Quais são os sites confiáveis?

Por Yuri Motoyama

Um problema que temos ao buscar informações na internet é a confiabilidade dos conteúdos. Vejo muitos alunos que estão começando a jornada acadêmica buscarem informações diretamente na barra de pesquisa do Google. A internet é uma ferramenta poderosíssima para se adquirir informações sobre qualquer tema (uma vez eu procurei como passar massa corrida na parede, rs).

Só que fica uma pergunta: Quais são os sites confiáveis?

Não vou falar os sites confiáveis, porém vou te contar uma história que você vai entender onde eu quero chegar.

Me lembro de um dos primeiros encontros do grupo de estudos coordenado pelo professor Dr. Paulo Azevedo – que hoje tenho o prazer ter como orientador e me ensinou muito do que vou comentar aqui. No primeiro encontro do grupo haviam mais de 50 pessoas. Me lembro que ele havia selecionado um artigo aleatório  e em português para todos lerem. Eu li e fiquei maravilhado com os procedimentos metodológicos, análises estatísticas e forma como o artigo era redigido. Pensei:

– Esses artigos representam a nata da ciência! Aqui estão as “verdadeiras verdades”!

Foi aí que eu caí do cavalo…

Durante esse encontro, o professor começou a ler o artigo parte por parte, junto com o grupo. Em cada trecho, em cada análise, ele começava a encontrar furos metodológicos. O curioso era que o artigo havia sido selecionado aleatoriamente e todos (inclusive o professor) haviam lido esse artigo pela primeira vez.

Como poderia um artigo ser totalmente “cornetado” (termo que utilizamos quando vamos criticar alguma coisa, rs) e ter seus conceitos questionados, sendo que a primeira vez que eu li aquilo eu já incorporei aqui como a verdade absoluta? Tem alguma coisa errada ai…

Bom, o resultado foi que no final do encontro eu já estava com 15 carrapatos atrás da orelha!

Isso foi um grande choque no meu processo como “consumidor de ciência”, pois no meu mundo, os artigos eram papéis inacessíveis, escritos em códigos, redigido por elfos de outra dimensão e guardados em locais secretos onde somente os iniciados (clã dos iniciados nos mecanismos de busca Bireme ou Pubmed, rs) conseguiam acesso.

Tópicos que eu considero importantes no nosso processo de formação e construção de um pensamento crítico.

  1. Na nossa formação como profissionais temos dois caminhos. Ou nós aprendemos a aprender ou aprendemos a repetir o que o professor dita.
  2. Quantos artigos você leu durante sua graduação. Eu não li NENHUM! Toda minha informação vinha de livros. Será que seu professor se atualizava para dar suas aulas ou ele também repetia o que seu professor ditava?
  3. Aí você pode me falar: “mas os livros são escritos com base em diversos artigos. Basta olhar na bibliografia.” Correto! Porém, esse processo de edição, finalização, correção e publicação do livro pode demorar até 4 anos. Quando você pega um livro geralmente tem 4 anos de informações novas que não estão nesse livro e que poderiam até mudar alguns conceitos. Por isso que saem as edições com correções.
  4. Onde você aprendeu a buscar informações para aperfeiçoar sua forma de trabalhar? Livros? Google? Boa Forma? Bem estar? Sua fonte é realmente confiável?

Deixo aqui um alerta, CUIDADO COM OS TEXTOS QUE CONSOMEM! Desenvolvam o senso crítico (que é diferente de ser chato) e o autodidatismo. Mesmo a ciência, que é a forma de observar o mundo mais comprometida em eliminar vieses é composta de verdades impermanentes. Imaginem então as outras fontes que em estão mais preocupadas em publicidade ($$) do que com conteúdo. E infelizmente, por aí tem muita gente querendo falar besteira somente para ter audiência.

Gosta desse debate sobre as formas de conhecer o mundo que a humanidade desenvolveu? Então clique aqui e ouça esse episódio ou clique aqui e leia essa matéria.

Refletindo um pouco sobre o texto vemos que não precisaria existir uma lista de sites confiáveis e sim um desenvolvimento de um senso crítico com relação ao consumo de informações. Uma dúvida que tenho é: será que todos os profissionais da área da saúde estão acostumados a consumir ciência de fontes confiáveis?

Ahhh…e sabe aquele grupo com mais de 50 pessoas que eu comentei no começo? No mês seguinte haviam apenas 5.


  • Yuri Motoyama

    ok

  • Lucas Sanches

    Gostei da postagem! Somente gostaria de reforçar o quanto os educadores físicos atualmente seguem cegamente muitos sites na internet e pela facilidade acabam substituindo blogs de marombeiros por livros.

    • Yuri Motoyama

      É isso aí Lucas! Também faço essa observação pelo que vejo na internet. Muitas é preferível pegar uma receita de bolo pronta do que pesquisar e pensar sobre “melhoramentos da receita”. Abraço e valeu pelo comentário!