Arquivo da tag: Anaeróbio

Podcast #C4 – Fisiologia Humana Integrada (Silverthorn) – Capítulo 4: Metabolismo

Ola pessoas!

Vamos para mais um podcast sobre Fisiologia Humana! Dando continuidade ao livro da professora Silverthorn, vamos caminhar para o capítulo 4 que vai falar sobre metabolismo. Para esse jornada temos os professores Yuri Motoyama, Gilmar Esteves e o retorno do nosso triatleta Douglas Jandoza!

Nesse programa oferecido pela Artmed Editora, vamos entender um pouco sobre o que é energia no corpo humano; como funcionam as reações químicas biológicas e os tão famosos metabolismo aeróbio e anaeróbio! Fones de ouvido em mãos, copinho de café por perto e vamos estudar!

Em relação ao desconto no livro de fisiologia Silverthorn, para nossos ouvintes a Artmed Editora está dando 30% de desconto na aquisição do livro usando o cupom: QUATRODE15 no site da artmed:  http://loja.grupoa.com.br/livros/fisiologia/fisiologia-humana/9788582714034 

Referencia

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Artmed Editora, 2017.

Por que uma pessoa se cansa em um exercício com intensidade correspondente a máxima fase estável de lactato?

Por Yuri Motoyama

Um dos pontos que inflama minha curiosidade com relação a fisiologia do exercício é a fadiga muscular. Se procurar aqui pelo site existem várias postagens sobre esse tema. Existem modelos tradicionais que explicam a fadiga por mecanismos “centrais” (coração) e mecanismos periféricos (musculatura). A literatura científica contemporânea já coloca um ingrediente nessa mistura que é a ação do sistema nervoso central no aparecimento da fadiga. Então, atualmente a palavra mecanismo central de fadiga está relacionada ao sistema nervoso central e fadiga periférica está relacionada a todo o restante (musculatura, concentração de lactato, sistema circulatório, densidade mitocondrial, etc).

Se você ainda tem dúvidas sobre a diferença entre “ácido lático” e lactato clique aqui e leia esse post!

Máxima Fase Estável de Lactato (MFEL) e fadiga

A máxima fase estável de lactato é um indicador fisiológico bem interessante. “Teoricamente” um exercício com sua intensidade estabilizada pela MFEL teria que ser realizado por tempo indeterminado. Imagine a produção de energia vinda do metabolismo da glicose, sabemos que quando a intensidade da atividade está acima do segundo ponto de transição metabólica (famoso L2) a atividade está no domínio pesado e consequentemente (se houver incremento) domínio severo. Nessa situação, se observarmos o comportamento do lactato na corrente sanguínea, ele aumentaria constantemente caso a intensidade continue a mesma.

Agora se realizássemos essa mesma atividade exatamente no segundo ponto de transição metabólica (que estamos chamando de máxima fase estável de lactato) observaríamos a produção de lactato, porém com uma taxa de remoção equivalente. Então, teríamos uma atividade com uma intensidade máxima (sem entrar no domínio pesado) metabolicamente estável. Por isso que eu utilizei a palavra “teoricamente” para definir que nesse ponto a fadiga não poderia ocorrer por conta da intensidade, pelo aumento da acidose ou por fatores recorrentes ao metabolismo.

O que limitaria um exercício na máxima fase estável de lactato

Imaginando que estamos considerando uma intensidade metabolicamente estável, fica a pergunta: qual fator poderia interromper uma atividade nessas condições? E antes que você levante a questão sobre os estoques de substratos energéticos, os autores apontaram em uma outra revisão que no momento que ocorre a fadiga os estoques de ATP e glicogênio estão preservados em torno de 50 a 60%.

Dessa forma, os autores do trabalho que estou comentando nesse post propuseram a seguinte condição experimental. Realizaram um exercício incremental máximo e, em outra condição, um exercício na MFEL até a exaustão voluntária dos participantes. Veja os resultados dos testes máximos:

lactato fig 1

Agora vamos pensar nos testes realizados na máxima fase de lactato, os participantes se exercitaram em média 55 minutos (desvio padrão de 8,5 min). Eles interromperam o teste com a frequência cardíaca final de 175 BPM; o VO2 2,8913 l/min; o VCO2 2,7586 l/min; o quociente respiratório 0,97; e a ventilação 85,4 l/min. Compare esses valores com os resultados dos testes máximos acima. Eles poderiam ter ido mais longe não?

Agora dê uma olhada nos outros resultados do teste da MFEL:

lactato fig 2

Conclusão

Podemos parar para pensar em muitos aspectos sobre esse artigo. Como eu costumo classificar, um artigo bom é aquele que levanta mais questionamentos do que explicações. Podemos ver que nenhum fator analisado poderia explicar a fadiga, a não ser o aumento da concentração de amônia que foi um ponto que ficou aberto em discussão no artigo. Acho esse artigo um exercício para pensarmos em quais pontos poderiam explicar a fadiga, como poderíamos montar um delineamento ou observar uma variável para explicar esse fenômeno. Sabemos que a fadiga é multifatorial e seu estudo complica ainda mais pelo fato de termos um forte componente central a controlando. Convido vocês a lerem o artigo completo e deixarem aqui nos comentários sua opinião.

Se você se interessou pelo conceito de fadiga explicado pela interação do corpo com o sistema nervoso central clique aqui e leia esse post!
Se quiser ouvir um podcast sobre mecanismos de fadiga clique aqui.


Referência

BARON, Bertrand et al. Why does exercise terminate at the maximal lactate steady state intensity?. British journal of sports medicine, v. 42, n. 10, p. 828-833, 2008.