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Podcast #81 – Educação Física Adaptada e inclusão no esporte – Entrevista com Ana Andrade

Olá pessoas! Nesse podcast vamos trazer uma convidada super especial para falar de um tema super relevante na promoção de saúde. Ana Andrade (e-mail, site ou Instagram) é uma super ativista da Educação Física na internet e tem uma experiência fantástica com esporte adaptado que ela compartilhou conosco nesses gostosos 65 minutos de programa. Para puxar esse bate papo temos os professores Yuri Motoyama e Renêe Caldas.

Fique sabendo como é feita a classificação funcional para atletas com deficiência no atletismo, o que é o Goalball e muito mais!

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Links citados no podast

Instituto Lucy Montoro;

Atleta Maria de Fátima da Fonseca treinando batida de cadeira;

Link com o material complementar sobre o tema do programa;

 

Por uma Educação além do Físico: relatos de um estagiário

Escrito por: Carlos Átila Lima dos Santos (Aluno do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal do Ceará – 3º semestre)
Orientação e revisão: Renêe de Caldas Honorato

Já tirou onda com o carinha ou menininha que não sabia jogar nada nas aulas? Não quis participar com medo de algum menino te machucar? Já ficou com raiva porque alguma menina queria participar do rachão e só iria atrapalhar? Pois é, pode acreditar, parece que tudo isso faz você se recordar de como foram as suas aulas de Educação Física não é mesmo? Infelizmente, apesar de estarmos em tempos mais “modernos”, as coisas ainda não mudaram muito nessas aulas.

Ai você se pergunta: “Como assim, faz 10 anos (20, 30…) que sai do Ensino Médio e as coisas continuam assim?”. É duro de ouvir, mas essas situações que vão de uma simples brincadeira para algo mais sério, como o bullying, ainda são comuns e remam contra a maré da enxurrada de informações que vemos ser veiculadas hoje na grande mídia. Será que a culpa é apenas dos alunos, que escutam falar na televisão sobre o tal do bullying ser algo ruim, mas mesmo assim continuam praticando? Será que eles realmente entendem a mensagem de tudo que é empurrado guela abaixo neles?

Inúmeras situações acontecem diariamente nas aulas de Educação Física escolar, cenário de diversos pontos positivos, mas que também não é difícil de se enxergar falas e atitudes no mínimo desagradáveis. O público das escolas é diversificado, principalmente na escola em que sou estagiário, então há uma variedade de cor, raça, classe social, religião e gênero, e é vantajoso para nós (futuros) professores ter uma vivência como essa, por fazer com que possamos ter uma possibilidade de aprender com essa mistura que o nosso Brasil proporciona.

No começo eu fiquei bastante assustado em ter que encarar alunos que tinham quase a minha idade, 19 anos, ou mais que ela (Já imaginou!? Eu ia nem ter voz em sala de aula por ser da idade deles). Entretanto, a minha maior surpresa foi enxergar a forma como os alunos se tratavam, pois com pouco tempo em sala de aula presenciei situações que, de alguma forma, eram agressivas, mas não porque houveram trocas de golpes físicos, mas por ferir muitos dos valores que em nossa sociedade acreditamos, divulgamos e que deveriam ser algo compreendido por todos.

 “Professor, o senhor fica deixando as meninas acabar com o nosso racha, elas eram pra varrer a quadra e não jogar com a gente…”

Fonte: Fala de um aluno dita dentro de quadra.

Essa fala que mencionei foi a que me deixou mais preocupado, apesar de outras falas dos alunos serem tão bárbaras quanto essa (Inclusive com apelo sexual), e é possível enxergar uma carga enorme de traços culturais de violência contra a mulher por dentro dessa fala preconceituosa, e com isso, a escola parece cada vez mais se tornar um local onde a “virilidade masculina” e a feminilidade são testadas ao extremo. Parece até absurdo, mas o fato de uma menina afirmar que vai entrar em quadra para jogar futsal é aterrorizante, mas por quê? Porque parece que mesmo sem razão específica, alguns meninos entendem que uma menina não deveria estar envolvida em um local de predominância masculina, ou praticar esportes que tenham contato demais.

Perdi a conta das vezes que chamei as meninas para participarem das aulas e elas ficavam em grupinhos, no celular e explicando que não poderiam participar pois estavam no período menstrual (Mesmo sendo uma justificativa válida, algumas meninas usavam esse mesmo discurso em todas as aulas, o que provava que a menstruação era apenas uma desculpa e não o real problema). O próprio ambiente escolar parece ser formado de espaços delimitados pelos gêneros: a quadra para os meninos e os pátios e corredores para as meninas, só nesses espaços que os diferentes corpos ganham sentido socialmente, eles têm marcas dessa cultura que os produziram¹.

