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Podcast #C4 – Fisiologia Humana Integrada (Silverthorn) – Capítulo 4: Metabolismo

Ola pessoas!

Vamos para mais um podcast sobre Fisiologia Humana! Dando continuidade ao livro da professora Silverthorn, vamos caminhar para o capítulo 4 que vai falar sobre metabolismo. Para esse jornada temos os professores Yuri Motoyama, Gilmar Esteves e o retorno do nosso triatleta Douglas Jandoza!

Nesse programa oferecido pela Artmed Editora, vamos entender um pouco sobre o que é energia no corpo humano; como funcionam as reações químicas biológicas e os tão famosos metabolismo aeróbio e anaeróbio! Fones de ouvido em mãos, copinho de café por perto e vamos estudar!

Em relação ao desconto no livro de fisiologia Silverthorn, para nossos ouvintes a Artmed Editora está dando 30% de desconto na aquisição do livro usando o cupom: QUATRODE15 no site da artmed:  http://loja.grupoa.com.br/livros/fisiologia/fisiologia-humana/9788582714034 

Referencia

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Artmed Editora, 2017.

Podcast #61 – Exercício Físico e Imunologia

Olá pessoas!

Hoje vamos conversar sobre exercício físico e imunologia. Provavelmente muitos de vocês já ouviram a expressão “nosso corpo morre quando treinamos”. Será que isso é verdade? Que o exercício físico pode influenciar na sua imunidade isso já é conhecido, agora como isso acontece?

Para esse bate papo contamos com a presença do professor Yuri Motoyama, o especialista em imunologia (e ele estava guardando segredo) Fábio Rocha e o cara que já até experimentou uma rabdomiólise para esse cast Douglas Jandoza!

Links citados no podcast

Filme Osmose Jones

Podcast que aborda um pouco do tema estresse oxidativo;

Referências

LEANDRO, Carol et al. Exercício físico e sistema imunológico: mecanismos e integrações. Revista portuguesa de ciências do desporto, v. 2, n. 5, p. 80-90, 2002.

LEANDRO, Carol Góis et al. Mecanismos adaptativos do sistema imunológico em resposta ao treinamento físico. Rev Bras Med Esporte, v. 13, n. 5, p. 343-348, 2007.

KRÜGER, Karsten; MOOREN, Frank C. Exercise-induced leukocyte apoptosis. Exerc Immunol Rev, v. 20, n. 20, p. 117-134, 2014.

 

Treinamento Concorrente: Entendendo essa estratégia de treino – Parte 2

Por Fabio Rocha

Como no texto passado sobre treinamento concorrente nós discutimos sobre as variáveis moleculares que explicam a interferência ocasionada pelo treinamento concorrente, hoje iremos discorrer sobre suas adaptações e verificar um modelo que a literatura sugere para trabalhar com esse tipo de estratégia. Sabia que essa é uma estratégia que pode ser usada no treinamento?  Vamos ao texto!

Se você não lembra ou não leu o texto anterior que complementa essa postagem, clique aqui depois retome a leitura … é rapidinho!

Já são bem descritas as adaptações que o treinamento de força e o de resistência cardiorrespiratória provocam quando executados de maneira isolada. Essas adaptações podem ser dividias em periféricas (na musculatura) e centrais (fora da musculatura). No treinamento de força, podemos citar como adaptações centrais o aumento no recrutamento de unidades motoras, enquanto que o aumento na área de secção transversa muscular ocasionada pela elevação de síntese protéica é considerada como sendo de ordem periférica (DOCHERTY e SPORER, 2000). Já no treinamento de resistência cardiorrespiratória, as adaptações centrais corresponderiam as melhoras no sistema cardiorrespiratório (melhora na captação de oxigênio), enquanto que as adaptações periféricas estariam relacionadas com mudanças no interior da musculatura (e.g., biogênese mitocondrial) ( DOCHERTY e SPORER, 2000).

OK Fabio, mas e se executarmos os dois tipos de treinamento em conjunto e ainda variar a ordem de execução destes, o que é melhor?

