Açúcar e Obesidade: a verdade por trás dos bastidores – Parte 3

Por Jean Silvestre

Olá pessoal!
Faz um tempo que estamos analisando a relação açúcar e obesidade, já vimos um pouco da ordem cronológica de como ocorreu a introdução de açúcar na nossa alimentação (Post 1) e também os alimentos ricos em carboidratos refinados (post 2). Neste post vamos entender o que o excesso (ou até mesmo o pequeno consumo) de açúcar acarreta para nossa saúde.

Para você que caiu de gaiato e não leu as postagens anteriores, clique aqui para ler a parte 1 ou aqui para ler a parte 2 e não perder nada do assunto!

Qual a relação entre o açúcar e a obesidade?

Primeiramente, devemos ter a noção clara que o consumo de açúcar de mesa e/ou o carboidrato refinado está intimamente relacionado com a obesidade, e é tido como um potente fator de risco para tal. (1, 2). Para entender como o esse carboidrato refinado interfere negativamente em nossa saúde nada melhor que usarmos a nutrição a nosso favor.

Reparem que eu estou escrevendo SAÚDE e não COMPOSIÇÃO CORPORAL, uma vez que a composição corporal nada mais é que um resultado posterior. De maneira que, se você tem hábitos alimentares saudáveis e é uma pessoa ativa, sua composição corporal não deve ser problema.

Vamos imaginar a seguinte situação: um indivíduo está trabalhando a tarde no escritório (ele trabalha sentado, portanto não tem um gasto energético alto), o mesmo indivíduo está com fome e decide consumir 6 unidades de bolacha recheada com 1 xícara de café expresso, no qual ele adiciona 1 sachê de açúcar (5g de carboidrato) ok ?! Vamos aos cálculos: Em quantidades energéticas, o indivíduo consumiu 280 kcal, e em relação ao consumo de carboidratos teve um consumo de 26g, também consumiu 4,6g de proteínas, 8g de gordura total e somente 2,2 g de fibras. Um detalhe importante é a qualidade do carboidrato – farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, xarope de açúcar, açúcar invertido – todos carboidratos refinados sem vitaminas e nutrientes. E para a qualidade da gordura – margarina e gordura vegetal – ricas em gordura saturada e trans.

Guardaram o primeiro exemplo? Vamos ao segundo: o mesmo indivíduo consome as mesmas quantidades energéticas (280 kcal), porém ele consome o famoso frango com batata doce (utilizei 70g de frango grelhado e 150g de batata doce cozida), vejamos a qualidade da refeição: 36g de carboidrato, 23g de proteínas, 4,7d de gordura total e 3,6 g de fibras. Reparem para a qualidade da refeição – um carboidrato complexo, rico em fibras e vitaminas do complexo B, A, C e E – com um valor proteico excelente, sendo uma proteína de alto valor biológico, e uma gordura mono e poliinsaturada.

Sem contar que, você já tentou comer 150g de batata doce? Para algumas pessoas essa é uma quantidade grande, o que pode fazer com que a pessoa coma menos e, consequentemente, tenha uma menor ingestão de carboidratos e de calorias.

Não vou falar sobre os efeitos deletérios à saúde que o consumo de carboidrato refinado pode causar, este será o tema do próximo post dessa série “açúcar e obesidade”. Mas gostaria que se atentassem exatamente à qualidade das refeições, no qual a primeira opção traz consigo macronutrientes de péssima qualidade e baixíssima quantidade de micronutrientes, em contrapartida da segunda opção.

Então é isso pessoal, fiquem atentos sempre a qualidade da refeição, contar calorias nunca é a solução para se ter uma boa saúde!

Até a próxima pessoal!

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Referências

1 – GIGANTE, D. P. et al. Prevalência de obesidade em adultos e seus fatores de risco. Revista de Saúde Pública, v. 31, n. 3, p. 236-46, 1997.

2 – WANDERLEY, E1111. N.; FERREIRA, V. A. Obesidade: uma perspectiva plural. Ciência e Saúde Coletiva, v. 15, n. 1, p. 185-94, 2010.