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Pesquisa com bebida verde faz pessoas correrem mais rápido, ou é tudo enganação?

Por Yuri Motoyama

Vamos voltar a falar um pouco de deception ! Se você não sabe o que é isso leia nossos posts sobre esse tema clicando aqui.  Mas de maneira resumida é uma forma de enganação. Quando uma pessoa manipula uma informação com a finalidade de induzir algum tipo de efeito. No caso do artigo em questão, a enganação era para as pessoas correrem mais rápido.

(me desculpe se você achou que o título da postagem também foi uma enganação, rs, isso é deception!)

Em um artigo publicado na European Journal of Sport Science, pesquisadores do departamento de Educação Física, Desporto e Motricidade Humana de Madrid ofereceram para os participantes água com um corante verde para tentar enganá-los e melhorar seu desempenho. Todos os 60 participantes realizaram uma corrida em pista de 200 metros para tentar alcançar o seu melhor tempo, esse seria o teste controle (também chamado de baseline).  Após isso, eles foram divididos em 3 grupos que iriam ingerir essa bebida verde 20 minutos antes do teste. A bebida era uma substância inócua (água com corante) e a única diferença entre os grupos era que eles tinham sugestões diferentes sobre a bebida:

  • Sugestão positiva: os participantes eram informados que aquela bebida tinha efeito positivo sobre seus desempenhos físicos;
  • Sugestão parcial: os participantes eram informados que a bebida podia ter efeito positivo ou não ter efeito nenhum;
  • Sugestão neutra: a sugestão era que a bebida não iria afetar sua performance.

O resultado foi interessante, ao receber a sugestão positiva os participantes tiveram suas performances melhoradas em 4,07 % e na sugestão parcial 1,88%. Quando a sugestão foi neutra não houve diferença entre o dia da bebida com a condição controle (baseline). A análise estatística utilizada também foi interessante pois além do famoso valor P, foi calculado o tamanho de efeito que seguiu a mesma ordem na quantificação de seus efeitos: maior efeito para a sugestão positiva e menor efeito para sugestão neutra.

Enganação, pode ser uma boa estratégia para treinamento?

Ainda existem muitos fatores obscuros que explicam essas alterações fisiológicas que fazem com que as pessoas superem seus limites sob condições de engano. Alguns trabalhos mostram até alterações no metabolismo (maior atividade anaeróbia) em trabalhos com esse modelo de enganação. Sabemos como a mente, ou aspectos psicológicos, podem influenciar positivamente ou negativamente no desempenho físico. O que ainda é complicado para a ciência é descobrir os caminhos neurais, bioquímicos e cognitivos que promovem essas mudanças. O artigo também comenta que podem existir pessoas mais responsivas a serem enganadas e isso também possa influenciar nos resultados em trabalhos que envolvam deception.

O que você acha? Dê uma lida no artigo e participe na discussão!

Referencia

DE LA VEGA, Ricardo et al. Induced beliefs about a fictive energy drink influences 200-m sprint performance. European journal of sport science, v. 17, n. 8, p. 1084-1089, 2017.

STONE, Mark et al. Effects of deception on exercise performance: implications for determinants of fatigue in humans. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 44, n. 3, p. 534-541, 2012.

Podcast #17 – Recursos Ergogênicos Psicológicos e Motivacionais no Treinamento

Recursos Ergogenicos Psicológicos e Motivacionais

Nesse podcast vamos ouvir um conteúdo bem curioso. Se você é atleta ou amador com certeza já pensou (ou utilizou) em alguma estratégia de suplementação para melhorar a performance. Agora eu vou te contar uma coisa, sabia que existem estratégias para melhorar a performance onde você pode ser enganado ou motivado a superar seus limites? Ouça esse episódio e fique sabendo como isso funciona.

Ah e saiba também porque você corre melhor na academia quando na esteira do lado aparece aquela aluna mais gata do horário…


Ajude na construção da próxima pauta respondendo a pesquisa ao lado!

Links citados no programa

Diane Van Deren a X-Men da corrida!

Clique aqui para ver o link da matéria do globo esporte.

Timothy Noakes, um dos pesquisadores contemporâneos do Modelo de Fadiga Central.

Twitter do professor Noakes @ProfTimNoakes

Referências

MORTON, R. Hugh. Deception by manipulating the clock calibration influences cycle ergometer endurance time in males. Journal of Science and Medicine in Sport, v. 12, n. 2, p. 332-337, 2009.

STONE, Mark et al. Effects of deception on exercise performance: implications for determinants of fatigue in humans. 2014.

WILLIAMS, Emily L. et al. Deception Studies Manipulating Centrally Acting Performance Modifiers: A Review. Medicine and science in sports and exercise, 2013.

WINCHESTER, Rachel et al. Observer effects on the rating of perceived exertion and affect during exercise in recreationally active males 1, 2.Perceptual and motor skills, v. 115, n. 1, p. 213-227, 2012.

Ciclismo: enganando os atletas eles pedalam mais!

Por Yuri Motoyama

Vamos conversar um pouco mais sobre o modelo de fadiga central ou famoso modelo governador central comentado aqui em outro post. Atualmente, muitos desses modelos são feitos com ciclismo pelo fato da bicicleta facilitar alguns procedimentos durantes os testes.

Uma pesquisa conduzida na universidade de Massey na Nova Zelândia, realizou um experimento muito interessante. Um grupo de ciclismo realizou 4 testes de 4.ooo metros em um ciclo-ergômetro. O primeiro teste foi para eles se habituarem a aparelhagem (eles utilizavam mascaras para análise dos gases expirados). No segundo teste chamado de baseline, os ciclistas tentariam alcançar seus recordes nos 4.000m. Na terceira e quarta tentativa os pesquisadores informaram aos ciclistas que eles iriam competir contra seu próprio recorde. Para que isso fosse visualizado, a bicicleta que eles utilizaramModelo avatar estava conectada a um tipo de jogo de videogame. Em uma tela, os ciclistas visualizavam um ciclista pedalando contra eles, esse ciclista era um avatar calibrado com o recorde deles no baseline.

O grande lance da pesquisa era que em uma das duas ultimas tentativas (a da quebra do recorde), os pesquisadores enganavam os ciclistas e calibravam o avatar a correr 2% a mais que os seus próprios recordes.

O resultado foi muito interessante, o fato de se criar uma competição contra o avatar fez com que seus próprios recordes fossem quebrados. E o mais interessante foi que quando eles competiram contra o avatar 2% mais rápido (sem saberem), eles quebraram seus recordes novamente!

A literatura científica sobre treinamento tem muitos dados a respeito sobre como os aspectos motivacionais podem interferir na fadiga (consequente na performance). A grande dúvida que fica no ar seria: quando paramos um exercício, realmente estamos impossibilitados de continuar? Por que paramos então?

A partir desse questionamento surgem vários outros como: será que as competições esportivas de alto nível são decididas pelos atletas melhores treinados? Ou seria vencida pelo atleta mais auto-motivável. O que determinaria o ouro?

E vamos conversando…


Referência:

Stone, Mark Robert, et al. “Effects of deception on exercise performance: implications for determinants of fatigue in humans.” Med Sci Sports Exerc44.3 (2012): 534-541.