Parece que eu torço só pelas meninas e os meninos que são os malvados das histórias todas, né? Mas não é isso, com certeza algumas meninas agem com preconceito com os meninos em certas situações, se o menino não jogar futsal elas já associam ele a um cara que não se encaixa no padrão dos outros meninos sendo que simplesmente ele somente pode não se sentir à vontade, não gostar da modalidade, não saber jogá-la.

Mas por que existe uma rigidez tão grande destes padrões? Por que isto não é um assunto curricular? O brincar, o fazer e o praticar eram para ser algo livre sem um padrão, esse reflexo da sociedade é para ser debatido, não somente na escola, mas na formação dos profissionais de Educação em geral.

O trabalho de professor é algo fluido e mutável, todo dia surge uma problemática nova dentro da escola, e apesar de entender que não se pode preparar os professores para tudo que vai acontecer dentro da prática na escola, algumas questões estão bem presentes no contexto escolar a um bom tempo (gênero, sexualidade, racismo, bullying). Estas situações aprisionam o aluno em um mundo cheio de barreiras sociais que buscam ditar o seu comportamento, e sua vivência corporal, limitando suas experiências e fazendo com que a prática corporal muitas vezes seja algo obrigatório e enfadonho

A mensagem que quero passar é que trabalhar estas temáticas faz parte da construção pessoal do aluno e da aluna, a escola tem que ser um local político, e palco de discussões desse tipo. Infelizmente os cursos de graduação das Universidades públicas do Ceará ainda não abordam nos cursos de Educação Física uma disciplina/conteúdo específica apenas sobre esses temas apresentados²,³. Entretanto, este fator não nos impede de buscar cursos e materiais que inspirem essa formação continuada e que mantenhamos a compreensão a respeito do(s) assuntos em questão, pois o desconhecimento de como tratar essas questões acaba por piorar o dia-a-dia da escola e principalmente nas aulas de Educação Física.

O direito de liberdade de expressão é algo fundamental que deve ser visualizado nisto tudo, para que todo esse panorama seja discutido na escola e na formação do próprio professor, é preciso descontruir essa visão preconceituosa e fazer com que o próprio ambiente escolar seja um espaço de conhecimento e não somente de doutrinação.

Referencia

¹LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes. O Corpo Educado: Pedagogias da Sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. 127p.

²https://si3.ufc.br/sigaa/public/curso/curriculo.jsf

³http://www.uece.br/uece/index.php/graduacao/presenciais

Podcast #79 – Ultimate Bullshit Championship – UBC 2017

Olá pessoas! E para o último podcast do ano vamos trazer um conteúdo sujo! Um conteúdo tenso! Um conteúdo de baixo calão! Nesse podcast você vai ouvir a primeira edição do ULTIMATE BULLSHIT CHAMPIONSHIP, a competição que  vai eleger a maior besteira proferida na Educação Física em 2017. Além de você ficar conhecendo a maior besteira desse ano, você vai nos ajudar a policiar essa internet de Zeus para que nunca mais essa besteira volte a ser falada novamente. Ficou curioso para saber qual é? Dê um play e se divirta!

Ahhh e não se esqueça de nos marcar quando ouvir alguma besteira em 2018 para escalarmos o próximo time para podcast do UBC 2018!

Nesse programa contamos com a presença do nosso time quase completo, faltando apenas no Jandoza. Como é um podcast de encerramento de temporada gostaríamos de agradecer muito a todos nossos ouvintes e todas as amizades que fizemos através do #quatrode15. Sem vocês não teria nada disso…

Muito obrigado, um bom ano para todos e nunca mais voltemos a falar que … (censurado).

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O pobre uso da Educação Física cosmética

Qual a diferença da Educação Física e de um creme para perder gordura da barriga?

Por Yuri Motoyama

Hoje não vou trazer aqui nenhuma discussão de artigo científico ou algo do meio acadêmico. Vou trazer um tema para reflexão relacionado a um fato que eu tenho observado muito durante esses últimos tempos. Para não confundirmos as coisas, quando falo Educação Física aqui estou direcionando minha atenção ao curso de bacharel que pode atuar em clubes e academias.

