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Podcast #53 – DNA

Olá pessoas!

Nesse podcast (edição DNA) vamos comentar sobre os emails selecionados e enviados até a data desa postagem e levantar algumas polêmicas! Contamos com a participação do professor Yuri Motoyama, Douglas Jandoza e Fabio Rocha para discutir um pouco sobre o projeto do senador Romário para a promoção da profissão Técnico em esportes. Precisamos de um profissional graduado ou não? Também nessa edição vamos comentar um pouco sobre a polêmica da Licenciatura vs. Bacharelado, bochecho com carboidrato como estratégia ergogênica (engole ou cospe) e treinamento mental.

Fique ligado nos episódios de DNA e não perca nenhum babado da ciência do treinamento!

Para pular diretamente para as seções do podcast:

Discussão vá para 3:15

Notícias vá para 22:28

Atualidade vá para 45:52

Links citados no podcast

Matéria da G1 sobre a liberação da atuação de licenciados em academias (2012);

Página do Senador Romário com projeto de lei para técnico em esportes;

Nota do Conselho Regional de Educação Física sobre o projeto do senador Romário;

Matéria sobre bochecho com carboidrato para melhorar performance;

Matéria sobre treinamento mental;

 

 

 

 

Podcast #24 – Mecanismos de Fadiga

Olá pessoas!

No podcast de hoje iremos conversar sobre um dos temas mais importantes na área do treinamento: a fadiga! A ciência atual nos mostra que muitas teorias que existem para explicar a fadiga já não são tão consistentes e que ainda falta muito para podermos explicar esse fenômeno. Separamos alguns modelos tradicionais que explicam a fadiga e vamos trazer um novo ponto de vista sobre esse tema.

Nesse episódio participam Yuri Motoyama, Gilmar Esteves e Paulo Eduardo (duduxo). Amplie seus conhecimentos e ainda aprenda uma mistura boa para pão de queijo!! rs

Link citado no episódio

Animatrix “World Record”

Links patrocinados

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Pós graduação UNIARARAS

Referências

NOAKES, T. D.; GIBSON, A. St Clair; LAMBERT, Estelle V. From catastrophe to complexity: a novel model of integrative central neural regulation of effort and fatigue during exercise in humans: summary and conclusions. British journal of sports medicine, v. 39, n. 2, p. 120-124, 2005.

HARGREAVES, Mark. Fatigue mechanisms determining exercise performance: integrative physiology is systems biology. Journal of Applied Physiology, v. 104, n. 5, p. 1541-1542, 2008.

NOAKES, T. D. Physiological models to understand exercise fatigue and the adaptations that predict or enhance athletic performance. Scandinavian journal of medicine & science in sports, v. 10, n. 3, p. 123-145, 2000.

Ciclismo: enganando os atletas eles pedalam mais!

Por Yuri Motoyama

Vamos conversar um pouco mais sobre o modelo de fadiga central ou famoso modelo governador central comentado aqui em outro post. Atualmente, muitos desses modelos são feitos com ciclismo pelo fato da bicicleta facilitar alguns procedimentos durantes os testes.

Uma pesquisa conduzida na universidade de Massey na Nova Zelândia, realizou um experimento muito interessante. Um grupo de ciclismo realizou 4 testes de 4.ooo metros em um ciclo-ergômetro. O primeiro teste foi para eles se habituarem a aparelhagem (eles utilizavam mascaras para análise dos gases expirados). No segundo teste chamado de baseline, os ciclistas tentariam alcançar seus recordes nos 4.000m. Na terceira e quarta tentativa os pesquisadores informaram aos ciclistas que eles iriam competir contra seu próprio recorde. Para que isso fosse visualizado, a bicicleta que eles utilizaramModelo avatar estava conectada a um tipo de jogo de videogame. Em uma tela, os ciclistas visualizavam um ciclista pedalando contra eles, esse ciclista era um avatar calibrado com o recorde deles no baseline.

O grande lance da pesquisa era que em uma das duas ultimas tentativas (a da quebra do recorde), os pesquisadores enganavam os ciclistas e calibravam o avatar a correr 2% a mais que os seus próprios recordes.

O resultado foi muito interessante, o fato de se criar uma competição contra o avatar fez com que seus próprios recordes fossem quebrados. E o mais interessante foi que quando eles competiram contra o avatar 2% mais rápido (sem saberem), eles quebraram seus recordes novamente!

A literatura científica sobre treinamento tem muitos dados a respeito sobre como os aspectos motivacionais podem interferir na fadiga (consequente na performance). A grande dúvida que fica no ar seria: quando paramos um exercício, realmente estamos impossibilitados de continuar? Por que paramos então?

