Magreza = beleza? Onde nossos padrões estéticos irão chegar?!

Por Yuri Motoyama

Me desculpem os profissionais que cuidam dos distúrbios de imagem e das pessoas que promovem a magreza como um “novo” padrão de beleza mas vou fazer alguns comentários sobre uma foto que polemizou a internet a pouco tempo.

Um anúncio de uma empresa que trabalha com produtos luxuosos postou uma foto apresentando uma modelo exibindo um padrão de magreza absurdo.

magreza 1A foto causou muita polêmica na internet por promover um padrão de beleza já associado a um distúrbio de imagem chamado anorexia. Se observarmos a coxa da modelo tem praticamente a mesma circunferência dos seus joelhos.

A beleza nem sempre foi associada a magreza

Na história da beleza durante o desenvolvimento das civilizações podemos perceber que existiram varias formas de culto ao corpo. Muitos antropólogos dizem que a saúde e capacidade de gerar filhos estava associada ao acúmulo de gordura. Uma escultura de 28 mil anos chamada de Vênus de Willendorf apresenta padrões arredondados em uma imagem que era utilizada em rituais de fertilidade dos nossos antepassados.

Observando o desenvolvimento do culto ao corpo (e consequentemente os padrões de beleza femininos) passamos para os famosos corpos esculturais dos gregos. Na Grécia a Educação Física era um dos pilares na formação do homem junto com a literatura, música, filosofia e jogos públicos. Apesar de muitas imagens e esculturas mostrarem o corpo masculino, os padrões se assemelhavam para as mulheres. Um corpo forte e estaria associado a uma mente sadia para os homens e no caso das mulheres, a beleza era associada ao perigo. Depois passando para a idade média (idade das trevas) onde houve muita influência da religião, os padrões de beleza femininos ainda eram associados a corpos fortes (magros) porém não eram mais expostos. Todas as mulheres retratadas vestiam roupas, mantos ou tecidos grossos e pesados.

O último pulo é na renascença onde a humanidade começou a expor novamente os corpos femininos, porém com valorização das curvas e contornos arredondados no corpo. Se lembrarmos um pouco das figuras que estudamos durante as aulas de história vamos ver mulheres de quadris largos, rosto redondo. Algumas até estão segurando alimentos e isso tudo estaria relacionado a fartura e riqueza. Por muito tempo o acúmulo de gordura significava que você tinha acesso ilimitado a alimento, e isso era um luxo que só os que possuíam recursos poderiam ter.

Os padrões de beleza estão se tornando perigosos?

Essa é uma preocupação que eu sempre tive como professor. Principalmente com jovens e adolescentes que são muito influenciados pelos amigos e pela mídia. Hoje é o “bombadão” que é popular na escola e faz fama com todas as garotas e as meninas sofrem muito com o acúmulo de gordura. O que hoje em dia chamamos de bullying sempre ocorreu com as crianças que estavam acima do peso.

Há alguns anos atrás eu já olhava de forma estranha os padrões de magreza que as modelos divulgavam, nunca pensei que isso pudesse piorar tanto. Basta pegar fotos de modelos famosas em um intervalo de 5 anos para você ver a diferença. Estamos entrando em uma era onde os padrões de beleza promovidos pela mídia não tem nada a ver com saúde. Na verdade passam bem longe do que chamamos de saúde, pois para alcançá-los você precisa colocar seu corpo a exposição de vários riscos.

Existem muitos pontos relacionados a sua saúde que devem ser observados antes de começar qualquer proposta de mudanças no seu corpo. Clique aqui e ouça um podcast sobre isso!

Cansei de ver adolescentes que frequentavam a academia onde eu dava aula que da noite para o dia paravam de comer e começavam a querer treinar por horas. Geralmente coincidia com aquela idade onde as amigas começavam a paquerar e as que tinham um pouco mais de peso ficavam excluídas. Isso é um ponto super delicado que acaba sendo responsabilidade do profissional de educação física tentar ajudar essas adolescentes a não desenvolver um distúrbio de imagem.

Como nós, profissionais de educação física podemos contribuir nesse cenário?

Me lembro de um aluno que começou a perder peso e por conta própria decidiu parar de comer. Os sintomas dessas pessoas são bem evidentes, elas começam a ficar com um aspecto cansado, indispostas, perder muito peso em poucas semanas e adoecer com mais frequência. De forma indireta eu e uma professora que trabalhava comigo começamos a orientar ele sobre os riscos, e através de conversas informais e brincadeiras fizemos ele procurar ajuda profissional (nutricionista) e no final ele até mandava a foto do prato de comida vazio após as refeições. Depois de pouco tempo esse garoto conseguiu resolver seus problemas com sua imagem e começou a cuidar de maneira responsável do seu corpo e sua saúde.

Um ponto que quero destacar nessa postagem é que em muitos casos podemos ajudar pessoas que estão começando a desenvolver algum distúrbio de imagem. Muitas vezes o profissional de educação física é o único profissional da área da saúde na qual as pessoas tem contato diário e isso nos traz uma carga de responsabilidade enorme. Não seja omisso quando observar alguma característica estranha em seus alunos, converse com o aluno, se for o caso converse também com os pais e incentive a pessoa a buscar ajuda de profissionais como psicólogo, médico e nutricionista.