O estudo de ROSA et al. (2015) comparou o efeito agudo que diferentes modos de execução de treinamento concorrente teria sobre parâmetros hormonais (testosterona e GH) de 14 homens com idade de 24.7 ± 5.1 anos. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: Um grupo que executou o treinamento de resistência cardiorrespiratória seguido do treinamento de força (G1) e o outro que executou o treinamento de força seguido do treinamento de resistência cardiorrespiratória (G2). O treinamento de esteira consistiu de treino intervalado, sendo 2 minutos com uma corrida correspondente a 2 mmol • L−1 de lactato alternando com 1 minuto de velocidade correspondente a 4 mmol • L−1. Já o treinamento de força consistiu de 3 séries de 10 repetições a 70% de 1RM. Os autores constaram que o G1 apresentou aumentos significativos para testosterona após a sessão, enquanto que no G2 não foi possível observar essa alteração. Para concentrações séricas de GH, houve aumentos significativos nos dois grupos após o exercício, sem diferenças significativas entre eles.

Existe um modelo presente na literatura que sugere que a interferência está relacionada com a intensidade dos dois tipos de treinamento. Esse modelo foi criado por DOCHERTY e SPORER (2000). Estes autores analisaram as diferentes intensidades que os estudos da revisão utilizaram, podendo observar que as adaptações promovidas pelo treinamento estão diretamente relacionadas com a intensidade do mesmo. Dessa maneira, os autores sugerem que se um indivíduo tem por objetivo as adaptações periféricas no treinamento de resistência cardiorrespiratória, por exemplo, não pode buscar o mesmo objetivo para o treinamento de força, e vice-versa. Caso isso aconteça, o indivíduo estaria exercitando-se na zona de interferência, e as adaptações que o mesmo almeja não serão alcançadas de forma eficiente, devendo este exercitar-se em zonas diferentes (Periféricas e Centrais) para cada tipo de treinamento o que diminuiria a interferência ocasionada pelos dois tipos de práticas. Esse modelo é ilustrado na figura abaixo.

Modelo de zona de interferência de DOCHERTY e SPORER (2000)
Modelo de zona de interferência de DOCHERTY e SPORER (2000)

A compreensão desse modelo nos ajuda a entender melhor as diferentes adaptações ocasionadas pelo treinamento. Entretanto, deve-se atentar à alguns pontos deste:

  1. Como o modelo é pautado primordialmente na intensidade, as demais variáveis do treinamento que englobariam a carga de treinamento (volume, intensidade e densidade) não são consideradas
  2. Através de estudos atuais (publicados ainda em 2016) sabe-se que treinamentos com elevadas repetições promovem adaptações similares para hipertrofia quando comparado ao que é sugerido para esse objetivo (8-12 RM). O modelo já mostrava esse pensamento lá em 2000, colocando em questionamento as sugestões atuais para o treinamento com objetivos de hipertrofia.
  3. O modelo não cita a ordem que os exercícios devem ser executados (apesar de alguns dados da literatura ainda serem divergentes)
  4. O que se sabe atualmente sobre o treinamento de resistência cardiorrespiratória, é que exercícios executados em intensidades superiores a 85% do VO2máx também são capazes de promover adaptações periféricas
  5. A partir desse modelo, pode-se compreender a diferença entre treinamento combinado e concorrente

“Poxa, então o treinamento concorrente não serve para nada?”. Vou deixar um artigo como sugestão de leitura para quem quiser se aprofundar nesse tema e saber os diferentes benefícios que o treinamento concorrente pode ter. Se algumas interrrogações brotaram na sua cabeça o objetivo do texto foi atingido.

Até a próxima e não deixe de contribuir com as discussões aqui embaixo nos comentários!

Referências

DOCHERTY, D.; SPORER, B. A proposed model for examining the interference phenomenon between concurrent aerobic and strength training. Sports Medicine, v. 30, n. 6, p. 385-394, 2000.

ROSA, C.; VILAÇA-ALVES, J.; FERNANDES, H. M.; SAAVEDRA, F. J.; PINTO, R. S.; REIS, V. M. Order effects of combined strength and endurance training on testosterone, cortisol, growth hormone, and IGF-1 binding protein 3 in concurrently trained men. The Journal of Strength & Conditioning Research, v. 29, n. 1, p. 74-79, 2015.

