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Podcast #78 – Gravidez e Exercício

Olá pessoas, preparados para mais um podcast?!

Vamos para mais um tema muito especial, pois, para falar sobre gravidez e exercício tivemos a ajuda dos nossos queridos ouvintes e das professoras Bianca Santana e Vânia Reis que contaram um pouco de como foram seus treinamentos durante a gestação. Para esse podcast temos os professores Renêe Caldas, Gilmar Esteves e Yuri Motoyama conduzindo o bate papo. Sente-se confortavelmente, ajuste o volume porque nesse programa vamos falar um pouco sobre:

  • Como andam as pesquisas na área de gravidez e exercício?
  • Quais os mitos do treinamento para gestantes?
  • Existem perigos e contraindicações?
  • O exercício supervisionado pode trazer benefícios para gestação?

Gostaríamos de agradecer em especial aos ouvintes que mandaram as perguntas que foram utilizadas na pauta: André Itami; Michele Godoy; Camila Gianoni; Junior Santos; Daiana Almenta (GNH podcast); Edson Torres; Helena Romaneli; Andresa Pontes; João Carlos de Oliveira; Paloma Araújo; Carlos Mazzochi; Mirtes Santos; Karen Pereira; Eduardo Assenza; Matheus Mazoti; Miguel Wagner e Jonathan Chava.

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Referencias

COLLINGS, Catherine A.; CURET, Luis B.; MULLIN, John P. Maternal and fetal responses to a maternal aerobic exercise program. American journal of obstetrics and gynecology, v. 145, n. 6, p. 702-707, 1983.

BARAKAT, Ruben et al. Exercise during pregnancy. A narrative review asking: what do we know?. Br J Sports Med, p. bjsports-2015-094756, 2015.

BARAKAT, Ruben et al. A program of exercise throughout pregnancy. Is it safe to mother and newborn?. American journal of health promotion, v. 29, n. 1, p. 2-8, 2014.

HALE, Ralph W.; MILNE, Leslie. The elite athlete and exercise in pregnancy. In: Seminars in perinatology. WB Saunders, 1996. p. 277-284.

MCDONALD, Samantha M. et al. Does dose matter in reducing gestational weight gain in exercise interventions? A systematic review of literature. Journal of science and medicine in sport, v. 19, n. 4, p. 323-335, 2016.

MOTTOLA, Michelle F.; ARTAL, Raul. Fetal and maternal metabolic responses to exercise during pregnancy. Early human development, v. 94, p. 33-41, 2016.

PERALES, María et al. Maternal Cardiac Adaptations to a Physical Exercise Program during Pregnancy. Medicine and science in sports and exercise, v. 48, n. 5, p. 896-906, 2016.

SANTOS, Caroline Mombaque dos et al. Effect of maternal exercises on biophysical fetal and maternal parameters: a transversal study. Einstein (São Paulo), v. 14, n. 4, p. 455-460, 2016.

WING, Cary H.; STANNARD, Alicja B. Pregnancy and Exercise Guidelines: Fifty Years Makes a Difference. ACSM’s Health & Fitness Journal, v. 20, n. 2, p. 4-6, 2016.

WIDEN, E. M.; GALLAGHER, D. Body composition changes in pregnancy: measurement, predictors and outcomes. European journal of clinical nutrition, v. 68, n. 6, p. 643-652, 2014.

 

No pain no gain: o retorno…da dor?

Por Yuri Motoyama

Hoje vou trazer aqui um estudo publicado no periódico chamado Pain Medicine sobre os efeitos do exercício sobre a modulação da dor. Como é um artigo que tem sua discussão voltada para a parte de tratamento, vou tentar fazer uma abordagem diferente, mais voltada para a Educação Física e um pouco do que vimos na prática com a famosa frase no pain no gain.

Existe uma adaptação do treinamento físico voltada para a modulação da dor e um fator interessante é que o exercício pode reduzir a sensação da dor. Esse efeito é discutido na literatura como Hipoalgesia induzida pelo Exercicio (IHR). Em algumas referências citadas no artigo (não deixe de ler os artigos comentados na íntegra e ter a SUA opinião) muitos autores observaram efeitos agudos e crônicos sobre a relação do exercício sobre a percepção da dor. Grande parte desse efeito está associada a:

  1. Eventos agudos, como aumento da pressão arterial e inibição da comunicação entre o sistema nociceptor e o sistema nervoso central devido a ativação dos motoneurônios.
  2. Eventos crônicos, que estão relacionados à liberação de substâncias opioides e endocanabinoides.

O que é a dor que sentimos após o treinamento?

Aquela dorzinha que sentimos após o treinamento, tecnicamente é chamada de Dor Muscular de Início Tardio (DMIT) e está relacionada à infiltração de macrófagos e neutrófilos no tecido danificado. Após isso, existe a liberação de citocinas que levam a uma maior sensibilização dos receptores do sistema nervoso para dor (chamados de nociceptores).

