Ouvir música pode ter efeito ergogênico no treinamento de HIIT?

Por Yuri Motoyama

Atualmente temos bastante evidencias mostrando os benefícios do treinamento intervalado de alta intensidade (o famoso HIIT). Nessa postagem não vamos discutir o que define esse tipo de treinamento , considerando que existem muitos pseudo-professores que estão vendendo “caminhada no parque” com o nome de HIIT.

Um ponto que é indiscutível são as adaptações aeróbias que o treinamento de HIIT consegue com pouco volume de treinamento. Tanto o tradicional treinamento aeróbio de baixa intensidade e longa duração quanto o HIIT trazem benefícios em marcadores de aptidão cardiorrespiratória e capacidade mitocondrial. A vantagem é que o HIIT acaba nos poupando um pouco de tempo por utilizar um volume de treino muito baixo, como no caso da pesquisa que iremos apresentar, que fez um treinamento baseado no teste de Wingate.

Não existe um método de treino mágico e perfeito, lembre-se de ter sempre ao lado um profissional de educação física para poder periodizar seu treino e dessa forma otimizar os resultados.

Um modelo de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT)

O protocolo do teste de wingate resume-se a uma série de 30 segundos “all out” que significa “pedale como se estivesse fugindo do diabo”. Brincadeiras à parte, uma série de 30 segundos em um protocolo de Wingate, o indivíduo tem que conseguir produzir o máximo de potência e mantê-la durante os 30 segundos.

A pesquisa em questão utilizou 4 séries de 30 segundos com 4 minutos de intervalo de descanso passivo (sem movimento). Um modelo de treinamento interessante se formos pensar que, de exercício mesmo, são 2 minutos totais com 16 minutos de descanso.

Vou deixar um vídeo abaixo com um exemplo de uma série de Wingate.

Como a música pode influenciar no treinamento de HIIT?

Na pesquisa os autores realizaram as 4 séries em 2 dias distintos: um dia controle sem música e outro dia com uma música escolhida pelos participantes. A escolha da música se deu através de um questionário que avalia os componentes motivacionais das músicas (Brunel Music Rating Inventory-2), dessa forma independente da música que os avaliados escolhessem, todas as músicas eram padronizadas de acordo com essa avaliação.

Os resultados foram interessantes pois o grupo que escutou a música preferida (motivacionalmente falando) conseguir produzir uma potência maior (pico e média) e um nível maior de motivação avaliado por uma escala Likert de 10 pontos.

Um ponto interessante desse trabalho foi o efeito rebote na escala de afeto – que avalia o prazer e desprazer da atividade – após as 4 séries de Wingate. É esperado que o prazer diminua conforme o passar das séries em alta intensidade, porém parece que nesse protocolo existe um rebote durante os 30 e 60 minutos onde existe um aumento no prazer. Isso pode nos levar a pensar que além do treinamento de HIIT ter um volume (tempo) menor ele pode ter uma taxa maior de aderência devido a essa sensação de prazer aumentada após os 60 minutos.

Se você está interessado em emagrecimento clique aqui gaste uns minutinhos ouvindo esse podcast!

Um ponto de vista meu sobre esses resultados (veja algumas imagens do artigo abaixo):

  1. Conseguindo manter uma potência maior com a música consequentemente além de melhores adaptações aeróbias podemos ter um gasto calórico maior para quem está querendo controlar a quantidade de gordura corporal;
  2. Se existe esse efeito rebote na escala de afeto é muito provável que os profissionais que optem pelo HIIT durante uma parte da periodização tenham uma taxa de “retorno” maior dos seus alunos para os próximos treinos. Lembrando que o HIIT não é uma das coisas mais gostosas de se fazer durante o dia (rs).

Hiit imagem

Então, você que tem o costume de ouvir músicas durante o treino não perca essa oportunidade de “suplementar musicalmente” seus tiros de alta intensidade!!!

Lembrando que é ALTAMENTE recomendado a leitura do artigo da íntegra para que você também tire suas próprias conclusões e participe da discussão aqui em baixo nos comentários!

Abraços!

Referência

STORK, Matthew J. et al. Music enhances performance and perceived enjoyment of sprint interval exercise. Med. Sci. Sports Exerc, v. 47, p. 1052-1060, 2015.