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Podcast #70 – Por que é importante fazer TCC se grande parte dos graduandos não serão pesquisadores?

Olá pessoas!

E nesse podcast vamos roubar uma discussão levantada pelo professor Ricardo Freitas Dias em uma de suas postagens. A pergunta era “Por que fazer TCC se grande parte dos graduandos não serão pesquisadores?”. Como profissionais que estamos envolvidos com a formação de novos profissionais, resolvemos discutir essa questão utilizando algumas das respostas da postagem.

Nessa discussão temos os professores Yuri Motoyama, Gilmar Esteves e o novo estreante do Quatrode15 o senhor Renêe Caldas. Então, prepare-se para ouvir um podcast com uma pauta diferenciada na qual esperamos muito saber qual é a sua opinião sobre o assunto!

Links citados no podcast

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Por que o TCC se torna um monstro no final do curso de Educação Física?

Por Yuri Motoyama

Para a maior parte dos graduandos o TCC é uma inacreditável dor de cabeça e existem alguns pontos que contribuem para que esse momento crucial da graduação seja tão sofrido. Em primeiro lugar sabemos que é a reta final do curso e muitas vezes o formando já está com a cabeça cheia, porém, temos um problema muito maior que é a falta de preparo que a maioria dos cursos oferecem para esse momento e a falta de interesse do próprio aluno.

Como é e como deveria ser um TCC no final de uma graduação em Educação Física

Já parou para imaginar para que serve a faculdade? Quando você se gradua no ensino superior e se torna um profissional, um dos pontos principais para sua formação são trabalhar baseado em fatos e seguindo uma linha lógica de raciocínio para solucionar problemas. Na minha opinião, para que isso seja feito com perfeição as graduações e os professores envolvidos deveriam se preocupar (antes das disciplinas e conteúdos específicos básicos) em trabalhar no introduzindo os alunos no famoso pensamento científico. Disciplinas como técnicas de aprendizagem, história da ciência, lógica, método científico (conhecida como metodologia), estatística e até a temida matemática são importantes. Em alguns  cursos, nós até encontramos na grade curricular essas disciplinas, porém, se resumem a produção de textos de TCC´s ou apresentações de idéias.

O TCC é uma grande brincadeira de responder uma curiosidade! Durante os anos de graduação, você não teve nenhuma disciplina que te encantou? Então, nessa disciplina não surgiu alguma pergunta que te incomodou tanto a ponto de fazer você pesquisar?

Está aí! Esse seria um bom tema para seu TCC!

A graduação deve ser um momento para você ingressar no mundo acadêmico e mesmo que você não queria trabalhar com pesquisa, ou seguir a vida acadêmica, você deve entender como isso funciona! Se você acha preciosismo da minha parte, espere para receber o serviço prestado de um profissional que levou a graduação nas coxas, fez um TCC copiado de uma página na internet (ou comprado) e saiu para o mercado de trabalho sem sequer saber onde procurar um artigo da sua área. É bem sinistro mas existem MILHARES de profissionais a solta por aí com essa descrição cuidando de você, da sua esposa, da sua mãe, dos seus filhos… e cuidado esse pode ser você no final do curso!

Se você ainda está perdido na faculdade, clique aqui e ouça essas dicas!

Então, imagine que o TCC é um momento onde você vai fechar sua graduação. Você pode fechar com chave de outro ou chave de merda (desculpe a comparação mas em muitos casos é assim). Não trate seu TCC como um trabalhinho para tirar ponto ou como uma chatice burocrática para pegar o diploma. Identifique-se com o tema, seja apaixonado e curioso pela pesquisa e, POR FAVOR, não faça revisões de coisas que já não são novidade na sua área. É muito cansativo quando você pega um TCC com o tema “Efeito do exercício físico para emagrecimento”, “Efeito da musculação na hipertrofia” … é a mesma coisa que fazer um trabalho do tipo “Efeito da alimentação para matar a fome” ou “Efeito da hidratação para reduzir a sede”. Boring…

Crie perguntas interessantes e se tiver condições faça uma pesquisa da campo, saia das revisões! Não estou falando que as revisões são de ruins, já vi revisões sobre temas muito interessantes, o que estou falando é para sair do conforto da mesmice e não colocar um texto chato na biblioteca da faculdade com o seu nome impresso na capa.