Como comentei essa pesquisa teve um caráter mais terapêutico e os autores procuraram avaliar o limiar de percepção de dor. Basicamente é um aparelho que exerce uma pressão sobre a coxa (o exercício era para quadríceps) e era mensurada a quantidade de pressão necessária para o indivíduo perceber a dor.

Pontos interessantes sobre a dor e sua relação com o exercício

Em vários momentos durante a leitura do artigo eu pensava em links voltados para nossa área como:

  • Nessa pesquisa e em outros artigos citados, o exercício modulava a dor localmente (na região do músculo exercitado) e também em outras regiões do corpo. A pesquisa treinou a coxa direita teve um aumento no limiar de percepção de da coxa esquerda;
  • Para doenças que apresentam dores crônicas como atrite e fibromialgia podemos ver uma aplicação muito interessante do treinamento que pode afetar diretamente a dor e a qualidade de vida da pessoa acometida pela doença;
  • Ainda existem profissionais e amadores que monitoram seus treinos com base na dor muscular tardia. Já comentamos isso em uma postagem anterior (clique aqui para ler a postagem), mas vale a pena reforçar que o treinamento baseado na DMIT é altamente passível de erro. Lembrando, o exercício tem um efeito hipoalgésico agudo e crônico, assim modulando a dor conforme o treino e a experiência do praticante. Cuidado com expressões como no pain no gain, pois existem boas evidências que vão na direção contrária dessa afirmação.

Prescrição de treinamento nunca vai ser uma tarefa fácil e simplesmente baseada em uma variável. É um conjunto de fatores que devem ser estudados, considerados e avaliados. Esse artigo é interessante pois nos faz refletir sobre alguns aspectos relacionados ao treinamento e a sua prescrição.

Tem alguma opinião que não foi comentada no texto? Deixe seu comentário aqui e vamos engrossar esse caldo!

Referencia

BLACK, Christopher D. et al. Local and Generalized Endogenous Pain Modulation in Healthy Men: Effects of Exercise and Exercise-Induced Muscle Damage. Pain Medicine, p. pnw077, 2016.

Podcast #63 – Suplementação de Beta Alanina

Olá pessoas!

Nesse podcast vamos contar com os conhecimentos no nosso nutricionista esportivo Jean Silvestre para conversamos sobre uma forma de suplementação que vem sendo muito pesquisada. A Beta Alanina é um aminoácido que parece ter uma função tamponante e antioxidante bem interessante. Dê um play e receba um pouquinho de informação diretamente no pé do seu ouvido!

Participe dessa discussão, traga novas informações e principalmente, deixe seu comentário!

Links citados no podcast

Podcast Galera do RAU;

NaTrilha Podcast;

CienciaInForma (video sobre Beta Alanina):

Referências

Hoffman JR, Ratamess NA, Faigenbaum AD, Ross R, Kang J, Stout JR, et al. Short-duration beta-alanine supplementation increases training volume and reduces subjective feelings of fatigue in college football players. Nutrition research (New York, NY). 2008;28(1):31-5.

Smith-Ryan AE, Fukuda DH, Stout JR, Kendall KL. The influence of beta-alanine supplementation on markers of exercise-induced oxidative stress. Applied physiology, nutrition, and metabolism = Physiologie appliquee, nutrition et metabolisme. 2014;39(1):38-46.

Hill CA, Harris RC, Kim HJ, Harris BD, Sale C, Boobis LH, et al. Influence of beta-alanine supplementation on skeletal muscle carnosine concentrations and high intensity cycling capacity. Amino acids. 2007;32(2):225-33.

Harris RC, Tallon MJ, Dunnett M, Boobis L, Coakley J, Kim HJ, et al. The absorption of orally supplied beta-alanine and its effect on muscle carnosine synthesis in human vastus lateralis. Amino acids. 2006;30(3):279-89.

Treinamento físico experimental: conheça um pouco sobre pesquisas com exercícios em “ratinhos” de laboratório

Por Mariana Eiras

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Modelo para treinamento com escalada simulando um exercício de força. Neves et al. (2016). “Treinamento de força em ratos espontaneamente hipertensos com hipertensão arterial grave.” Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 106(3): 201-209.

A utilização de animais para melhor entendimento do organismo começou com Hipocrátes (450 a.C) que utilizava órgãos de animais para comparar com órgãos doentes de humanos (Pompeu et al., 2004). Os estudos com animais proporcionaram e continuam ajudando no avanço de grandes áreas como a medicina, a farmácia e a nossa área também, a Educação Física evoluiu muito com a ajuda de experimentos com animais.

Hoje em dia existem diversos tipos de protocolos de treinamento físico utilizados para roedores (ratos e camundongos). Estas pesquisas na maioria das vezes pretendem descobrir o melhor tipo de exercício, volume e intensidade para diversas comorbidades, como hipertensão, obesidade, diabetes, entre outras.

fig 3

Mas por que utilizar roedores?

Bom, os organismos destes animais são muito semelhantes ao nosso organismo, isso facilita a transição dos conhecimentos. As pesquisas realizadas com animais tem caráter mais invasivo, geralmente com extração de tecidos para diversos tipos de análises complicadas para realizar em humanos, como análise morfológica e molecular.

