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Podcast #73 – Valgo Dinâmico de Joelho

Olá pessoas!

E nesse podcast vamos falar um pouco sobre um tema que muito se vê na prática, que é o famoso Valgo de Joelho. Se você não sabe ainda do que se trata somente pelo nome, então escuta o cast que você vai saber que ja viu ou que vai ver muita gente que apresenta essa condição quando está fazendo exercício.

Nessa discussão temos os professores Renêe de Caldas, Gilmar Esteves e as nossas convidadas Fernanda Policarpo e Scarllet Alves que são fisioterapeutas e gestoras do projeto PHYSIO EM AÇÃO. Então, faça uma visitinha na página das meninas e prepare-se para ouvir um podcast com uma pauta diferenciada na qual esperamos muito saber qual é a sua opinião sobre o assunto!

Papo de esteira:

Indicação da Fernanda – autor de livros HALAN COBEN
Indicação da Scarllet – Filme CONTRATEMPO

Referências:

AMRAEE, D. et al. Predictor factors for lower extremity malalignment and non-contact anterior cruciate ligament injuries in male athletes. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy, 24 dez. 2015.

BARTON, C. J. et al. The relationship between rearfoot, tibial and hip kinematics in individuals with patellofemoral pain syndrome. Clinical Biomechanics, v. 27, n. 7, p. 702–705, 2012.

BITTENCOURT, N. F. N. et al. Foot and hip contributions to high frontal plane knee projection angle in athletes: a classification and regression tree approach. The Journal of orthopaedic and sports physical therapy, v. 42, n. 12, p. 996–1004, dez. 2012.

MUNRO, A.; HERRINGTON, L.; CAROLAN, M. Reliability of 2-Dimensional Video Assessment of Frontal-Plane Dynamic Knee Valgus During Common Athletic Screening Tasks. Journal of Sport Rehabilitation, v. 21, p. 7–11, 2012.

OLSON, T. J. et al. Comparison of 2D and 3D kinematic changes during a single leg step down following neuromuscular training. Physical Therapy in Sport, v. 12, n. 2, p. 93–99, 2011.

PARK, K.-M.; CYNN, H.-S.; CHOUNG, S.-D. Musculoskeletal Predictors of Movement Quality for the Forward Step-down Test in Asymptomatic Women. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, v. 43, n. 7, p. 504–510, jul. 2013.

POWERS, C. M. The influence of abnormal hip mechanics on knee injury: a biomechanical perspective. The Journal of orthopaedic and sports physical therapy, v. 40, n. 2, p. 42–51, fev. 2010.

SIGWARD, S. M.; OTA, S.; POWERS, C. M. Predictors of frontal plane knee excursion during a drop land in young female soccer players. The Journal of orthopaedic and sports physical therapy, v. 38, n. 11, p. 661–667, nov. 2008.

UGALDE, V. et al. Single Leg Squat Test and Its Relationship to Dynamic Knee Valgus and Injury Risk Screening. PM&R, v. 7, n. 3, p. 229–235, mar. 2015.

 

Podcast #72 – O que rolou no Congresso Europeu de Ciências do Esporte (ECSS) 2017

Olá pessoas

Nesse podcast vamos trazer as informações do último congresso europeu de ciências do esporte (ECSS 2017). Uma das nossas propostas futuras é conseguir gravar programas sobre alguns congressos importantes que conseguirmos participar para que vocês, ouvintes, também possam ficar sabendo das novidades e quem sabe se interessem a participar de alguma edição futura. Para isso estamos com os professores Yuri Motoyama, Gilmar Esteves e Renêe Caldas discutindo o que há de novidade no mundo da ciência aplicada ao esporte!

Lembrando que estamos retomando nosso projeto de patronato, isso é uma forma de vocês, que acompanham e gostam do conteúdo, ajudarem para que possamos pagar as despesas relacionadas a produção desse conteúdo.

Links citados no podcast

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Dragões de Garagem (Doping);

E vamos para Dublin em 2018!