“Quando voltava da escola, meus pais nunca me perguntavam o que eu aprendi, e sim, qual pergunta interessante eu fiz para o professor.”

Erik Kandel (Nobel em Fisiologia / 2000)

7 dicas para escrever seu trabalho de conclusão de curso

7 dicas para escrever seu trabalho de conclusão de curso

Por Yuri Motoyama

A escrita científica é uma das formas mais interessantes de se compor uma redação, pois sua natureza exige clareza e assertividade. Quando você escreve um trabalho de conclusão de curso, dissertação, tese ou artigo não pode ter espaço para mistérios ou a famosa “encheção de linguiça”.

Em primeiro lugar, eu digo que isso nem pode ser restringido apenas à redação científica e sim generalizado à forma como nos comunicamos no cotidiano. O ponto é: o brasileiro é prolixo! Falamos muito para dizer pouco!  Isso reflete na forma como escrevemos cientificamente que por consequência vai gerar um problema de grande escala quando pensamos na divulgação de informações relevantes aqui no país.

Agora uma pergunta: você costuma utilizar qual tipo de fonte para se manter atualizado? Livros? Textos pela internet? Artigos?

Conversando com muitos profissionais da área que atuo, vejo que poucos recorrem a artigos por dois motivos. São em uma língua estrangeira e tem a “fama” de serem muito complicados. Mas faça um teste, pegue um artigo de uma revista de qualidade da sua área e leia.

Por exemplo, meu orientador (como exercício) pediu para que lêssemos artigos da Science e Nature. Revistas de alto impacto científico. Eu já fui com um pé atrás achando que não ia entender nada. Fui ler um artigo sobre “água em marte”. Para minha surpresa, me deparei com uma escrita agradável, dinâmica e completamente digerível (considerando que era de uma área completamente diferente  da minha).

Se você quer trabalhar produzindo textos científicos e gosta da área acadêmica, sugiro o texto do professor Gilmar Esteves clicando aqui.

Bom, pensando nisso separei alguns pontos interessantes de um autor que me abriu as portas para essa forma de repensar a comunicação.

7 dicas para você usar em seu trabalho de conclusão de curso, monografia, tese, dissertação ou artigo.

  1. Construa frases lógicas e objetivas, o conhecimento científico (e eu me permito expandir para a comunicação em geral) é caracterizado pelo discurso lógico (objetivo). E é isso que o diferencia da arte, por exemplo, que passa os conteúdos de forma subjetiva.
  2. Palavras simples: o consumo da ciência não deve gerar dúvidas. Seja claro na apresentação das suas evidências e não fique procurando no dicionário termos para deixar seu texto mais “intelectual”.
  3. Frases curtas e sintéticas: Quanto maior a frase, mais vai exigir de uma perfeita estruturação lógica. Frases curtas promovem ao leitor facilidade de ir absorvendo sua ideia e ponderar sobre cada informação. Muitas vezes já li parágrafos tão grandes que no final já havia esquecido o começo.
  4. Elimine redundâncias: Não repita informações, o leitor está com o seu texto em mãos. Ele pode ir e voltar no momento que sentir necessidade.
  5. Tempo verbal consistente: A redação final não deve ser toda construída toda no mesmo tempo verbal. Tempos verbais diferentes indicam sua intenção em cada momento do texto.
  6. Voz ativa (discurso direto): Como estamos falando de reportar fenômenos de causa e efeito, é fundamental mantermos o foco que o sujeito é a causa da ação (ele atua sobre algo). Então se possível prefira ordenar as frases em sujeito->ação->efeito.
  7. Frases reunidas em parágrafo: Não existe parágrafo longo nem pequeno. Uma vez fui questionado sobre um texto com um parágrafo muito longo e cansativo. Porém, o que dá a pausa para esse descanso no texto é a pontuação e não o tamanho do parágrafo. Não se limite pelo tamanho do parágrafo e sim pela ligação das ideias que estão contidas nele.

Tópicos retirados do livro “Bases Teóricas para Redação Científica” do autor Gilson Volpato.

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Gostou, então dê uma espiada em www.gilsonvolpato.com.br


Referência

VOLPATO, Gilson Luiz. Bases teóricas para redação científica… por que seu artigo foi negado?. UNESP, 2007.