Pace: será que você sabe mesmo qual é o seu melhor ritmo de prova?

Por Yuri Motoyama

Se pararmos para observar as salas de treinamento de corrida (desde salas de musculação com esteiras até o treinamento na rua) vemos que a corrida ainda tem muitos aspectos a ser considerados. Um desses aspectos (que eu considero mais importante) seria como estabelecer os limites do treinamento de corrida e calcular o seu pace.

É fácil imaginar o controle do treino de musculação por exemplo, pois você tem as cargas (anilhas, halteres e pesos) e conta os números de repetições. Com alguns testes e um bom professor é possível estabelecer limites de treino para melhorar a força e a hipertrofia.

E como eu descubro meu pace na corrida?streetfightercollab_kotakubr01-1260x710

Você que é professor, chega um aluno e quer começar um treino de corrida. Como você faz? Sorteia uma velocidade para ele começar? Começa caminhando? Qual o pace dele? E você que é praticante de corrida, com qual velocidade você sabe que está fazendo um treino leve, moderado ou intenso? Qual a forma que seu professor utiliza para calcular seu pace?

Uma das formas interessantes para estipular essas intensidades é “olhar para dentro”. O corpo apresenta vários indicadores fisiológicos que podem nos dar pistas de quando estamos dentro de uma determinada intensidade. O problema é que essas formas geralmente são caras e inacessíveis (veja o custo de uma ergoespirometria por exemplo). Somente o aparelho necessário para esse teste custaria em torno de 80 mil reais.

Atualmente temos pesquisadores interessados em contribuir para a prática, desenvolvendo métodos mais acessíveis e práticos para chegarmos nesse “misterioso” valor mágico que é o pace. Esses métodos envolvem desde fórmulas até mensurações de marcadores bioquímicos.A partir daí, com seu pace identificado, todo seu treinamento pode ser prescrito com segurança e eficácia.

Em um trabalho publicado pelo Grupo de Estudos de Pesquisa em Fisiologia do Exercício / Santos (GEPEFEX), foram comparados 3 métodos para estimar a intensidade da Máxima Fase Estável de Lactato (MFEL), método considerado padrão ouro na qual nos aproximaríamos do L2 (segundo limiar de transição metabólica). Lembrando que saber a intensidade (no caso quantos km/h seu aluno atinge o L2) é super interessante para estipular o treinamento de corrida, determinar o pace para cada tipo de prova e fazer avaliações de performance.

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Os métodos comparados foram o a Velocidade Crítica (VC), o Limiar Anaeróbio Individual Indireto (LAIind) e o Limiar Glicêmico (LG). Tanto a VC quanto o LAIind são baseados em fórmulas, somente o LG faz uma medida de um marcador (glicose) sanguíneo.

Os resultados foram interessantes, pois mostraram uma alta correlação (ANOVA) e concordância (Bland-Altman) entre o LAIind, o LG e a MFEL. Isso mostra que podemos trabalhar com métodos mais acessíveis para começar a prescrever o treinamento aeróbio com base em algum dado palpável e não na tentativa e erro.

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Aqui mostramos dois testes que parecem ser interessantes, um baseado em uma fórmula e outro bem simples que utiliza um aparelho de aferir glicose (igual aos que os diabéticos usam) e algumas gotinhas de sangue durante um teste de corrida.

Se você mora na baixada santista, conheça o trabalho dessa assessoria que adaptou o teste para identificar o pace de seus alunos na praia!

O corpo de evidências com relação a esse tipo de avaliação anda não é extenso, porém as evidências sugerem que essa avaliação possa ser adaptada para qualquer tipo de protocolo incremental (ciclismo, natação, etc).

Pesquise mais sobre, tire outras conclusões e compartilhe-as aqui conosco na caixa de comentários do post!

Esteja sempre antenado nas publicações, a literatura científica está aí justamente para nos fornecer melhores formas para prescrever treinamento do que a tentativa e erro!

Abraço!

Referencia

Motoyama YL, Pereira PEA, Esteves GJ, Duarte JMP, Carrara VK, Rissato GM, Azevedo PHSM. Alternative methods for estimate maximum lactate steady state velocity in physically active young adults. Rev bras cineantropom desempenho hum 2014; 16: 4.

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  • Yuri Motoyama

    ok