 

Lactato, a redenção! Do lixo para o luxo metabólico

Por Yuri Motoyama

Hoje vou resenhar aqui um artigo muito interessante que saiu no periódico International Journal of Molecular Sciences do grupo MDPI sobre Lactato (para ler o artigo na íntegra basta clicar na referência no final do texto.) Coincidentemente passamos por um período de olimpíadas onde vimos ainda muitos apresentadores vomitando pérolas como “olha aí o atleta parando por conta do excesso de ácido-lático”. Acredito que dentro do meio acadêmico, a teoria do Lactato já pode ser considerada o paradigma vigente desconstruindo a antiga teoria da formação do ácido-latico e sua consequente contribuição para a acidose celular. Agora, já passamos para um novo  patamar dessa discussão que está relacionada a  função do Lactato dentro do sistema nervoso central.

Se você estiver interessando nessa discussão pode clicar aqui e ouvir um podcast ou clicar aqui e ler um texto introdutório sobre lactato.

No século 18, um pesquisador chamado Carl Wilhelm Scheele observou in vitro diversos ácidos orgânicos, entre eles estava o ácido-lático.  Desde então, subsequentes estudos sobre exercício e fadiga apontavam para uma molécula peculiar presente em músculos fadigados. E por essa molécula sempre se apresentar em um ambiente ácido (muitos protons de H+) foi chamada de ácido-lático.

Exercício e produção de Lactato

Durante uma atividade física intensa, as células musculares sintetizam muito ATP através da transferência de energia vinda da glicólise e também do fosfato de creatina, também chamado de metabolismo anaeróbio. Nessa situação, o metabolismo celular não consegue utilizar o metabolismo aeróbio (fosforilação oxidativa) para continuar com a ressíntese de ATP dentro da mitocôndria. Assim, para que a transferência de energia vinda da glicólise continue, é necessário que o subproduto do metabolismo (piruvato) não se acumule. Lembrando que o acumulo de algumas moléculas, como o piruvato, podem inviabilizar enzimas glicolíticas e parar com todo o processo de transferência de energia! Então, o piruvato não utilizado pelas vias aeróbias de transferência de energia, é reduzido à Lactato pela enzima lactato desidrogenase (LDH) e consequentemente oxidando um NADH+H+ para NAD+.

O Lactato também pode ser considerado como um metabólito importante do sistema aeróbio, já que ele pode ser utilizado por fibras do tipo I e cardíacas para a formação de acetil-CoA na mitocôndria. Uma grande parte da produção de Lactato dos músculos ativos é reutilizada pelos músculos inativos ou que estejam com uma disponibilidade ideal de O2. Outros órgãos que também se beneficiam desse metabólito são o fígado é o cérebro.

Captação de Lactato pela barreira hematoencefálica e transportadores de monocaboxilato

Caso você esteja vendo esses termos pela primeira vez, vale a pena dar uma olhadinha nos artigos de um autor chamado Brooks que definiu o termo “lançadeira de lactato”. Termo que se refere aos transportadores de lactato que temos na membrana celular e mitocondrial. Um caso interessante de “lançadeira de lactato” observado na literatura está entre as células gliais (especialmente astrócitos). Antigamente, essas células não eram tão consideradas no funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC) pois achava-se que apenas serviam de “suporte” para a estrutura neuronal. Hoje muitas funções do sistema nervoso são atribuídas a esse conjunto de células que compõem 10x mais o número de neurônios.

Dentre os mais de 10 subtipos de transportadores de monocarboxilato (MCT) temos dois subtipos interessantes nessa conversa. O MCT-1 que através de um sistema de co-transporte “puxam” o Lactato e um próton H+ para dentro de uma estrutura (célula muscular, mitocôndria, células do SNC) e os MCT-4 que “expulsam” pelo mesmo sistema de co-transporte Lactato e H+.  Já é observada a presença de MCT-1 na barreira hematoencefálica e MCT-2 nos elementos pós sinápticos das sinapses glutamatérgicas, mostrando uma importância do lactato como fonte de energia para intensas atividades neuronais. No SNC temos a expressão de MCT-4 na membrana dos astrócitos tanto nos processos pré-sinápticos quanto em seus pés-vasculares.