A partir desse questionamento surgem vários outros como: será que as competições esportivas de alto nível são decididas pelos atletas melhores treinados? Ou seria vencida pelo atleta mais auto-motivável. O que determinaria o ouro?

E vamos conversando…


Referência:

Stone, Mark Robert, et al. “Effects of deception on exercise performance: implications for determinants of fatigue in humans.” Med Sci Sports Exerc44.3 (2012): 534-541.

A fadiga pode estar na sua cabeça?

Por Yuri Motoyama

Gosto de pensar que o conhecimento que a humanidade acumulou, sempre tentou estabelecer ou entender os limites das coisas. Tudo (inclusive o próprio conhecimento) tem um limite e a ciência avança quando entende e consegue dar um passo além desse limite. Assim, estabelecendo um novo limite a ser estudado.

Com a atividade física não é diferente. Qual é o limite do seu desempenho? Quanto que um ser humano consegue produzir de trabalho físico? Quando você cansa? E a melhor pergunta: Por que você cansa?

Vários autores arriscam suas fichas e tentam explicar os limites do desempenho físico humano e a fadiga.

Um dos pioneiros nesse campo foi o fisiologista Angelo Mosso (1846-1910) que dizia que “a fadiga poderia ser uma imperfeição do nosso corpo, caso contrário seríamos maravilhas perfeitas”.  Anos depois, em 1922 chegamos ao ganhador do prêmio Nobel de fisiologia e medicina Archibald Hill (1886-1977) que através de seus experimentos começou a delinear o pensamento da fadiga que temos hoje. A fadiga como uma falha de algum sistema biológico em gerar energia (ou reconverter substratos para sua forma energética potencial). Ainda vou falar mais sobre essas figuras em outra postagem.

Atualmente, existe um terceiro autor nessa história chamado Timothy Noakes, que nessa última década colocou várias pulgas atrás das orelhas dos pesquisadores e instalou o caos na ordem. Quando todos estavam conformados com seus estudos sobre “acido lático”, frequência cardíaca máxima, depleção de substratos energéticos o Sr. Tim Noakes chega dizendo que tem alguma coisa a mais nessa história. Estávamos esquecendo o cérebro!

Clique aqui para ler um post sobre a diferença entre o ácido lático e o lactato.

Bem resumidamente, o sistema nervoso central (batizado como Governador Central por Noakes) está gerenciando todo esse trabalho produzido pelo corpo. E em um determinado momento o cérebro (o Governador) decide parar. Muitos trabalhos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa do Noakes (e também temos pesquisadores pensando nisso aqui no Brasil) mostram que a fadiga aparece em situações onde o corpo teria condições de se exercitar por tempos maiores. Em alguns casos, o corpo poderia se exercitar sob certas intensidades indeterminadamente!

Um caso bem interessante foi apresentado um tempo atrás no globo esporte. Uma mulher que passou por uma cirurgia cerebral começou a correr incansavelmente, chegando a completar uma prova de 690 km!

Clique aqui para ver a reportagem.

Imagine uma prova de nível olímpico. Dada a largada temos 3 corredores nos 10 metros finais. Os 3 finalistas provavelmente estão dando o máximo de si pois treinaram a vida inteira para aquele momento. O primeiro colocado quer quebrar o recorde mundial além de ganhar o ouro. Aí esse primeiro colocado dá uma olhadinha de canto de olho para trás e vê chegando em uma velocidade enorme o segundo e o terceiro. Sabe o que acontece? Provavelmente ele vai dar um sprint e tirar essa diferença. Aí eu te pergunto?

Se ele estava correndo no “máximo” de onde saiu essa energia do sprint? Porquê ele já não a usou desde o começo?

Se você gostou da matéria, clique aqui e ouça um podcast que aborda uma estratégia ergogênica de neuromodulação.

Quer outro exemplo?

Imagine que você vai correr 5 km de um ponto A ao ponto B. Qual o tempo mínimo que você conseguiria fazer isso? Agora imagine a mesma situação, só que adicionando que no ponto B tem sua filha prestes a morrer por um veneno que só pode ser curado com o antídoto que está na sua mão. Provavelmente você irá reduzir esse tempo que você achava que era máximo.

Bom, vou deixar um artigo aqui para quem se interessou pelo assunto. Logo mais voltaremos para esse tema.


Referência

NOAKES, T. D.; ST CLAIR GIBSON, A.; LAMBERT, E. V. From catastrophe to complexity: A novel model of integrative central neural regulation of effort and fatigue during exercise in humans: Summary and conclusions. Br J Sports Med, v. 39, n. 2, p. 120-4, Feb 2005.