Sarcopenia: um problema que já tem solução!

Por Yuri Motoyama

Muito de nós ao procurarmos uma academia para realizar um treinamento de força não paramos para pensar nas dezenas de benefícios associados aquela atividade. Atualmente eu sou um grande defensor do treinamento de força para promoção de saúde (pensando em saúde de forma abrangente). A sarcopenia é o nome dado a perda de massa muscular que pode acontecer pelo envelhecimento ou algum processo de perda de função muscular.

Sabemos que a saúde está estritamente ligada a nossa função muscular. Nós iremos perceber isso quando em algum momento não tivermos força para carregar uma encomenda mais pesada para dentro de casa ou quando precisarmos de ajuda para levantar do vaso sanitário (isso é frequente na terceira idade). A sarcopenia é um problema de escala mundial que afeta diretamente a economia. Em 2000 os EUA gastaram 18,5 bilhões de dólares com esse tipo de tratamento.

Como diagnosticar a sarcopenia?

Foi criado um algorítimo que considera variáveis como velocidade de marcha, força muscular (através de um teste de preensão manual) e medidas da quantidade de massa muscular. Esse algoritmo realiza uma sequência de testes associados a velocidade de marcha como apresentado na figura abaixo:

sarcopenia fig
Algoritmo sugerido pela European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP) para diagnosticar sarcopenia

Formas de tratamento para sarcopenia

Esse é um ponto importante que gostaria de chegar nesse post. Vamos imaginar somente o exemplo da sarcopenia. Estamos falando de um problema relacionado a um estilo de vida sedentário e que pode piorar muito com o envelhecimento. Esse mesmo problema gera um custo altíssimo para o governo, principalmente em países que tem um número maior de idosos. Agora isso tudo poderia ser facilmente evitado com uma política de incentivo a atividade física e com custos baixíssimos para o governo. Será que é mais caro para um governo custear medicamentos para todos os idosos do que “pagar” para profissionais de educação física cuidarem de grandes grupos em estratégias de intervenção física?

Vamos ver as formas de tratamento da sarcopenia:

  1. Dieta: sabemos que a quantidade de ingestão alimentar diminui com o envelhecimento. Grande parte dessa perda “natural” de massa muscular é devido um déficit nutricional relacionado a proteínas, vitamina D e antioxidantes. Aminoácidos específicos (como a leucina) são fontes importantes para a estimulação de vias de sinalização para síntese proteica.
  2. Medicação: em alguns casos pessoas que desenvolvem sarcopenia não podem realizar exercícios físicos e precisam utilizar drogas para controlar a perda de massa magra. Muitas tecnologias estão sendo desenvolvidas para criar medicamentos que previnam essa perda de músculos, porém essa ainda é uma área em desenvolvimento. Substâncias que são utilizadas são os hormônios. O Hormônio de Crescimento (GH) parece ser uma boa estratégia, porém ainda não está claro quais seus efeitos adversos a saúde. Outra substância é a testosterona, que também apresenta ótimos efeitos no controle da massa muscular, porém  associada a muitos eventos cardiovasculares adversos .
  3. Exercício físico: o treinamento com resistência progressivo (a famosa musculação) é estratégia de tratamento mais utilizada. Além de ser de baixíssimo custo, apresenta ótimos resultados no controle da massa muscular. Treinamentos com frequências de 2 a 3x por semana já apresentam efeitos positivos na avaliação de velocidade de marcha. O treinamento aeróbio, flexibilidade e exercícios funcionais também são utilizados no tratamento da sarcopenia. Entretanto, de forma não surpreendente o treinamento aeróbio parece não apresentar efeitos no combate a sarcopenia.
Sabia que a creatina está sendo utilizada como estratégia para o combate do envelhecimento? Não! Então clique aqui e leia esse post!

Mais barato prevenir do que remediar

Na figura abaixo (retirada do artigo original) podemos ver o comportamento da quantidade de massa muscular com o passar dos anos.

sarcopenia fig 2

Podemos ver que a entrada da fase adulta já é um momento onde a atividade física, principalmente a musculação, já deveria ser incluída como forma de intervenção voltada para a saúde da população. Com o exercício temos uma alta taxa de aderência e muitos benefícios associados. Associado com uma boa intervenção dietética podemos não precisar gastar um centavo com medicamentos para o controle da massa magra. Tudo isso poderia ser responsabilidade dos profissionais de Educação Física (assim como estratégias para controle e prevenção de diabetes, hipertensão, dislipidemias, etc). Por que os hospitais ainda estão cheios e as clinicas particulares tem filas?

Eu gosto de imaginar um futuro onde nossa profissão seria valorizada (monetariamente) e nossos serviços fizessem parte das estratégias básicas de promoção de saúde. Gosto de imaginar academias montadas dentro de hospitais ou até em unidades espalhadas pela cidade como parte de um programa de saúde pública. O que me deixa receoso é quando esse futuro ira chegar? Será que desse grande volume de profissionais que se formam atualmente, a maioria será referência em suas especialidades? Será que eles terão especialidades? Será que os graduandos de hoje terão posições importantes em secretarias de saúde, ministérios ou comando de instituições governamentais?

Será que um dia as profissões da saúde serão encaradas (e valorizadas $$) da mesma maneira? Olhe os profissionais a sua volta e tente responder essas perguntas…


Referência

DODDS, Richard; SAYER, Avan Aihie. Sarcopenia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 58, n. 5, p. 464-469, 2014.

  • Marcos Roberto

    Excelente ponto de vista Yuri, sou estagiário em uma academia que presta diversos serviços voltados para promoção da saúde e conversando com colegas da área, ficamos preocupados com a quantidade de idosos que se matriculam nas academias onde o percentual é baixíssimo porém sempre digo que o futuro está em nossas mãos para mudar essa situação e solidificar a importância do profissional de educação física no Brasil. Grande abraço e parabéns pelo trabalho!

    • Yuri Motoyama

      Eu fico muito feliz em ler relatos como o seu Marcos! É muito bom saber que existem profissionais que tem esse tipo de visão e preocupação. É um trabalho de formiguinha e acho que se não desistirmos podemos construir um bom futuro para nossa profissão! Abração chefe e agradecido pelo comentário!

  • Willian Berserk

    poxa , quase pensei que tivesse sido escrito pelo yuri montoya do canal “EU ciência” kkkk legal o artigo vai ajudar no meu trabalho, obrigado!

    • Yuri Motoyama

      Tá de sacanagem que tem um yuri montoya???? kkkkkk quase meu homônimo!!! Abraço chefe!