Hipertensão: será que hipertensos podem fazer força?

 

Por Yuri Motoyama

Muito se comenta sobre os males causados pela hipertensão e as famosas práticas para seu controle ou prevenção. Ingerir menos sal, manter uma hidratação correta e praticar atividades físicas. Só que fica a pergunta: Qual atividade física? Quanto de atividade física? Não adianta se matricular na academia e fazer qualquer treino ou ir caminhar 2x por mês na praia em velocidade de cruzeiro. O treinamento é uma intervenção que precisa ser extremamente pensada e planejada (eu nunca vou cansar de dizer isso).

Muitas vezes pacientes com hipertensão deixam de se beneficiar com um programa de treinamento por falta de informação.

Frequentemente recebemos pessoas com um quadro de hipertensão ou pré-hipertensão (faixa entre 120-80 e 140-90) e com recomendação médica indicando atividades leves. Os profissionais envolvidos no tratamento dessas pessoas acabam seguindo as orientações “abstratas” que recebem e na montagem do treinamento subestimam as possibilidades de treinamento. Aí, culminamos no mesmo ponto, a falta de conhecimento dos profissionais envolvidos faz com que as pessoas sigam paradigmas e gastem seu tempo fazendo coisas que ou não tem resultado ou postergam o resultado esperado.

Hipertensão mata quase 10 milhões de pessoas por ano. Clique aqui e veja a matéria completa.

Um dos grandes medos para se trabalhar com essa população é o treinamento de força e estudos mostram resultados extremamente positivos na sala de musculação. E agora torçam o nariz tradicionalistas, mas o treinamento que apresenta mais resultados é o de isometria (CORNELISSEN, 2013 e CORNELISSEN, 2005).           De acordo com a meta-análise o treinamento de isometria vem em primeiro lugar apresentando os melhores resultados com reduções médias de 11 mmHg (milímetros de mercúrio); em segundo lugar o treinamento aeróbio (baixa intensidade e longa duração) com reduções de 4 mmHg e em terceiro lugar o treinamento de força tradicional (dinâmico) juntamente com o treinamento combinado (aeróbio de baixa intensidade + treinamento de força dinâmico) com reduções médias de 2 mmHg.

Colocando isso em termos práticos, se pegarmos um aluno com uma pressão arterial sistólica (a pressão máxima) de 14 (ou 140 mmHg) poderíamos reduzir sua pressão arterial para 13 (130 mmHg).

E a próxima duvida seria, em quanto tempo e como os trabalhos conseguiram mostrar esse efeitos positivos sobre a hipertensão?

Na mesma meta-análise podemos apontar os melhores scores de efeito redutor na pressão com: homens, indivíduos com mais de 50 anos, com quadro inicial hipertensivo, tempo de treinamento utilizado menor que 12 semanas, frequência semanal de 3x, intensidade de treino moderada e duração de cada sessão de treinamento entre 30 e 45 minutos.

Lembrando que no treinamento não existe fórmula de bolo, também não adianta somente prescrevermos treinamento de isometria e ignorarmos a importância da periodização dos métodos de treino. Tudo vai ser harmônico e interessante quando for regado com uma boa dose de estudos.

Já teve curiosidade para saber como a saúde é tratada fora do Brasil? Então clique aqui, você vai gostar desse podcast.

O que eu quero com esse texto é mostrar que o treinamento pode ser muito eficiente quando bem orientado. E que as pessoas que nos procuram não querem simplesmente ficar caminhando na esteira, vendo a vida passar e tomando medicamentos. Elas querem serviço de qualidade, querem ver resultados, querem depender cada vez menos de remédios, querem recuperar a qualidade de suas vidas. Só que para promovermos isso professores, são necessárias doses diárias de estudo e um pouco de dedicação da nossa parte…

Veja aqui 5 aspectos que você deve considerar ao trabalhar com promoção de saúde.


Referências

Cornelissen, Veronique A., and Neil A. Smart. “Exercise Training for Blood Pressure: A Systematic Review and Meta‐analysis.” Journal of the American Heart Association 2.1 (2013): e004473.

Cornelissen, Véronique A., and Robert H. Fagard. “Effects of endurance training on blood pressure, blood pressure–regulating mechanisms, and cardiovascular risk factors.” Hypertension 46.4 (2005): 667-675.

Fig blog 2

  • Bruno

    Doses diárias de estudos e um pouco de dedicação da nossa parte! Isso mesmo! Somos capazes!

    • Yuri Motoyama

      Exatamente isso bruno! Valeu pelo comentário.

  • Renato Siviero Vicentini

    Esse estudo me surpreendeu. Bom saber disso !

    • Yuri Motoyama

      Legal esse artigo né? Abração