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Conheça Solos, os óculos inteligentes para ciclistas

Olá, pessoal!

Quem vos escreve é o Jandoza e, a partir de hoje, além de já ser integrante do Podcast 4×15, também serei colunista do site e publicarei matérias e reviews principalmente sobre treinamento de endurance e tecnologia.

Vamos começar falando de uma novidade apresentada na CES 2016 (Consumer Electronics Show – uma feira internacional de tecnologia): o Solos, um smartglass para ciclistas.

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Fonte: https://ksr-ugc.imgix.net/assets/011/250/472/099b4eb391664b705f796a1ba13c4130_original.gif?w=680&fit=max&v=1463620475&q=92&s=6c810376788184ec5bd8af54667c2891

Os óculos pesam 65 gramas (contra 25g em média de óculos de ciclismo tradicionais), o que é aceitável por conta de possuir bateria, circuitos e display, e recebem informações através seu smartphone ou de sensores que você tenha instalado na bike (ou esteja vestindo) tais como cadência, potência ou frequência cardíaca, através dos protocolos ANT+ e Bluetooth. Os óculos em si não possuem sensores próprios.

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O aplicativo dos óculos, que funciona como “central de controle”.

Quais as aplicações desse Smartglass?

É possível configurar através do aplicativo uma infinidade de visualizações diferentes, exatamente como já fazemos com nossos gadgets atuais.

Graças a magia de estar próximo aos olhos, o visor através das lentes parece 3x maior do que quando você olha para o seu ciclocomputador ou GPS de pulso, que geralmente está a distância do seu braço estendido. Para que isso não obstrua a sua visão do percurso (o que seria péssimo caso você queira se manter vivo), o visor conta com ajuste de altura flexível. O visor, segundo o fabricante, também é claro o suficiente para ser usado até em dias de sol forte sem que o mesmo fique “apagado” pela luz externa.

A duração da bateria é divulgada como sendo de 6 horas e os óculos ainda possuem microfones e alto-falantes duplos externos, permitindo ouvir informações sobre os indicadores ou atender chamadas (ideia não muito boa para quem pedala na estrada E no Brasil) enquanto pedala, sem obstruir os sons do ambiente externo.

Quanto a personalização, os óculos oferecem lentes intercambiáveis para que seja possível usar as transparentes para um pedal noturno, por exemplo.

Os óculos em prática

Os óculos também foram testados pelo time olímpico de ciclismo de pista Norte-Americano (US Cycling) nas Olimpíadas Rio 2016 durante os treinos e já estão em fase final de produção, tendo sua entrega prevista para o final deste ano aos apoiadores do projeto no Kickstarter, onde tudo começou.

Para quem quiser ter um desses, o preço de pré-venda é de $499, através desse site.

O post foi dica da nossa ouvinte e amiga Ana Andrade.

P.S.: Como sempre, já existem “espertos” anunciando os óculos no Brasil, pedindo um precinho camarada que daria para ir aos EUA, passar uns dias em Orlando se divertindo e voltar ao Brasil COM os óculos comprados lá. E quem sabe um iPhone. Tsc, Tsc.

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Podcast #52 – Tecnologias para auxiliar o treinamento físico

Olá pessoas!

Hoje vamos trazer um podcast cheio de bytes, botões, menus interativos, configurações, etc… Nesse episódio os professores Yuri Motoyama e Gilmar Esteves vão ser orelhas do Douglas Jandoza (nossa nova contratação). Nosso correspondente tecnológico nos trouxe uma pauta riquíssima de informações, recursos que você pode usar no seu celular até e deixar seu treino muito mais organizado e controlado.

Fique por dentro das novas tecnologias e também quais as utilidades dos aplicativos e acessórios que temos atualmente a nossa disposição. Vamos esperar até o dia que tudo isso esteja dentro de um equipamento só e seja chamado de “caixa materna”. rs

Links citados no podcast

Podcast crossover 4×15 e Playerselect sobre video games e sedentarismo;

Pulseira MiBand;

Garmin Vivo-Fitness;

Microsoft Band;

Caneleira de monitoramento Insight XM2;

Tecnologia para monitoramento de natação SWOLF;

 

 

 

 

 

Exoesqueletos para melhorar a performance: em breve você poderá estar usando um!

