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Podcast #79 – Ultimate Bullshit Championship – UBC 2017

Olá pessoas! E para o último podcast do ano vamos trazer um conteúdo sujo! Um conteúdo tenso! Um conteúdo de baixo calão! Nesse podcast você vai ouvir a primeira edição do ULTIMATE BULLSHIT CHAMPIONSHIP, a competição que  vai eleger a maior besteira proferida na Educação Física em 2017. Além de você ficar conhecendo a maior besteira desse ano, você vai nos ajudar a policiar essa internet de Zeus para que nunca mais essa besteira volte a ser falada novamente. Ficou curioso para saber qual é? Dê um play e se divirta!

Ahhh e não se esqueça de nos marcar quando ouvir alguma besteira em 2018 para escalarmos o próximo time para podcast do UBC 2018!

Nesse programa contamos com a presença do nosso time quase completo, faltando apenas no Jandoza. Como é um podcast de encerramento de temporada gostaríamos de agradecer muito a todos nossos ouvintes e todas as amizades que fizemos através do #quatrode15. Sem vocês não teria nada disso…

Muito obrigado, um bom ano para todos e nunca mais voltemos a falar que … (censurado).

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Podcast #61 – Exercício Físico e Imunologia

Olá pessoas!

Hoje vamos conversar sobre exercício físico e imunologia. Provavelmente muitos de vocês já ouviram a expressão “nosso corpo morre quando treinamos”. Será que isso é verdade? Que o exercício físico pode influenciar na sua imunidade isso já é conhecido, agora como isso acontece?

Para esse bate papo contamos com a presença do professor Yuri Motoyama, o especialista em imunologia (e ele estava guardando segredo) Fábio Rocha e o cara que já até experimentou uma rabdomiólise para esse cast Douglas Jandoza!

Links citados no podcast

Filme Osmose Jones

Podcast que aborda um pouco do tema estresse oxidativo;

Referências

LEANDRO, Carol et al. Exercício físico e sistema imunológico: mecanismos e integrações. Revista portuguesa de ciências do desporto, v. 2, n. 5, p. 80-90, 2002.

LEANDRO, Carol Góis et al. Mecanismos adaptativos do sistema imunológico em resposta ao treinamento físico. Rev Bras Med Esporte, v. 13, n. 5, p. 343-348, 2007.

KRÜGER, Karsten; MOOREN, Frank C. Exercise-induced leukocyte apoptosis. Exerc Immunol Rev, v. 20, n. 20, p. 117-134, 2014.

 

Lactato, a redenção! Do lixo para o luxo metabólico

Por Yuri Motoyama

Hoje vou resenhar aqui um artigo muito interessante que saiu no periódico International Journal of Molecular Sciences do grupo MDPI sobre Lactato (para ler o artigo na íntegra basta clicar na referência no final do texto.) Coincidentemente passamos por um período de olimpíadas onde vimos ainda muitos apresentadores vomitando pérolas como “olha aí o atleta parando por conta do excesso de ácido-lático”. Acredito que dentro do meio acadêmico, a teoria do Lactato já pode ser considerada o paradigma vigente desconstruindo a antiga teoria da formação do ácido-latico e sua consequente contribuição para a acidose celular. Agora, já passamos para um novo  patamar dessa discussão que está relacionada a  função do Lactato dentro do sistema nervoso central.

Se você estiver interessando nessa discussão pode clicar aqui e ouvir um podcast ou clicar aqui e ler um texto introdutório sobre lactato.

No século 18, um pesquisador chamado Carl Wilhelm Scheele observou in vitro diversos ácidos orgânicos, entre eles estava o ácido-lático.  Desde então, subsequentes estudos sobre exercício e fadiga apontavam para uma molécula peculiar presente em músculos fadigados. E por essa molécula sempre se apresentar em um ambiente ácido (muitos protons de H+) foi chamada de ácido-lático.

Exercício e produção de Lactato

Durante uma atividade física intensa, as células musculares sintetizam muito ATP através da transferência de energia vinda da glicólise e também do fosfato de creatina, também chamado de metabolismo anaeróbio. Nessa situação, o metabolismo celular não consegue utilizar o metabolismo aeróbio (fosforilação oxidativa) para continuar com a ressíntese de ATP dentro da mitocôndria. Assim, para que a transferência de energia vinda da glicólise continue, é necessário que o subproduto do metabolismo (piruvato) não se acumule. Lembrando que o acumulo de algumas moléculas, como o piruvato, podem inviabilizar enzimas glicolíticas e parar com todo o processo de transferência de energia! Então, o piruvato não utilizado pelas vias aeróbias de transferência de energia, é reduzido à Lactato pela enzima lactato desidrogenase (LDH) e consequentemente oxidando um NADH+H+ para NAD+.

