Neurodoping: teremos uma nova forma de doping?

Por Gilmar Esteves

Casos de doping no esporte são muito freqüentes e isso não é novidade para ninguém, temos alguns casos famosos como o do ciclista Lance Armstrong, o corredor Bem Johnson e recentemente o lutador brasileiro de MMA Anderson Silva que foi acusado de utilizar substancias ilícitas.

A administração de recursos ilícitos com o objetivo de aumentar a performance esportiva já é utilizado há muitos anos atrás, entretanto com o passar do tempo surgem novos métodos e meios de se favorecer no esporte com o uso de doping.  Quando pensamos em doping nos veem em mente o uso de drogas, mas qualquer substância, equipamento ou método que de forma ilícita melhore o desempenho esportivo pode ser caracterizado como um doping.

Já parou para pensar em um doping cerebral?

Recentemente, cerca de 10 anos atrás, tem surgido alguns estudos investigando o uso da eletricidade e do campo magnético como possíveis recursos facilitadores de aumento do desempenho físico. Estas técnicas são a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) e a estimulação magnética trancraniana (EMT), elas se diferem em alguns aspectos como método de aplicação, custo do equipamento entre outras. Porém ambas as técnicas são, não invasivas, indolores, aplicadas na região da cabeça e apresentam como principal característica a modulação da atividade cerebral de uma determinada região especifica que se queira estimular. Regiões como o córtex motor e o córtex insular estão na mira de pesquisadores que querem investigar o efeito destas técnicas no desempenho esportivo.

Um estudo de revisão feito por Nick J. Davis em 2013, com o título “Neurodoping: Brain stimulation as a performance-enhancing measure”, aborda o uso destas técnicas de estimulação cerebral e sua utilização no meio esportivo. O autor discute o presente e o futuro deste novo meio que promete revolucionar o mercado do doping esportivo, e ainda seus conhecidos e possíveis resultados, aspectos éticos, riscos e benefícios. Davis argumenta que cada esporte deve determinar se o neurodoping deve ser considerado como fraudulento, ou deve ser considerado como um legítimo auxilio no treinamento ou aumento de desempenho físico.

Neurodoping pode ser uma preocupação para o futuro esportivo?

Eu acredito que estas técnicas não devem demorar muito para aparecer no meio esportivo. O numero de publicações aumentam a cada ano, mas ainda há uma dúvida sobre quais modelos de exercício estas técnicas são realmente favoráveis, ou também, quais regiões do cérebro se deve estimular para favorecer o aumento de desempenho de determinados modelos de exercícios.

Outro fato a se considerar é, até que ponto a melhora no desempenho esportivo imposto por estas técnicas de neuromodulação podem ser consideradas um doping, ainda não existe nada regulamentando isto, e na verdade, ainda faltam muitos estudos para desvendar todos os efeitos e possibilidades que estas revolucionárias e futuristas técnicas possam ser empregadas.

Quer saber mais sobre a estimulação elétrica utilizada para o sistema nervoso central? Clique aqui e escute  esse podcast!


Referência

DAVIS, N. J. Neurodoping: Brain stimulation as a performance-enhancing measure. Sports Medicine, v. 43, n. 8, p. 649-653,  2013.

  • Fabio Rocha de Lima

    Fala meu amigo!

    Desde que você e o Gilmar fizeram aquele podcast sobre essa técnica, achei bem interessante, e geradora de algumas curiosidades.

    Não pensando na perspectiva de alto rendimento, mas no sentido de promoção de saúde, você já chegou ler algum estudo que verifica-se o efeito dessa técnica sobre patologias que tenham um caráter neural envolvido. Por exemplo, indivíduos parkinsonianos?

    Abraços

    • Yuri Motoyama

      Vou chamar o Gilmar que manja do esquema para te responder. Mas eu sei que tem pesquisas utilizando ETCC para tratamento de distúrbios neurológicos.

    • Gilmar Esteves

      Fala Fábio, obrigado pela pergunta. Sim existem muitos estudos relacionados a está área, mais ainda do que na nossa de desempenho físico. Exemplos como, parkinson, depressão, alzheimer, cefaléia ou déficit mental são bem frequentes em pesquisas com estimulação elétrica. Procure por artigos de dois pesquisadores brasileiros pioneiros neste assunto, Dr. Paulo Boggio e Dr. Felipe fregni. Abraços.