E como os animais realizam os exercícios?

Existem alguns tipos de aparatos. Por exemplo, para realizar exercício aeróbio existem esteiras, piscinas e rodas de atividade específica para roedores; já para exercício resistido os tipos mais utilizados são a escalada e o agachamento.

Assim como para o humano, existem protocolos para determinação da intensidade do exercício. Os mais utilizados são a máxima fase estável de lactato e a determinação do VO2 máximo.

fig 2
Ergômetro (esteira) para treinamento de roedores.

Vamos para um exemplo de estudo experimental:

Em um dos trabalhos mais clássicos sobre hipertensão e exercício físico, Overton et al.(1988) utilizaram 19 ratos espontaneamente hipertensos para descobrir qual duração de exercício físico seria melhor na diminuição da pressão arterial. Os animais foram distribuídos em 2 grupos, o primeiro grupo correu na esteira por 20 minutos e o segundo grupo correu por 40 minutos .

Todos os animais correram em uma intensidade de 70% do VO2 máximo.  30 minutos após o exercício agudo, a pressão arterial dos animais foi aferida. O resultado encontrado mostrou que 40 minutos de corrida a 70% do VO2 máximo proporciona uma maior queda da pressão arterial.

Esse é só um exemplo, pois existem muitos trabalhos na literatura com exercício físico e animais, e é importante ressaltar aqui que todos esses experimentos são SEMPRE submetidos e aprovados aos comitês de ética em pesquisas com animais.


Você pode seguir a colaboradora do 4×15 Mariana Eiras pelo facebook, instagram  (@profmarianaeiras) ou escrever para ma_eiras@hotmail.com


Referências

Pompeu E., Gimenez M. P., Camargo R. S. Medicina legal e ética experimental. Revista Brasileira de Medicina Legal [online]. 2004. Disponível em: http://www.revistademedicinalegal.com.br. Acesso em: 28 abril de 2016.

Overton J. M., Joyner M. J., Tipton C. M. Reductions in blood pressure after acute exercise by hypertensive rats. Journal of Applied Physiology, v. 64, n. 2, p. 748-752, fev. 1988.

Podemos estimar a Máxima Fase Estável de Lactato pela frequência cardíaca?

Por Paulo Eduardo Pereira

A correta prescrição do treinamento físico depende de uma minuciosa avaliação das capacidades fisiológicas do indivíduo. Dentre as diferentes avaliações disponíveis, a identificação da máxima fase estável de lactato (MFEL) é considerada padrão ouro para avaliação da capacidade aeróbia.

O que é a máxima fase estável de lactato?

A MFEL é definida como a mais alta intensidade do exercício na qual a concentração de lactato sanguíneo não aumenta mais que 1mmol/L entre o 10º e o 30º minuto de um teste com velocidade constante. No entanto, para a determinação da MFEL, são necessários de 2 a 5 testes exercício, com duração de 20 a 30 minutos cada teste. Devido o dispêndio de tempo com todos os testes, dificilmente os indivíduos possuem tempo hábil para realiza-los. Assim, um único teste, não invasivo, para a previsão da MFEL é interessante.

Determinação da MFEL pela frequência cardíaca

A partir disso, no nosso artigo (De Assis et al. 2015) publicado no Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, propusemos a estimativa da intensidade correspondente a MFEL através do ponto de deflexão da frequência cardíaca (PDFC) proposto por Conconi et al 1982.

No estudo avaliamos 15 homens fisicamente ativos que realizaram: 1) teste de velocidade de 3000m para determinação da velocidade inicial do teste incremental; 2) teste incremental para determinação do PDFC; 3) 3 a 5 testes carga constante para determinação da MFEL.

Gosta de bioquímica e quer estar por dentro desse bate papo sobre lactato? Clique aqui e ouça esse podcast!

Os resultados mostraram que a velocidade do PDFC pode ser utilizado para prever a velocidade correspondente a MFEL (r=0.86, R2=0.74; P<0.0001; CI:95%). Além de alta correlação entre as velocidades, verificamos a partir do teste de concordância (Bland-Altman) que a velocidade e a FC tiveram uma redução de ±2 DP da média, sugerindo uma forte concordância entre a MFEL e o PDFC.

Estes achados indicam que o PDFC, teste não invasivo e de baixo custo, é uma ótima opção para determinação da intensidade correspondente a MFEL e consequentemente para a correta prescrição do treinamento físico.


Referências

CONCONI, F.; FERRARI, M.; ZIGLIO, P. G.; DROGHETTI, P.; CODECA, L. Determination of the anaerobic threshold by a noninvasive field test in runners. Journal of applied physiology: respiratory, environmental and exercise physiology, v. 52, p. 869-873, 1982.

DE ASSIS PEREIRA, P. E.; PIUBELLI CARRARA, V. K.; MELLO RISSATO, G.; PEREIRA DUARTE, J. M.; GUERRA, R. L.; SILVA MARQUES DE AZEVEDO, P. H. The relationship between the heart rate deflection point test and maximal lactate steady state. J Sports Med Phys Fitness, 2015.