Shakes para emagrecimento: bom para quem compra ou para quem vende? – Parte 2

Olá Pessoas!

Hoje daremos continuidade na temática: Shakes para perda de peso. (para você que não leu o primeiro post, clique aqui).  O post de hoje aborda a segunda “frente” em que os shakes causam redução de peso e, consequentemente, deixam as pessoas felizes ao subir na balança: a redução de glicogênio hepático e muscular!

Mas como os shakes para emagrecimento podem causar alterações no meu fígado e músculos?

Vamos entender melhor nesse exemplo: Certo dia Mariazinha decidiu que queria realizar mudanças em sua vida, estava com sobrepeso e incomodada com a sua situação. Uma amiga, então, a recomenda os shakes emagrecedores superpotentes, com a promessa de perder 15kg em 2 semanas!! Oras, como já diz o ditado “em terra de cego, quem tem um olho é rei!”. Mariazinha então chega ao “espaço emagrecedor” e recebe algumas opções de consumo, dentre elas estão: 1) Consumo de chás (preto, verde, etc); 2) Consumo de termogênicos e 3) Consumo de Shakes proteicos.

Mariazinha foi então instruída pela blogueira fitness para substituir duas refeições principais pelo super shake (Nem vou discutir a fundo a problematização de categorizar algumas refeições como principais e outras não, sendo que todas tem igual importância) e nos outros horários fazer a ingestão de chás (o post 1 explica o efeito adverso desse consumo de chás).

Vamos aos cálculos então: Mariazinha escolheu substituir o almoço e o jantar pelo shake superpoderoso, então tanto no almoço quanto no jantar teve um consumo de 210 kcal. Mas como a ideia do post não é somente discutir calorias e sim NUTRIÇÃO vamos detalhar esse consumo colocando a tabela nutricional da refeição da Mariazinha (tanto no almoço quanto no jantar).

shakes tabela nutricional

Observem que destaquei alguns pontos, é exatamente neles que iremos focar:

  • Calorias: o “almoço e jantar” de Mariazinha agora têm 210 kcal cada, o que representa ao longo do dia uma diminuição de 780 kcal!! NÃO É FANTÁSTICO?! MARIAZINHA CONSOME OS SHAKES E DIMINUI 780 kcal EM SEU DIA SOMENTE CONTANDO ESSAS REFEIÇÕES! No site da empresa eles explicam que uma refeição principal tem em média 600 kcal, ou seja: 610 – 210 kcal = saldo negativo de 390 kcal, isso multiplicado por almoço e jantar = 780 kcal, entenderam o cálculo? (1). Vou pedir para guardarem essa informação sobre déficit energético exacerbado pois será tema do próximo post, no qual vou mostrar a relação com a secreção hormonal ok ?!
  • Carboidratos e Proteínas: Mariazinha teve, além de um consumo energético extremamente baixo, um consumo de carboidratos baixo, deixando seus estoques de glicogênio baixo, consequentemente ela perdeu água junto (lembrem-se que cada grama de carboidrato estocado contém 2,4g de água), resultado disso? Peso a menos na balança! Mas isso não significa que ela oxidou gorduras hein ?! Não confundam!!

Mas não bastasse isso, tem um detalhe mais importante: a qualidade desses dois macronutrientes!! E para explicar a qualidade, nada melhor que a boa e velha lista de ingredientes não ?!

shakes tabela nutricional1

Reparem que o shake contém como primeiros ingredientes a proteína isolada de soja e a frutose. Oras, agora você virou vegetariana(o) e não sabia!!! É isso mesmo!!!! Diariamente você está substituindo uma proteína animal de alto valor biológico (rica em aminoácidos que seu corpo não consegue produzir) por uma proteína vegetal com um valor biológico inferior! Em um estudo de 2012, Louise Burke (uma das maiores cientistas na área esportiva) e colaboradores demonstraram a diferença em relação ao valor biológico do consumo de alimentos sólidos (carnes e ovos) com uma bebida contendo “proteína” de soja (2). Não bastasse a qualidade da proteína, ainda temos a diferença no tempo de saciedade entre uma refeição sólida x líquida, no qual a primeira vai ter um tempo de esvaziamento gástrico menor, consequentemente causando uma maior saciedade (3, 4, 5). Ainda temos a diferença dos micronutrientes e a biodisponibilidade deles nas refeições (mas isso vou pedir para esperarem que será tema de próximos posts sobre os shakes)

E por último temos o carboidrato do shake: frutose! (em maior concentração do que a fibra de aveia, por exemplo). Podemos notar que a quantidade de fibras é muito baixa, pois na tabela nutricional está marcado como 2,5g. Fiz um cálculo de uma refeição bem “simples” em um programa de cálculo nutricional, esta refeição conta com: 1 colher de arroz integral + 1 concha de feijão carioca + 1 filé de frango grelhado médio + 2 colheres de sopa de chuchu cozido + alface e tomate + 1 colher de sopa de azeite extra virgem (Nada difícil né ?! Refeição bem simples de se elaborar)… Adivinhem qual a quantidade de calorias da refeição? 400 kcal! E mais: 8,6g de Fibras!! Sem contar a quantidade proteica bem maior, causando uma maior saciedade e fazendo com que você não sinta vontade de atacar a geladeira por um tempo maior. Entenderam a diferença? Além do mais, o shake é líquido. A probabilidade de você ingerir toda aquela frutose e essa quantidade de carboidratos simples ser armazenado em tecido adiposo é alto devido ao pico de insulina que isso irá acarretar!!

Agora reflitam em tudo que acabaram de ler e me respondam: Pensar nutricionalmente em uma refeição é fácil?? Será que um simples shake atende mesmo às demandas do nosso corpo?

No próximo post iremos discutir mais aprofundado o déficit energético exacerbado e as complicações que isso gera em nosso metabolismo.

Abraços Pessoal!

Facebook: Jean Silvestre

Instagram: @nutrijeansilvestre

Email: j.csilvestre@yahoo.com.br

Referência

1 – Empresa promotora de shakes.

2 – BURKE, L. M. et al. Effetcs of intake of different dietary protein sources on plasma amino acid profiles at rest and after exercise. Sports Nutrition and Exercise Metabolism, v. 22, p. 452-62, 2012.

3 – TIEKEN, S. M. et al. Effects of solid versus liquid meal-replacement products of similar energy content on hunger, satiety, and appetite-regulating hormones in older adults. Horm. Metab. Res., v. 39, n. 5, p. 389-94, 2007.

4 – PAN, A.; HU, F. B. Effects of carbohydrates on satiety: differences between liquid and solid food, v. 14, n. 4, p. 385-90, 2011.

5 – STULL, A. J. et al. Liquid and solid meal replacement products differentially affect potprandial appetite and food intake in older adults. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 108, n. 7, p. 1226-30, 2008.