Mulheres que tem mais mais gordura nos glúteos são mais saudáveis?!

Por Yuri Motoyama

Glúteos!! Esse é o tema de hoje! Só não é mais polêmico que mamilos…

Quem diria que esse patrimônio nacional seria um indicador de saúde. Será que depois dessa pesquisa vão chegar alunas na academia querendo “engordar” o bumbum? (rs)

Antes de mais nada vamos estabelecer uma ordem aqui nesse post, vou usar a palavra glúteo para me referir ao seu “bumbum”. Por mais que eu queira trabalhar com uma comunicação simples e popular eu não consigo escrever “bumbum” ou algum outro adjetivo para essa região do corpo. Então será glúteos e quando falarmos da gordura dessa região gordura gluteofemural. Correto? Outro ponto que devemos considerar é que esse artigo foi publicado no International Journal of Obesity que é uma revista pertencente a NPG (Nature Publishing Group) e tem seu respeitoso fator de impacto de 5.386 em 2013. Então, não estamos falando de ciência de baixo nível.

RCQ – Uma dúvida sobre a relação cintura e quadril

Se você trabalha com saúde já deve ter ouvido falar da famosa relação cintura e quadril. Essa medida não é nada mais que uma proporção calculada pela divisão do perímetro do quadril pelo perímetro da cintura (cm-quadril / cm-cintura). A partir desses valores podemos classificar em uma tabela de referência o risco de doença cardiovascular e diabetes, por exemplo.

Certamente, você que trabalha com saúde ou realiza esse tipo de avaliação já deve ter feito essa pergunta: se essa medida tem como objetivo calcular uma proporção do quadril para a cintura avaliando uma redução da gordura visceral (que é associada a essas doenças que citei). Então se eu aumentar minha gordura gluteofemural, consequentemente o perímetro do quadril, posso melhorar minha classificação na RCQ e terei menos risco de doença coronariana? Correto?!

Então vamos ver o que existe de bom na gordura presente nos seus glúteos!

Distribuição da gordura corporal e seus riscos

Hoje sabemos que a composição corporal tem um papel fundamental no desenvolvimento de doenças. Principalmente a gordura acumulada na região abdominal. Essa gordura está associada a um aumento na pressão arterial, maiores níveis de triglicerídios e é um preditor do desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Nessa região abdominal podemos destacar dois tipos de gordura: a subcutânea – que está embaixo da sua pele, entre a sua pele e seu músculo abdominal; e a visceral – que está dentro da cavidade abdominal, junto com suas vísceras. Essa relação entre a gordura subcutânea e a visceral vem sendo estudada, porém, a gordura visceral vem sendo destacada por ser alterada de forma fenotípica (influenciada por fatores ambientais) e assim associada a comportamentos prejudiciais a saúde.

Em contrapartida, pouco se fala do papel protetor do tecido adiposo. É isso mesmo que você está lendo, a gordura não é um vilão no nosso corpo feito para destruir a humanidade. Ela tem várias funções que vão desde controle endócrino até velocidade da condução de impulsos nervosos. Mas vamos falar do seu papel protetor. Existem evidências que mostram que a gordura corporal da parte inferior do corpo (coxas e glúteos) está relacionada a fatores como:

  • Baixos níveis de colesterol ruim (LDL e VLDL);
  • Altos níveis de colesterol bom (HDL);
  • Baixo índice de calcificação aórtica e enrijecimento arterial;
  • Baixos níveis de insulina em jejum e após a ingestão de glicose;
  • Baixos níveis de Hba1c (Hemoglobina Glicada);
  • Maiores níveis de leptina (um hormônio produzido pelo tecido gordo que controla o apetite e a massa corporal);

Mas como a gordura acumulada nos meus glúteos pode me ajudar?

Existem teorias que explicam esses fatores protetores da gordura gluteofemural. O tecido adiposo subcutâneo funciona como um tipo de mecanismo tampão para controlar o fluxo de lipídeos circulantes adquiridos pela nossa dieta. Prevenindo, dessa forma, outros tecidos de um fluxo excessivo de gordura, causando uma lipotoxicidade. A gordura gluteofemural pode controlar a captação e liberação de ácidos graxos de forma diferente. O padrão ginóide de distribuição de gordura, característico em mulheres (veja a figura) está relacionado a um maior nível da atividade lipase lipoproteica (que converte trigliceridios em ácidos graxos livrem + glicerol). E essa atividade está toda concentrada nessa região gluteofemural. Alguns pesquisadores apelidam essa gordura na região dos glúteos de “pia metabólica”.

Concluindo parcialmente o assunto dos glúteos…

Esse é um artigo bem interessante, muito bem escrito e gostoso de ler. Tem muito mais informações interessantes e convido você a continuar a leitura caso o tema tenha despertado seu interesse. Como sempre faço nas postagens, se o artigo tem acesso livre eu crio um link aqui embaixo na seção das referências.

Como podemos ver existem muitos benefícios relacionados a presença do tecido adiposo no corpo e com essa evidência podemos pensar em regiões onde não é tão ruim assim ter uma “gordurinha” acumulada. Acho muito interessante divulgarmos informações como a desse artigo, principalmente nos tempos atuais onde existe um padrão de beleza pautado na ausência de gordura e magreza.

Vou parar por aqui para não deixar a postagem grande, porém se você quiser ler mais sobre esse artigo me escreva (clique em fale conosco lá em cima), se aparecerem mais “curiosas” sobre o tema eu posso fazer uma parte 2 dessa postagem.

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Caso não queira nada disso, pelo menos compartilhe com suas amigas que tem um bumbum menor que o seu e sempre te alugaram. Esbanje saúde nelas!! (rs)

Ahhhhh silicone não vale viu?!

A americana Vanity Wonder, de 30 anos, revelou em livro que gastou aproximadamente US$ 15 mil em aplicações ilegais de silicone para ficar com o bumbum gigante. Ela disse que ficou viciada nas aplicações. No livro, ela relata sua experiência de cinco anos no mercado ilegal de aplicações de silicone nos EUA. (Foto: Reprodução)


Referência

MANOLOPOULOS, K. N.; KARPE, F.; FRAYN, K. N. Gluteofemoral body fat as a determinant of metabolic health. International journal of obesity, v. 34, n. 6, p. 949-959, 2010.