O Lactato também pode ser considerado como um metabólito importante do sistema aeróbio, já que ele pode ser utilizado por fibras do tipo I e cardíacas para a formação de acetil-CoA na mitocôndria. Uma grande parte da produção de Lactato dos músculos ativos é reutilizada pelos músculos inativos ou que estejam com uma disponibilidade ideal de O2. Outros órgãos que também se beneficiam desse metabólito são o fígado é o cérebro.

Captação de Lactato pela barreira hematoencefálica e transportadores de monocaboxilato

Caso você esteja vendo esses termos pela primeira vez, vale a pena dar uma olhadinha nos artigos de um autor chamado Brooks que definiu o termo “lançadeira de lactato”. Termo que se refere aos transportadores de lactato que temos na membrana celular e mitocondrial. Um caso interessante de “lançadeira de lactato” observado na literatura está entre as células gliais (especialmente astrócitos). Antigamente, essas células não eram tão consideradas no funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC) pois achava-se que apenas serviam de “suporte” para a estrutura neuronal. Hoje muitas funções do sistema nervoso são atribuídas a esse conjunto de células que compõem 10x mais o número de neurônios.

Dentre os mais de 10 subtipos de transportadores de monocarboxilato (MCT) temos dois subtipos interessantes nessa conversa. O MCT-1 que através de um sistema de co-transporte “puxam” o Lactato e um próton H+ para dentro de uma estrutura (célula muscular, mitocôndria, células do SNC) e os MCT-4 que “expulsam” pelo mesmo sistema de co-transporte Lactato e H+.  Já é observada a presença de MCT-1 na barreira hematoencefálica e MCT-2 nos elementos pós sinápticos das sinapses glutamatérgicas, mostrando uma importância do lactato como fonte de energia para intensas atividades neuronais. No SNC temos a expressão de MCT-4 na membrana dos astrócitos tanto nos processos pré-sinápticos quanto em seus pés-vasculares.

Aqui já podemos imaginar um cenário onde o Lactato pode interagir diretamente com as células do SNC. Outro ponto que não podemos esquecer com relação as células gliais, especificamente os astrócitos, é sobre sua função sobre os estoques de glicose como glicogênio. Isso nos dá um suporte energético em condições de restrição de glicose.

Evidências (veja o artigo citado no final) mostram que tanto astrócitos quanto neurônios podem utilizar o Lactato, convertê-lo em piruvato e reutiliza-lo no ciclo do ácido cítrico para transferência de energia em forma de ATP.  Outro fato curioso é que esse sistema astrócito-neurônio de transporte de lactato parece estar relacionado com a memória de longo prazo. Fenômeno observado em atividades cognitivas intensas no hipocampo onde há glicogenólise elevada (no astrócito) e produção de lactato que são transferidos para os neurônios quando o suprimento de glicose local não são suficientes.

Lactato, exercício físico e benefícios cognitivos

Já existem evidências sobre efeitos neurogênicos e neuroplásticos do exercício físico (procure no Pubmed pelos artigos do professor Terrence Sejnowski). Agora temos mais uma peça nessa quebra-cabeças com a presença do Lactato como metabólito ativo do SNC. Em modelos animais, ratos submetidos a atividades intensas apresentaram redução da glicemia com aumento da produção de lactato no hipocampo, cerebelo, cortex e tronco cerebral. Outras evidências mostram uma utilização do lactato produzido nas células musculares, durante exercícios físicos, em neurônios através do MCT.

Além desse papel fundamental no suporte de energia das células do SNC, também temos a presença do Lactato nas vias de comunicação que podem modular a tensão dos vasos dentro do SNC, como também na angiogênese (proliferação capilar) e no crescimento celular.

A redenção do Lactato!

É interessante pensarmos que estamos falando de um processo de mudança completa de paradigma em relação ao velho “ácido-lático”. Agora, além de temos muitas evidências mostrando o Lactato como um protelador da fadiga (e não um promotor), estamos direcionando a conversa para um novo patamar. Estamos falando que a produção de lactato, promovida pelo exercício físico, pode ter efeitos positivos fisiológicos e também patológicos sobre o envelhecimento do SNC e doenças neurodegenerativas.

Se você gosta de uma polêmica envolvendo o Lactato não deixe de comentar e contribuir com a discussão! Se você achou essa resenha interessante compartilhe com seus amigos!

Referências

BROOKS, George A. Lactate. Sports Medicine, v. 37, n. 4-5, p. 341-343, 2007.

PROIA, Patrizia et al. Lactate as a Metabolite and a Regulator in the Central Nervous System. International Journal of Molecular Sciences, v. 17, n. 9, p. 1450, 2016.

 

Podcast #39 – Especial: Câncer de Mama e Exercício – Entrevista com Louise Gardin

Olá pessoas!