Por Yuri Motoyama

Fonte: Blog da revista Nature

No dia 1° de abril (e isso não foi uma mentira) o blog da revista Nature publicou uma reportagem sobre o desenvolvimento de uma tecnologia que está sendo amplamente utilizada para nos ajudar a “ultrapassar nossos limites”. Um exoesqueleto que utiliza um sistema de mola que se contrai paralelamente com o tendão calcâneo pode tornar a performance de uma caminhada 7% mais econômica.

O mais impressionante é que o mecanismo não precisa de energia para funcionar, tudo é baseado em um sistema de molas e catracas. Devido aos milhões de anos de evolução do nosso corpo humano, muitos pesquisadores não acreditavam que havia espaço para pesquisas que pudessem melhorar a biomecânica desse gesto tão utilizado, o caminhar.

Existem muitos exoesqueletos já em desenvolvimento que tem como objetivo aumentar a força humana (veja o vídeo abaixo), porém eles tem um grande problema que é a necessidade de uma fonte de energia. Quando se fala em fonte de energia chegamos a uma outra limitação na nossa tecnologia: baterias muito grandes. Basta olhar para seu celular, por exemplo, ele só não é menor ou mais fino porque ainda não existe tecnologia para diminuir as fontes de energia sem reduzir a capacidade de armazenamento.

A grande vantagem desse novo exoesqueleto, diz o pesquisador Michael Goldfarb, é que ele funciona como um sistema para reduzir o gasto energético e não para melhorar a força como a proposta dos outros exoesqueletos. Isso tem um efeito direto na nossa performance, porém sem a necessidade de utilização de baterias.

O sistema desenvolvido por Sawicki trabalha de forma paralela com a biomecânica humana. Nosso tendão calcâneo acumula uma grande quantidade de energia através das propriedades elásticas desse tecido, e essa energia é liberada a cada passo que damos quando nossa ponta do pé “empurra” o chão e nosso calcanhar levanta. O problema é que para armazenar de forma eficiente essa energia elástica, nossos músculos da perna precisam se contrair para resistir a distensão da musculatura, e isso seria uma ineficiência desse processo fisiológico diz o pesquisador.

O exoesqueleto desenvolvido é constituído de materiais leves baseados em fibra de carbono, ele funciona de forma relativamente simples. Uma mola que liga o calcanhar até a parte de trás da perna (próxima ao joelho) libera energia acumulada facilitando o movimento de “empurrar” o chão com a ponta do pé.  Na fase aonde o pé está suspenso e indo para o próximo passo, um sistema de engrenagens ligadas a essa mola, ajudam a otimizar a distensão da mola e preparar para o próximo passo (veja o vídeo abaixo).

Mas será que precisamos de equipamentos para melhorar a performance?

Um ponto que observamos em comum para essas tecnologias é que são todas desenvolvidas para finalidades militares, tornar um soldado mais forte, mais resistente e mais econômico é decisivo. Mas até que ponto isso é positivo para nós simples civis?

Imaginando o cenário esportivo, seria esse um ajuste para futuramente prevenir o corpo de possíveis lesões ou o objetivo do esporte é realmente colocar a capacidade humana (e não sobre humana) a prova. Se você está com sobrepeso e não consegue caminhar por longas distâncias, será que você seria beneficiado na utilização de uma tecnologia que tornasse sua performance mais econômica? E o problema da obesidade?

É claro que como tudo na vida, podemos utilizar tanto para o bem quanto para o mal. Penso em uma tecnologia dessas como uma forma de melhorar a qualidade dos movimentos de idosos e pessoas com deficiências físicas. Lembra do garoto que chutou a bola na abertura da copa do mundo no Brasil? Acredito que esses seriam os maiores beneficiados com o desenvolvimento dessas tecnologias.

Mas também não duvido que em um futuro próximo, muitas dessas tecnologias se tornarão comuns no nosso dia a dia. Você acha que não? Será que o controle remoto não seria um mecanismo para você economizar energia de não ter que levantar do sofá para mudar de canal? Será que o vidro elétrico do seu carro não é um conforto que te dispensa o trabalho de gastar energia girando uma manivela dura?

Vamos pensando…

Referência

WIGGIN, M. Bruce; SAWICKI, Gregory S.; COLLINS, Steven H. An exoskeleton using controlled energy storage and release to aid ankle propulsion. In: Rehabilitation Robotics (ICORR), 2011 IEEE International Conference on. IEEE, 2011. p. 1-5.

Popularizando a ciência do treinamento