Por aspectos culturais, logo que pensamos em Educação Física, surge na nossa cabeça ou a imagem de um professor com uma bola cercado de alunos ou uma personal com uma prancheta ao lado de um(a) belo(a) aluno(a) fazendo um exercício. Faça esse teste, pergunte para o seu vizinho, ou para seu avô, ou para as pessoas do seu serviço qual a imagem que vem à cabeça dele ao pensar na nossa profissão. Hoje temos a Educação Física comercializada em clubes, academias e centros de treinamento. Muitas as pessoas que buscam esse serviço estão preocupadas com apenas uma coisa estética. Acredito que isso tenha toda uma influência de um passado construído desde os atores fisiculturistas da década de 70-80 até meados de 2005 quando a palavra fitness passou a ter como concorrente o termo wellness. Até esse momento o profissional de Educação Física na academia era um agente de transformações cosméticas e seu trabalho se reduzia a fazer um bíceps crescer, deixar um abdômen definido ou tornar uma pessoa mais “bonita” adequando ela aos padrões de beleza do momento. Isso é um ponto que me preocupa muito, pois temos inúmeras possibilidades de atuação com a nossa profissão e o que mais me assusta é que ainda existe um grande número de profissionais recém formados no mercado, que estão brigando por esse mercado saturado da Educação Física cosmética. Muitas vezes, quando vejo profissionais reclamando da nossa profissão eu penso: “será que a profissão está ruim, ou será que os profissionais estão dando murro em ponta de faca?”.

A Educação Física pode passar por uma revolução e ser menos cosmética com o tempo?

Eu sou muito otimista com o futuro da nossa profissão e acho que estamos passando por uma fase onde a educação física vai passar por uma nova fase. Essa nova fase vai incluir a educação física de forma imprescindível na promoção de saúde. Muitos governos (EUA, Inglaterra, Japão) já começam a pensar em formas de prevenção como estratégia para atenuar os gastos com saúde. E quando falamos de prevenção e tratamento complementar não temos para onde fugir, vamos cair sempre nas terapias que envolvem movimento. Vamos cair nas mãos de profissionais que sabem prescrever doses de movimento como os fisioterapeutas e os profissionais de educação física. Acho que saúde é um mercado latente e sedento por profissionais qualificados. Um personal que trabalhe com pacientes com câncer, um estúdio que atenda idosos com osteoporose, uma academia que desenvolve um programa para hipertensos…e por aí vai. Já são inúmeras evidências que mostram como o movimento pode ser uma excelente estratégia complementar para o tratamento de diversas doenças.

Mas por que essa grande mudança ainda não aconteceu na Educação Física?

Estamos enroscados em um ciclo vicioso. Nesse ciclo ainda temos pessoas ingressando na faculdade de educação física sem ter noção no terreno que estão entrando. Ainda temos estudantes influenciados pelos blogueiros fitness, pelos cursos oferecidos com os temas “Hipertrofia em 5 passos”, “Emagreça em 15 minutos”, “Clique aqui e descubra como emagreci 252 kilos em uma semana”. Ainda temos profissionais de educação física que tem preguiça de ler um texto de uma página (muitos não vão conseguir nem terminar de ler essa postagem). E para essa mudança que estou falando acontecer, vamos precisar de profissionais que leiam pelo menos um artigo por dia! Que se aventurem na leitura em inglês! Que saibam usar uma base de dados científicas. Só assim teremos uma maior exposição na mídia, só assim teremos outras pessoas vendo que podem contratar nossos serviços para objetivos além dos objetivos cosméticos, só assim nosso serviço será valorizado! Enquanto nosso serviço oferecer a mesma coisa que um creme para ser passado na barriga, não vamos sair do lugar.

Então meu amigo, professor ou estudante que está lendo isso, essa mudança depende de você! Estude, a Educação Física está longe de ter suas possibilidades de atuação profissional saturada. Pare de reclamar, levante a cabeça em meio aos mortos e feridos e veja o que você pode fazer de diferente!

Podcast #77 – DNA (Discussão, notícias e atualidade)

Olá pessoas!

Nesse podcast no formato Drops vamos conversar bater um papo com nossos ouvintes que nos mandaram mensagens (adoramos isso! Sempre que puder nos escrevam). Um abraço para quem entrou em contato conosco:

  • Sandro Contes;
  • Emanoel Brito;
  • Renan Alves;
  • Ana Andrade;
  • Marcos Sales;
  • Concursando CP (qual será o nome dele? rs)

Vamos trazer algumas notícias que achamos interessantes pela internet:

  1. Aposentadoria especial para professores de Educação Física?
  2. Mercado “fitness” e longevidade aumentam a procura pela carreira de Educação Física;
  3. Espetáculo mostra como dança ajuda a lutar contra a depressão;

E vamos discutir dois artigos (um deles é no mínimo curioso):

  1. Efeito do volume do treinamento de força na hipertrofia dos membros superiores: mais é melhor que menos?
  2. Gasto energético em atividade sexual em adultos jovens;

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