Sugestão de leitura:

PAULO, A. C.; DE SOUZA, E. O.; LAURENTINO, G.;UGRINOWITSCH, C.; TRICOLI, V. Efeito do treinamento concorrente no desenvolvimento da força motora e da resistência aeróbia. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v. 4, n. 4, 2009.

Por que uma pessoa se cansa em um exercício com intensidade correspondente a máxima fase estável de lactato?

Por Yuri Motoyama

Um dos pontos que inflama minha curiosidade com relação a fisiologia do exercício é a fadiga muscular. Se procurar aqui pelo site existem várias postagens sobre esse tema. Existem modelos tradicionais que explicam a fadiga por mecanismos “centrais” (coração) e mecanismos periféricos (musculatura). A literatura científica contemporânea já coloca um ingrediente nessa mistura que é a ação do sistema nervoso central no aparecimento da fadiga. Então, atualmente a palavra mecanismo central de fadiga está relacionada ao sistema nervoso central e fadiga periférica está relacionada a todo o restante (musculatura, concentração de lactato, sistema circulatório, densidade mitocondrial, etc).

Se você ainda tem dúvidas sobre a diferença entre “ácido lático” e lactato clique aqui e leia esse post!

Máxima Fase Estável de Lactato (MFEL) e fadiga

A máxima fase estável de lactato é um indicador fisiológico bem interessante. “Teoricamente” um exercício com sua intensidade estabilizada pela MFEL teria que ser realizado por tempo indeterminado. Imagine a produção de energia vinda do metabolismo da glicose, sabemos que quando a intensidade da atividade está acima do segundo ponto de transição metabólica (famoso L2) a atividade está no domínio pesado e consequentemente (se houver incremento) domínio severo. Nessa situação, se observarmos o comportamento do lactato na corrente sanguínea, ele aumentaria constantemente caso a intensidade continue a mesma.

Agora se realizássemos essa mesma atividade exatamente no segundo ponto de transição metabólica (que estamos chamando de máxima fase estável de lactato) observaríamos a produção de lactato, porém com uma taxa de remoção equivalente. Então, teríamos uma atividade com uma intensidade máxima (sem entrar no domínio pesado) metabolicamente estável. Por isso que eu utilizei a palavra “teoricamente” para definir que nesse ponto a fadiga não poderia ocorrer por conta da intensidade, pelo aumento da acidose ou por fatores recorrentes ao metabolismo.

O que limitaria um exercício na máxima fase estável de lactato

Imaginando que estamos considerando uma intensidade metabolicamente estável, fica a pergunta: qual fator poderia interromper uma atividade nessas condições? E antes que você levante a questão sobre os estoques de substratos energéticos, os autores apontaram em uma outra revisão que no momento que ocorre a fadiga os estoques de ATP e glicogênio estão preservados em torno de 50 a 60%.

Dessa forma, os autores do trabalho que estou comentando nesse post propuseram a seguinte condição experimental. Realizaram um exercício incremental máximo e, em outra condição, um exercício na MFEL até a exaustão voluntária dos participantes. Veja os resultados dos testes máximos:

lactato fig 1

Agora vamos pensar nos testes realizados na máxima fase de lactato, os participantes se exercitaram em média 55 minutos (desvio padrão de 8,5 min). Eles interromperam o teste com a frequência cardíaca final de 175 BPM; o VO2 2,8913 l/min; o VCO2 2,7586 l/min; o quociente respiratório 0,97; e a ventilação 85,4 l/min. Compare esses valores com os resultados dos testes máximos acima. Eles poderiam ter ido mais longe não?

Agora dê uma olhada nos outros resultados do teste da MFEL:

lactato fig 2

Conclusão

Podemos parar para pensar em muitos aspectos sobre esse artigo. Como eu costumo classificar, um artigo bom é aquele que levanta mais questionamentos do que explicações. Podemos ver que nenhum fator analisado poderia explicar a fadiga, a não ser o aumento da concentração de amônia que foi um ponto que ficou aberto em discussão no artigo. Acho esse artigo um exercício para pensarmos em quais pontos poderiam explicar a fadiga, como poderíamos montar um delineamento ou observar uma variável para explicar esse fenômeno. Sabemos que a fadiga é multifatorial e seu estudo complica ainda mais pelo fato de termos um forte componente central a controlando. Convido vocês a lerem o artigo completo e deixarem aqui nos comentários sua opinião.