Hoje, conforme prometido, vamos terminar a sequência de postagens do outubro rosa com grande estilo! Nesse cast especial eu vou trazer para vocês uma entrevista que realizei com uma aluna que conheci durante minha experiência como professor de musculação. Gostaria de apresentar para vocês a Louise Gardin, enfermeira e vidrada em musculação. A Louise teve cancer de mama e vai contar um pouco de como foi sua história e como o exercício físico a ajudou a superar a doença e o tratamento.
Quem quiser entrar em contato com a Louise clique aqui para acessar sua página do facebook.


Câncer de mama e atividade física

Por Yuri Motoyama

Já escrevi há um tempo atrás uma postagem sobre a relação entre o câncer e atividade física. Como estamos durante a campanha do outubro rosa vou postar aqui alguns dados referentes a relação entre o câncer de mama e a atividade física.

Um ponto importante que gostaria de tocar aqui antes de entrar no texto é que – pacientes com câncer não são de vidro! Isso não significa que você vai ignorar a doença e lascar intensidade no treino e sim que o treino precisa ser prescrito, monitorado e avaliado corretamente. Estou falando isso pois já vi professores trabalhando com esse tipo de população, e com medo de errar acabam subestimando o treinamento. Isso pode fazer com que a pessoa não tenha todos os efeitos positivos do treinamento, assim não se beneficiando do treinamento físico.

Existem relações diretas e bem definidas entre o câncer de mama e atividade física?

Como qualquer outro tipo de câncer, as formas de identificar sua possível origem ainda são bem complexas. Grandes estudos identificam pontos frequentes no aparecimento do câncer de mama como fatores não-modificáveis como idade e predisposição genética, quanto fatores modificáveis como consumo de álcool, obesidade e sedentarismo.

Nesse artigo que estamos revendo, a definição de atividade física se resume em qualquer tipo de atividade que aumente o gasto energético comparado com o metabolismo basal. Dos dados revistos pelo artigo referenciado, 40% dos estudos observacionais encontraram reduções no risco de morte através do câncer de mama quando as mulheres tinham algum nível de atividade física.

Clique aqui para ler outro post sobre os benefícios da atividade física sobre o câncer.

Fatos importantes relacionados ao câncer de mama e atividade física

Em uma revisão com meta-análise publicada no periódico Acta Oncológica podemos ver alguns dados gerais sobre a relação entre a doença e a atividade física:

  • A atividade física é altamente recomendada como complemento para o tratamento do câncer. Entretanto, quando a atividade física é realizada (ou iniciada) após o diagnóstico do câncer de mama, os casos de morte são reduzidos em 41% e a recorrência de desenvolver o câncer de mama novamente é reduzida em 24%;
  • Existe uma forte relação entre a presença do sedentarismo, a obesidade e um risco aumentado de morte devido ao câncer de mama;
  • Pacientes que estão sob tratamento de quimioterapia e radioterapia podem realizar atividades físicas com segurança;
  • A auto-estima (avaliada por questionário) é muito maior em pacientes que estão participando de treinamentos de força (musculação) ou treinamentos aeróbios comparados com pacientes sedentários. Sabemos que o câncer de mama tem um aspecto estético muito importante a ser considerado que é a possibilidade de retirada da mama. Isso aliado a queda de cabelo e alterações corporais pode levar a um quadro depressivo;
  • Tanto o treinamento aeróbio quanto o treinamento de força vão aumentar a aderência à fase da quimioterapia. Completar o tratamento quimioterápico é muito importante, porém devido ao mal estar provocado pelo tratamento, muitos pacientes acabam desistindo das sessões de quimioterapia. O exercício físico pode ajudar a atenuar essas sensações desagradáveis por ajudar a manter um nível maior de força muscular e resistência.

Podemos ver nesses dados alguns pontos bem interessantes que são de total responsabilidade para nós educadores físicos. Acredito que o mais importante é que o aumento no nível de atividade física tem uma relação positiva na taxa de sobrevivência. E qual é o profissional mais indicado para aumentar o nível de atividade / exercício físico de uma pessoa? Essa é fácil…

Ainda vemos que existem poucos trabalhos que abordam atividades com altas intensidades e treinamento de força. Acredito que uma boa parte disso é devido a falta de conhecimento que existia antigamente sobre essa doença. Atualmente sabemos que esse tipo de paciente consegue suportar intensidades moderadas (e em alguns artigos altas intensidades) e ter todos efeitos positivos do treinamento.

Como eu já coloquei em outras postagens, não precisamos ter medo para treinar populações especiais. Como diz um amigo meu: “o medo é falta de conhecimento”.


Refêrencias

LAHART, Ian Matthew et al. Physical activity, risk of death and recurrence in breast cancer survivors: A systematic review and meta-analysis of epidemiological studies. Acta Oncologica, v. 54, n. 5, p. 635-654, 2015.

CARAYOL, M. et al. Psychological effect of exercise in women with breast cancer receiving adjuvant therapy: what is the optimal dose needed?. Annals of oncology, v. 24, n. 2, p. 291-300, 2013.