Mestrado: o que você precisa saber antes de iniciar – Como escolher um orientador?

Por Yuri Motoyama

Fico muito feliz em quando olho nas estatísticas aqui do site a quantidade de pessoas que procuram pelo termo “mestrado em educação física”.  Já escrevi um texto aqui no blog falando do mestrado especificamente para profissionais de educação física e agora vou fazer outro texto que, de certa forma, pode servir para qualquer profissional que queira começar a pós graduação.

Clique aqui para ler um texto sobre mestrado em educação física.

A primeira coisa que se deve pensar antes de iniciar uma pós graduação stricto sensu (mestrado ou doutorado) é quem vai ser seu orientador. E no meu ponto de vista essa é um das decisões mais importantes que você vai tomar na sua vida acadêmica. O orientador vai ser a pessoa que vai te “mostrar a porta” e não o que vai “conduzir você pegando pela mão”. Por isso leia alguns pontos que considero importante para que essa relação seja promissora.

Escolher um orientador é como começar um namoro

Quando você vai começar um namoro você não manda um e-mail para a(o) pretendente e diz: “gostaria de ser seu namorado no próximo semestre. Poderia me indicar como proceder?”. Escolher um orientador é como começar um namoro.

Antes de mais nada você precisa saber se seu orientador é interessado no que você gosta. Ele gosta de pesquisar sobre uma área de estudo que te interessa? Não adianta você escolher o Neil Degrasse Tyson para te orientar sobre diabetes por exemplo. Imagine que é a mesma coisa que aquela fase do namoro onde você entra no Facebook da pessoa, vê os locais que ela frequenta, procura a lista de livros e filmes que ela gosta, etc. Feito isso você vai partir para o contato inicial.

Para iniciar o mestrado, na maior parte das instituições, você precisa ter uma carta de aceite do seu futuro orientador para poder participar do processo seletivo. Imagine que o orientador está te dando um “voto de confiança” no momento que assina essa carta. Fazer parte do grupo de pesquisadores coordenados pelo seu orientador é uma decisão muito importante, por isso muitos orientadores não aceitam todos que batem em sua porta  de primeira. Alguns vão querer ter algumas conversas contigo antes, outros vão aplicar algum tipo de avaliação e em outros casos (que eu acho o mais coerente) você vai ter que trabalhar dentro daquele grupo por algum tempo como um tipo de estágio. Imagine que você recebe um e-mail de uma pessoa com uma proposta de namoro, você não vai dizer sim naquele instante. Você vai querer ir no cinema, conversar, sair por um tempo e assim vai.

Tem dúvidas sobre pós graduações? Qual a diferença entre mestrado, especialização e aprimoramento? Clique aqui e ouça esse podcast!

Qual é o “estilo” de orientação do seu pretendente no mestrado?

Antes desse próximo bloco quero dizer que não tenho a intensão de classificar como certo ou errado (mesmo porque estou longe de ter conhecimento para isso). Certamente vou deixar minha opinião clara aqui, porém cada orientando pode ter necessidades diferentes e se dar bem com algum tipo de “estilo” de orientação. O que quero deixar claro aqui é que existem diferentes “estilos” de orientação e você precisa saber qual é o estilo do seu pretendente. Vou deixar aqui alguns que eu já observei:

  • Paizão: Esse é o orientador que vai pegar na sua mão e te consolar nos momentos difíceis. Ele pode pegar seu trabalho e fazer partes dele por você. Se você enviar textos para revisão, seu orientador pode até reescrever e corrigi-los para poupar o trabalho de enviar de volta para o orientando e ter que ler aquilo refeito novamente. Ou refazer um pedaço do seu trabalho que está mal feito para que os outros pesquisadores não critiquem e façam você sofrer com críticas. O orientador paizão quer que você se forme logo, tenha seu título e atinja a “vida adulta acadêmica”. O mote principal do paizão é: “filho, você não está conseguindo, deixa que eu faço isso por você…”;
  • Gerente: Esse é um tipo de orientador que tem uma determinada meta a cumprir. Imagine uma linha de produção onde no final terão que sair X artigos no final de uma temporada. Esse orientador vai te ensinar e utilizar todos aparelhos, a configurar todos os programas e a fazer todos procedimentos com perfeição. Feito isso ele vai ficar com todos os dados e produzir os artigos no nome de todos que trabalharam. Esse tipo de orientação é boa caso você queria rechear seu lattes de publicações (sejam elas de qualidade ou não). O mote principal desse orientador é: “gente, preciso desses dados pra amanhã!”;
  • Carrasco: Esse é o mais engraçado, porém o mais tenso! Já vi orientadores que quando o orientando traz alguma dificuldade ele ouve a seguinte resposta: “meu filho,  SE VIRA!”. Já vi orientandos que ficam com dor de barriga só de pensar nas reuniões de orientação. O carrasco vai tentar te atropelar a cada reunião com idéias, artigos e trabalho. Sempre você vai se sentir inferior ao lado do seu orientador. Um de seus motes é: “o que você faz das 00h às 06h da manhã?”. Sabe a filosofia de aprender pelo amor ou pela dor? Então…
  • Educador: Esse é o orientador que tem uma única preocupação norteadora que é formar um cientista. Esse orientador não vai passar a mão na sua cabeça como um paizão, porém quando você precisar de ajuda ele vai estar lá. O orientador educador sabe quando é o momento dar a mão e quando é o momento de fazer o orientando andar com as próprias pernas. Imagine que o início da vida acadêmica é como andar de bicicleta (sempre achei que o exemplo da biclicleta servisse para tudo), então esse orientador sabe o momento certo de tirar as rodinhas da sua bicicleta para fazer você cair algumas vezes sabendo que você vai aprender a se equilibrar no futuro. Esse estilo de orientação é voltado no aprendizado acadêmico. Um dos pontos mais interessantes do orientador educador é que ele não apenas te ensina com palavras e sim com atos. A convivência com esse orientador já é um crédito de mestrado. Esse tipo de orientação envolve até aspectos éticos que permeiam o mundo (acadêmico?!). Acredito que, de todos os estilos, é o que vai dar mais trabalho pois você vai ter que aprender coisas simples como calibrar um aparelho até coisas complexas como construir uma redação (científica), dar uma boa aula ou até orientar outros estudantes. O mote do orientador educador é: “eu não quero que vocês um dia alcancem o que eu alcancei, eu quero que vocês vão mais longe!”

E como identificar esses estilos? Simples! Novamente é a regra do namoro! Antes de sair fazendo proposta para qualquer um procure saber mais sobre aquela pessoa.  Converse com outros orientandos daquele orientador, pergunte se ele tem um grupo de estudos no qual você possa frequentar, leia seus artigos e seus livros, enfim, a internet está não está aí somente para compartilhar memes.

Se você tem alguma outra observação sobre esse tema ou conhece algum outro tipo de estilo de orientação comente aqui e deixe sua opinião!

Gosta desse tema?! Se você ficou interessado sobre o assunto e quer ouvir um bate-papo com um excelente cientista brasileiro, clique aqui!