Aqui já podemos imaginar um cenário onde o Lactato pode interagir diretamente com as células do SNC. Outro ponto que não podemos esquecer com relação as células gliais, especificamente os astrócitos, é sobre sua função sobre os estoques de glicose como glicogênio. Isso nos dá um suporte energético em condições de restrição de glicose.

Evidências (veja o artigo citado no final) mostram que tanto astrócitos quanto neurônios podem utilizar o Lactato, convertê-lo em piruvato e reutiliza-lo no ciclo do ácido cítrico para transferência de energia em forma de ATP.  Outro fato curioso é que esse sistema astrócito-neurônio de transporte de lactato parece estar relacionado com a memória de longo prazo. Fenômeno observado em atividades cognitivas intensas no hipocampo onde há glicogenólise elevada (no astrócito) e produção de lactato que são transferidos para os neurônios quando o suprimento de glicose local não são suficientes.

Lactato, exercício físico e benefícios cognitivos

Já existem evidências sobre efeitos neurogênicos e neuroplásticos do exercício físico (procure no Pubmed pelos artigos do professor Terrence Sejnowski). Agora temos mais uma peça nessa quebra-cabeças com a presença do Lactato como metabólito ativo do SNC. Em modelos animais, ratos submetidos a atividades intensas apresentaram redução da glicemia com aumento da produção de lactato no hipocampo, cerebelo, cortex e tronco cerebral. Outras evidências mostram uma utilização do lactato produzido nas células musculares, durante exercícios físicos, em neurônios através do MCT.

Além desse papel fundamental no suporte de energia das células do SNC, também temos a presença do Lactato nas vias de comunicação que podem modular a tensão dos vasos dentro do SNC, como também na angiogênese (proliferação capilar) e no crescimento celular.

A redenção do Lactato!

É interessante pensarmos que estamos falando de um processo de mudança completa de paradigma em relação ao velho “ácido-lático”. Agora, além de temos muitas evidências mostrando o Lactato como um protelador da fadiga (e não um promotor), estamos direcionando a conversa para um novo patamar. Estamos falando que a produção de lactato, promovida pelo exercício físico, pode ter efeitos positivos fisiológicos e também patológicos sobre o envelhecimento do SNC e doenças neurodegenerativas.

Se você gosta de uma polêmica envolvendo o Lactato não deixe de comentar e contribuir com a discussão! Se você achou essa resenha interessante compartilhe com seus amigos!

Referências

BROOKS, George A. Lactate. Sports Medicine, v. 37, n. 4-5, p. 341-343, 2007.

PROIA, Patrizia et al. Lactate as a Metabolite and a Regulator in the Central Nervous System. International Journal of Molecular Sciences, v. 17, n. 9, p. 1450, 2016.

 

Existe adaptação dos tendões no treinamento de força?

Por Fabio Rocha

Nas discussões envolvendo sobrecarga mecânica, principalmente as que destacam o treinamento de força, é muito comum encontrarmos estudos apontando diversos benefícios que essa prática corporal (treinamento de força) exerce no músculo esquelético, e muitos deles já são bem fundamentados. Agora, como ficam os tendões nessa história? Vamos ao texto de hoje!

Antes de avançarmos, é necessário compreender a diferença entre o “estresse mecânico” e “estresse metabólico“

  • O estresse mecânico, também encontrado na literatura como estresse tensional, pode ser entendido como sendo a forma de propiciar estímulos através de cargas externas elevadas (Schoenfeld, 2010);
  • O estresse metabólico, consiste na realização de exercícios com redução drástica ou progressiva da carga externa, levando a depleção (diminuição) de substratos energéticos, acúmulo de metabólitos, hipóxia (baixa disponibilidade de oxigênio) e aumento das espécies reativas de oxigênio (EROs) (Teixeira, 2015);

Uma meta-análise publicada pelos autores BOHM et al (2015) teve por objetivo revisar os diferentes estudos que verificaram adaptações nos tendões patelar e calcâneo, devido a sobrecarga mecânica imposta pelo treinamento. Um dos critérios para escolha foi de que os estudos deveriam conter humanos assintomáticos (não ter qualquer doença) na sua amostra. Os estudos analisaram a rigidez tendínea (um conceito da biomecânica que podemos entender como uma relação de tensão x comprimento, que está diretamente relacionado a produção de energia elástica), módulo de Young (razão entre a tensão e a deformação de acordo com a carga aplicada), e área de secção transversa.

