Podcast #67 – Quatrode15 – Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo (Kaatsu Training)

Olá pessoas!

Nesse podcast da nossa 4ª temporada vamos trazer algumas informações sobre um método de treinamento que está se tornando muito popular nas academias e nos centros de pesquisa com treinamento. Estamos falando do famoso método chamado de oclusão vascular que realmente poderia ser melhor definido como restrição do fluxo sanguíneo. Esse método que começou no Japão e se tornou mundialmente conhecido como Kaatsu Training consiste em usar aparelhos para reduzir o fluxo de sangue nos membros durante o treinamento.

Nesse programa contamos com a presença do nosso especialista em restrição Fábio Rocha, e os orelhas Yuri Motoyama e Gilmar Esteves!

Links citados no Podcast

Imagem do Kaatsu Cycle;

Referencias

KAWADA, S. What phenomena do occur in blood flow-restricted muscle?. International Journal of KAATSU Training Research, v. 1, n. 2, p. 37-44, 2005.

NAKAJIMA, T. et al. Use and safety of KAATSU training: results of a national survey. International Journal of KAATSU Training Research, v. 2, n. 1, p. 5-13, 2006.

SLYSZ, Joshua; STULTZ, Jack; BURR, Jamie F. The efficacy of blood flow restricted exercise: A systematic review & meta-analysis. Journal of Science and Medicine in Sport, v. 19, n. 8, p. 669-675, 2016.

  • Renee Caldas

    Muito bom assunto, com muitas aplicações práticas.

    Fiquei só com dúvida em relação a aplicação prática no treinamento esportivo. Foi falado que seria útil na fase pré-competitiva por conta da diminuição da intensidade do estímulo dado ao atleta, porém o volume de treinamento seria alto utilizando o método Katsu certo?

    A minha dúvida é se essa compensação da diminuição da intensidade com o aumento do volume não poderia gerar um dispêndio muito alto de energia e gerar uma fadiga pré-competição muito alta, principalmente dos sistemas energéticos.

    E em relação ao periodo de polimento dos atletas geralmente o que os estudos (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20840559) apontam é que seria melhor reduzir o volume de treino e fazer treinos mais intensos e com menor frequencia, buscando adaptações mais rápidas, com protocolos de 3 a 4 semanas. Logo em seguida é feito um descanso planejado do atleta para reestabelecer os níveis do sistema energético e diminuir a fadiga visando a competição.

    Existem outras discussões mais atuais sobre as cargas de treino dadas aos atletas, que talvez sejam por muitas vezes inespecíficas e com altos volumes (principalmente para atletas de esportes de alta intensidade e curta duração). Esse link: ” http://www.aspetar.com/journal/upload/PDF/2016523113918.pdf ” leva a um artigo muito bom que explicar melhor essa discussão e acho que pode render um bom tema para podcast, e inclusive os autores são brasileiros e moram em São Paulo até onde eu sei e acho que seria muito valioso ter eles participando pra discutir esses aspectos.

    Muito obrigado pela iniciativa de divulgar a ciência dessa maneira,
    Grande Abraço!

    Referência:

    Mujika I. Intense training: the key to optimal performance before and during the taper. Scand J Med Sci Sports. 2010 Oct;20 Suppl 2:24-31. doi:10.1111/j.1600-0838.2010.01189.x.

    • Yuri Motoyama

      Cara você está corretíssimo! Inclusive temo que gravar uma errata pois no cast nos descrevemos o tempo de polimento (taper) como uma diminuição na intensidade e o correto é uma diminuição do volume de treino. O que eu acho que o professor Fabio quis comentar (baseado em um dos artigos que deixamos aí na referência) é que nesse período de Tapper o atleta até poderia diminuir a intensidade junto com o volume sem perder os efeitos positivos do tappering….vou invocar a carta “Fábio Rocha” aqui pra ver o que ele acha

      • Renee Caldas

        Oi Yuri, eu vi dessa forma que o Professor Fábio comentou mesmo, se o katsu training tiver uma repercussão de carga interna menor que o treino tradicional e mantiver ou até aumentar as adaptações dos atletas isso seria fantástico. Eu resolvi comentar pra esclarecer mesmo, pois deve ter muita gente que tá tendo o primeiro contati com o treinamento esportivo agora e ai acaba confundindo as coisas, kkkkkkk.

        Eu nunca li artigos sobre Katsu, mas vou dar uma olhada pra entender melhor essa relação dele com a fadiga e carga interna. Abraço!

        • Yuri Motoyama

          Pior que eu reparei isso quando estava editando, aí esqueci completamente de arrumar! Ainda bem que você estava atendo aí e observou!! Nossos ouvintes de ouro!!! Abração mestre!

    • Fabio Rocha de Lima

      “Carta invocada com sucesso…rsrs…”

      Opa Rene. Desculpe a demora para responder.

      Essa aplicação do treinamento com restrição de fluxo sanguíneo no treinamento esportivo é sugerido para ser aplicado na fase pré-competição alvo da periodização, pois essa estratégia ajudaria a diminuir a magnitude da perda de força que esses atletas podem ter nesses períodos. Como o treinamento de força de alta intensidade promove uma alta fadiga nos sistemas energéticos, a aplicação do treinamento com restrição de fluxo pode ser um bom método para ser utilizado nesses períodos, pois não promove essa fadiga de maneira significativa.

      Alguns estudos de revisão (como esse aqui http://www.jsams.org/article/S1440-2440(15)00096-1/abstract) até sugerem a aplicação dele em conjunto com o treinamento de força tradicional para potencializar os ganhos (mas ai já não seria no momento pré-competitivo).

      Mesmo que o método ainda seja recente, estão vindo vários estudos sugerindo outras aplicações para ele em todos os cenários, e isso eu acho muito promissor no método.

      Se quiser alguns artigos sobre o método, é só falar que eu mando chefe!

      Vlw pelo comentário

      Abraços

    • Renee Caldas

      Blz Fábio,

      Que massa essa aplicação cara, com menor fadiga manter os níveis de força.

      Eu vou ver se pego um tempo e vejo esses artigos pra me atualizar sobre isso.

      Abraço! Brigado

  • Renato Leite Junior

    Professores, poderiam passar a referência que apresenta a fórmula para calcular a pressão de restrição, de acordo com variáveis citadas no podcast (circunferência do braço, comprimento do braço, etc)? Obrigado. Abraço.

    • Renato Leite Junior

      Faltou o “por favor”, desculpem. Rs

    • Fabio Rocha de Lima

      Opa Renato. Blz?

      O artigo que comentei é esse aqui: JESSEE, Matthew B. et al. The influence of cuff width, sex, and race on arterial occlusion: implications for blood flow restriction research. Sports Medicine, v. 46, n. 6, p. 913-921, 2016.

      Qualquer dúvida que tenha é só mandar chefe!

      Abraços