O que é a Fisiologia do Exercício?

Por Yuri Motoyama

Um famoso neurofisiologista uma vez disse “a fisiologia não é uma ciência ou uma profissão e sim um ponto de vista” (GERARD, 1958).

Se pararmos para refletir uns minutos, vemos que a fisiologia é uma ciência que precisa observar os fenômenos de forma integrada e de acordo com o “ponto de vista” (o nosso posicionamento “bibliográfico”) podemos enxergar essas interações de maneiras bem diferentes.

Esse assunto se torna um pouco complicado quando olhamos essa disciplina no ensino superior. Arriscaria dizer que você aprendeu Fisiologia dividida em sistemas ao longo do ano e, em alguns raros casos, o funcionamento entre esses sistemas bem lá no finalzinho. Então eu diria que você aprendeu – realmente – a fisiologia lá no finalzinho quando seu professor te estimulou a pensar no funcionamento daquilo tudo junto. Meu orientador sempre bate na tecla quando temos alguma dúvida que abrange a fisiologia, todos precisamos voltar um passo e rever os conceitos de fisiologia básica constantemente. Hoje, tendo como minha maior companheira a Sra. Siverthorn (indico um milhão de vezes essa autora) eu vejo o quão importante é mudar o ponto de vista quando se estuda fisiologia.

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Aí entramos na toca do coelho e abrimos a porta para um mundo extremamente complexo que é o corpo humano quando observado de forma holística (não confundam com o termo esotérico). Observar a interação entre os sistemas incluindo a concepção  de propriedades emergentes, que carinhosamente eu apelido de imprevisibilidade fisiológica, tornam as coisas bem desafiadoras.

Acredito que a fisiologia como disciplina atual precisa desenvolver habilidades que façam com que os estudiosos e entusiastas consigam entender os sistemas de forma integrada. Como a expressão “da bancada a beira do leito” onde as pesquisas básicas conseguem sair das pesquisas aplicadas e chegar até a prática do nosso dia.

Minha opinião é que sempre temos que rever tudo e seguir o exemplo de bons fisiologistas que:

  • sempre questionam as coisas.
  • sempre revem os conceitos básicos.
  • desenvolvem pontos de vista diferentes a partir de cada revisão dos conceitos básicos.
  • NUNCA estão satisfeitos!

Enfim, atualmente conseguimos chegar à expressão “baseada em evidências” onde a ciência se distancia muito da tradição ou do “senso comum”. Porém nunca chegaremos no conceito de verdade…

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“Ao invés de simplesmente continuar a aceitar acriticamente nessas inconsistências, a
geração moderna de fisiologistas do exercício deve desafiar velhos dogmas, e assim, se aproximar mais de perto a verdade inatingível”

Tim Noakes


Referências

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Gerard, Ralph Waldo. “Mirror to Physiology, a Self-Survey of Physiological Science.” Academic Medicine 33.11 (1958): 814.

Quem quiser me dar esse de presente eu aceito!

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Silverthorn, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Artmed, 2010.

  • Yuri Motoyama

    ok