Gosta de treinamento de força, então clique aqui e ouça um programa sobre o método de treino PIRÂMIDE!

O valor de effect size (tamanho do efeito) apresentou valores de 0,70 para rigidez no tendão, 0,69 para o módulo de Young e 0,24 para área de secção transversa. O efeito para intervenção geral nas três variáveis analisadas, foi significativa, independente da sobrecarga aplicada. Entretanto, a grande diferença com relação a rigidez e módulo de Young entre os estudos, sugerem que as diferentes sobrecargas impostas, pode ter afetado as respostas adaptativas.

Outro fator curioso que os autores constataram, é que o tipo de contração muscular (concêntrica, excêntrica e isométrica), parece ser irrelevante com relação a adaptação tendínea.

Sobre os efeitos crônicos nesse contexto, a rigidez parece ser mais pronunciada em comparação a área de secção transversa.

Os autores concluíram com essa meta-análise que sobrecargas mecânicas elevadas, são mais eficazes para promover adaptação nos tendões, e que estímulos com durações longas (> 12 semanas) trazem mais resultados quando comparados aos estímulos mais curtos.

Ao final desse texto, podemos destacar alguns pontos importantes:

  1. A sobrecarga mecânica é um fator importante para se analisar quando o objetivo for promover alguma adaptação nos tendões com o treinamento;
  2. Os tendões respondem a alteração dessa sobrecarga, adaptando-se ao estímulo imposto, alterando sua mecânica (rigidez), material (módulo de Young) e podendo em alguns casos, alterar suas propriedades morfológicas (área de secção transversa);
  3. O efeito crônico do exercício, destaca a predominância de um benefício sobre os outros.

Até o próximo texto!


REFERÊNCIAS:

BOHM, S.; MERSMANN, F.; ARAMPATZIS, A. Human tendon adaptation in response to mechanical loading: a systematic review and meta-analysis of exercise intervention studies on healthy adults. Sports Med Open, v. 1, n. 1, p. 7, 2015.

SCHOENFELD, B. J. THE MECHANISMS OF MUSCLE HYPERTROPHY AND THEIR APPLICATION TO RESISTANCE TRAINING. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 24, n. 10, p. 2857-2872, 2010.

TEIXEIRA, C. V. L. Métodos avançados de treinamento para hipertrofia. CreateSpace. 2ª edição. 2015.

Podcast #33 – Monitoramento da Carga de Treinamento

Olá Pessoas!

Nesse podcast os professores Yuri Motoyama, Gilmar Esteves, Paulo Eduardo, Fabio Rocha e o nosso convidado especial o consultor científico Rodrigo Gianoni! Nesse bate papo vamos conversar sobre como monitorar as cargas de treinamento para que possamos atingir resultados sem levar o corpo a uma sobrecarga que possa ter resultados negativos.

Ouça, compartilhe e sempre que quiser nos escreva com suas opiniões sobre os temas e o formato do podcast. Deixe sua mensagem no endereço contato@4×15.com.br

Para um melhor aproveitamento é recomendado o uso de fones de ouvido.

Links citados no podcast

Clique aqui para acessar a página do ciclo de conferências em educação física e esporte.

Clique aqui e veja o livro do professor Inigo Mujika sobre periodização do treino.


Referência

NAKAMURA, Fabio Yuzo; MOREIRA, Alexandre; AOKI, Marcelo Saldanha. Monitoramento da carga de treinamento: a percepção subjetiva do esforço da sessão é um método confiável?-doi: 10.4025/reveducfis. v21i1. 6713. Revista da Educação Física/UEM, v. 21, n. 1, p. 1-11, 2010.