O que é a homeostase?

Por Yuri Motoyama

Um aspecto muito interessante de se parar para pensar é sobre a questão: “como nós chegamos até aqui”? Imagine quantas espécies existiram durante a evolução dos organismos. Agora imagine a probabilidade de nós “seres humanos” termos alcançado a posição atual. É um número bem pequeno.

Como sempre digo em aulas, eu gosto de imaginar o ser humano como um robô super evoluído. Acho que se um dia a tecnologia avançar muito e conseguir construir androides perfeitos, eles serão como nós, os seres humanos. Não existe sistema de processamento  e armazenamento de dados mais eficiente que o cérebro, não existe mecânica mais eficiente que nossos músculos, não existe motor mais resistente que nossas mitocôndrias e assim por diante.

Se formos dar um prêmio para as características biológicas evolutivas mais importantes, com certeza a homeostase ganharia uma das primeiras posições.

Você sabe o que é a homeostase?

Imagine a autonomia interna de um robo. Essa é a homeostase! Seu computador tem um sistema de ventilação que funciona a medida que o processador esquenta. É um mecanismo de autorregulação.  O nosso corpo também tem, só que um milhões de vezes mais específico. Por exemplo, nós somos animais terrestres grandes com uma grande quantidade de água no corpo. Essa água se mantém relativamente constante independente da umidade e do clima externo.

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Se observarmos as células do nosso corpo, elas não tem uma grande tolerância a mudanças externas. Isso é explicado pelo fato de nossas células tataravós (ancestrais) viverem milhões de anos em uma solução com acidez, salinidade e temperatura constante. Todos os organismos precisam de um ambiente constante para cultivar suas células. A manutenção dessas condições internas constantes independente do ambiente externo é chamado homeostase (homeo-similar, + stasis, condição).

O meio interno líquido dos organismos multicelulares é chamado de líquido extracelular e o meio líquido do interior das células é chamado de líquido intracelular. Esses dois líquidos estão em constante comunicação um com o outro, sendo divididos somente pela barreira formada pela membrana das células. No caso da hidratação, se você ingerir uma grande quantidade de água e seu meio extracelular ficar diluído, seus rins, irão remover o excesso de água e para manter a solução constante.

História da homeostase

Na metade do século XIX, o médico francês Claude Bernard cunhou o termo Milieu interno, que veio da fase “la fixitê du milieu intérieur” (a constância do meio interno). Ele observou a estabilidade de várias funções fisiológicas como frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, dentre outras.

Em 1929, um fisiologista norte-americano chamado Walter B. Cannon criou a palavra homeostase para descrever a regulação desse meio interno. Através de observações de vários outros fisiologistas, Cannon fez uma lista precisa de variáveis que estão sob controle homeostático.

E quando o organismo falha em manter a homeostase?

Ao falhar na manutenção desse equilíbrio, se ele não for restabelecido em um curto período de tempo, chegamos a condição patológica (pathos, sofrimento). Essa falha pode ser exclusivamente interna, como crescimento anormal de algumas células, ou externas como contato com alguma toxina, trauma, vírus e bactérias que podem desequilibrar as funções do organismo.

A medicina e a farmácia, buscam formas para recuperar esse equilíbrio e restaurar a homeostase. A atividade física poderia ser encarada como uma forma de adaptar o corpo para essas alterações tornando-o mais adaptável aos desequilíbrios. Dessa forma podemos encarar, por exemplo, a hipertrofia resultante de um treinamento de força como uma forma do corpo se precaver sobre aquele tipo de estresse fisiológico (quebra momentânea da homeostase) causado pelo processo da contração muscular levada ao extremo.

Muitos autores discutem ainda a definição desse conceito, mas podemos imaginar um equilíbrio dinâmico.  Como um balde de água em baixo de uma torneira ligada. Se esse balde tiver um furo que dê vazão para a água na mesma proporção que a torneira, o nível da água será o mesmo. Está em equilíbrio, porém não como um balde normal com a água naquele nível, a quantidade de água é corrente. O “equilíbrio” do nível da água é constante.


Referência

Silverthorn, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Artmed, 2010.