais auto-motivável. O que determinaria o ouro?

E vamos conversando…


Referência:

Stone, Mark Robert, et al. “Effects of deception on exercise performance: implications for determinants of fatigue in humans.” Med Sci Sports Exerc44.3 (2012): 534-541.

  • Yuri Motoyama

    ok