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Hipertrofia: Estresse mecânico ou metabólico?

Por Fabio Rocha

Atualmente vejo uma vasta utilização do estresse mecânico e estresse metabólico na área do treinamento, a grande pergunta que ainda paira no ar é “Qual a contribuição desses dois conceitos para o aumento de hipertrofia muscular?”. Hoje iremos discutir um artigo de revisão recentemente publicado sobre essa temática, mas antes de tudo vamos para a definição dos termos:

  • Estresse mecânico: Todo e qualquer treinamento que seja feito utilizando altas cargas externas
  • Estresse metabólico: Nesse conceito encaixam-se os treinos com alta produção de metabólitos no organismo. Por exemplo, íons H+, lactato, adenosina monofosfato, dentre outros…

Para ficar mais claro como seria a aplicação desses conceitos, vou usar o treinamento de força em dois exemplos. O primeiro é o indivíduo que realiza o treino com uma intensidade correspondente a 95% de 1RM (estaria mais próximo do estresse mecânico). Agora imaginem o mesmo treino, só que agora com uma intensidade de 30% de 1RM (estando mais próximo do estresse metabólico). O que diferencia esses dois tipos de treinamento além da intensidade? O número de repetições que os indivíduos farão, sendo óbvio o maior valor concentrando-se na menor intensidade (princípio da interdependência de volume x intensidade). Com isso em mente, é intuitivo pensarmos que o estresse ocasionado na musculatura será diferente nas duas condições. Vamos para o artigo então…

Poderia existir uma supremacia entre o estresse metabólico e o mecânico para a hipertrofia?

O primeiro ponto interessante são as duas figuras que os autores apresentam para explicar a influência que o treinamento de força executado até a falha e o de resistência cardiorrespiratória tem sobre a hipertrofia muscular (figura 1). E ainda considerando os dois métodos, mas agora com restrição de fluxo sanguíneo (figura 2). Para verificar quais foram os critérios para construção do modelo, sugiro a leitura do artigo na íntegra.

Figura 1: Treinamentos sem restrição de fluxo e sua contribuição para hipertrofia muscular

 

Figura 2: Treinamentos com restrição de fluxo e sua contribuição para hipertrofia muscular

Um ponto que pode ajudar a explicar o motivo pelo qual treinos de força com baixas cargas podem levar a uma hipertrofia semelhante quando comparado ao treinamento tradicional realizado com intensidades elevadas (≥ 70% de 1RM), é o acúmulo de metabólitos na musculatura, o que compensaria a diminuição do estresse mecânico.

Outro ponto que é discutido sobre treinamento e hipertrofia, é a realização de exercícios de resistência cardiorrespiratória. Podemos entender o motivo pelo qual esse tipo de exercício pode induzir a hipertrofia muscular, principalmente pelo fato dos resultados de aumento de trofismo (tamanho) muscular ser mais evidenciado em exercícios de alta intensidade (Onde vai ter maior produção de metabólitos, no exercício moderado ou o de alta intensidade?). Outro ponto que os autores levantam (e podemos observar isso na figura 1) são os exercícios realizados em bicicletas que apresentam resultados mais expressivos para hipertrofia muscular quando comparado com os exercícios de caminhada. Imagine que agora além do estímulo metabólico, haverá também a adição do estresse mecânico (ato de pedalar) no exercício. Vale ressaltar que pelas características dos treinamentos de força, eles são ainda os que mais promovem hipertrofia muscular.

Ainda na questão de hipertrofia muscular, para que o treino afete de maneira significativa esse objetivo, o mesmo deve interferir no ambiente anabólico/catabólico na musculatura esquelética (priorizando as vias responsáveis pelo anabolismo, levando a síntese protéica, aumentando a hipertrofia muscular). Tem sido sugerido que treinos com estresse metabólico predominante, desencadeiam a síntese de proteínas musculares. Porém, os autores mencionam que ainda não há um consenso se o treinamento com altas intensidades são mais efetivos para hipertrofia muscular quando comparados com os treinos de baixas intensidades.

Se você curte o tema hipertrofia, clique aqui e ouça esse podcast sobre o método de treinamento pirâmide crescente.

Agora como que fica essa questão quando a restrição de fluxo sanguíneo é aplicada? Vou deixar essa discussão para o próximo texto, mas no artigo os autores já discutem alguns pontos importantes. Deixe ai nos comentários pontos para discutirmos a respeito desse tema.

Até a próxima!

Referencia

OZAKI, Hayao et al. Muscle growth across a variety of exercise modalities and intensities: Contributions of mechanical and metabolic stimuli. Medical hypotheses, v. 88, p. 22-26, 2016.