Monitoramento de cargas na musculação: qual sua estratégia?

Por Prof. Msd. Rodrigo Gianoni

Referido como carga interna, o estresse fisiológico total é visto como sendo o determinante para observação de respostas de adaptações positivas ou negativas em atletas, sendo que seus resultados podem ser melhoria do desempenho, overtraining, doenças ou lesões.

Isto faz com que a quantificação do monitoramento da carga interna seja vital para assegurar a adequada manipulação do treinamento para a indução de respostas desejáveis como adaptações positivas.

Outro fator importante para essa quantificação da carga interna é a variação das cargas impostas no treinamento de força que pode ser um potente estimulo para ocorrência de adaptações positivas, assim diminuindo as chances de adaptações negativas. Essas variações de estímulos geralmente são somente controladas com a diversificação do exercício realizado ou a metodologia imposta no treinamento (séries x repetições e intervalos), mas nunca como uma quantificação do estresse físico ocorrido com o indivíduo.

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Ainda não é consenso na literatura uma forma exata para a identificação da carga interna na musculação, mas já existem alguns modelos validos e de fácil aplicação para ajudar nessa quantificação.

Em um estudo realizado por Genner., 2014, comparou métodos de quantificação da carga de trabalho na musculação em relação as respostas fisiológicas do treinamento. A proposta do estudo foi avaliar a utilidade do volume da carga (VL), média da percepção subjetiva do esforço (PSE) da sessão (SRPE), carga e PSE (RPEL) e um modificado (RPEL-2 (media PSE x duração – intervalo)) para estimar a carga interna no treinamento de resistência e avaliar as interações entre SRPE, VL e intensidade no treinamento de resistência. As intensidades das sessões de treinamento foram 55, 70 e 85% de 1 RM. O VL, SRPE, RPEL e RPEL-2, para cada sessão foi calculado comparando e correlacionado com alterações dos valores de lactato sanguíneo e cortisol salivar. O estudo observou um aumento substancial em todas as mensurações com a diminuição progressiva do 1 RM, como lactato e cortisol após o treinamento de resistência com 55% de 1 RM quando comparado a 70 e 85%. Assim, ao visualizar a carga de treinamento global o RPEL-2 pode oferecer maior vantagem para estimar a carga interna de treinamento e que também os resultados sugeriram que a SRPE parece estar mais relacionado com o volume da carga do que o % de 1RM.

Sendo assim através dessas formas de monitoramento podemos calcular o estresse induzido aos nossos clientes (personal training) através de métodos de fácil aplicação, e também associá-lo a periodização realizada, assim favorecendo adaptações positivas do treinamento de musculação.


Referência

Genner, KM and Weston, M. A comparison of workload quantification methods in relation to physiological responses to resistance exercise. J Strength Cond Res 28(9): 2621–2627, 2014