Se você se interessou pelo conceito de fadiga explicado pela interação do corpo com o sistema nervoso central clique aqui e leia esse post!
Se quiser ouvir um podcast sobre mecanismos de fadiga clique aqui.


Referência

BARON, Bertrand et al. Why does exercise terminate at the maximal lactate steady state intensity?. British journal of sports medicine, v. 42, n. 10, p. 828-833, 2008.

Tenho que usar algum suplemento para correr provas de 10km?

Por Gilmar Esteves

Este ano como em muitos outros participei da prova dos 10km da Tribuna, uma prova tradicional da cidade de Santos. Durante o percurso percebi que alguns participantes, não atletas de alto rendimento, estavam utilizando suplemento (carboidrato em gel) já a partir do 3Km e 4Km de prova (por volta de 20 minutos). E não foram poucas pessoas! Será que esse suplemento a base de carboidrato seria necessária já neste tempo de prova? E onde estes “atletas recreativos” estão se baseando, de quem ou de onde vem esta informação? Revistas científicas? Duvido! rs.

Por que não precisamos de suplemento para provas até 10km?

Vamos supor que as pessoas já venham alimentadas para realizar a prova – isso seria o ideal – mas não vamos discutir neste momento este aspecto. Neste tipo de prova longa e de intensidade moderada a alta com característica aeróbia, nosso corpo utiliza como fonte principal de energia o carboidrato. Temos uma reserva de glicogênio muscular e hepático que continuam fornecendo o carboidrato necessário para produção de energia por um longo período sem prejudicar o desempenho físico. Um estudo interessante verificou a causa da fadiga em atletas de ciclismo se exercitando na intensidade da máxima fase estável de lactato, o tempo de exaustão foi em média 55 minutos, e mesmo com a instalação da fadiga os indivíduos ainda tinham estoques de glicogênio que seriam capazes de fornecer energia para prosseguir a atividade (BARON et al., 2008).

Outra questão que podemos discutir é quanto ao efeito placebo da ingestão de carboidrato, em um estudo de Clark e colaboradores (2000) foi verificado esta relação onde atletas realizaram um exercício de ciclismo máximo com tempo médio de 58 minutos, os pesquisadores verificaram que quando os indivíduos tomavam água acreditando que haviam ingerido suplemento de carboidrato tiveram um desempenho melhor do que quando realmente tomaram uma bebida a base de carboidrato. Em um segundo momento, os indivíduos foram informados que beberiam água com um adoçante não calórico (sem carboidrato), entretanto metade deles recebeu bebida contendo suplemento de carboidrato sem saberem, e o resultado foi que não houve diferença de desempenho para ambos.

Se você gosta de correr e tem curiosidade sobre os tipos de pisada, clique aqui e leia esse post.

E agora? Utilizar suplemento ou não!?

Analisando estes estudos podemos observar que ingerir o suplemento de carboidrato com 20 minutos de prova não é necessário. Então, a partir de que momento devemos ingerir carboidrato visando não prejudicar o desempenho? A grande maioria dos estudos mostra que atividades de longa duração e que ultrapassem em torno de 1h e 1h15 de duração, neste momento seria interessante começar a ingerir suplemento a base de carboidrato.

Portanto não gaste seu dinheiro ou seu tempo tentado fazer algo que não vai favorecer a melhora de seu desempenho. E o mais indicado, procure sempre um profissional da área da Nutrição para prescrever e planejar a utilização de qualquer suplemento.

Abraços!


Referências

BARON, B.; NOAKES, T. D.; DEKERLE, J.; MOULLAN, F.; ROBIN, S.; MATRAN, R.; PELAYO, P. Why does exercise terminate at the maximal lactate steady state intensity? Br J Sports Med, v. 42, n. 10, p. 828-833,  2008.

CLARK, V. R.; HOPKINS, W. G.; HAWLEY, J. A.; BURKE, L. M. Placebo effect of carbohydrate feedings during a 40-km cycling time trial. Medicine and science in sports and exercise, v. 32, n. 9, p. 1642-1647,  2000.