Treinamento Concorrente: correr, levantar peso ou fazer os dois? Parte 1/3

Por Yuri Motoyama

O treinamento concorrente passou a ser muito popular nos últimos 50 anos, para visualizar isso basta contar o número de esteiras que existiam em uma sala de musculação dos anos 70 para as salas de hoje em dia. Atualmente temos um número crescente de alunos interessados em correr paralelamente com seus treinos de força.

Aí vem um velho ditado primo da “manga com leite” que diz: – Se você correr você queima a musculatura! (aiiiii)

Eu acho que as duas únicas coisas que isso realmente queima são os meus ouvidos e os neurônios de quem fala.

As pesquisas que estudam treinamento concorrente geralmente coparam 3 tipos de treino: o treino exclusivamente aeróbio (corrida ou ciclismo), o treinamento de força (musculação propriamente dita) e a combinação dos dois tipos (chamado de treinamento concorrente). Uma meta-análise feita por Wilson (2012) coletou dados de 21 estudos sobre treinamento concorrente e observou que:

  • O treinamento de força tem os mesmos ganhos de massa magra (hipertrofia), mesmo quando feito de forma concorrente (em conjunto com aeróbio).
  • O treinamento de força tem os mesmos ganhos de força, mesmo quando feito de forma concorrente.
  • A potência muscular é maior quando o treinamento não é concorrente. Treinar somente força tem melhores resultados na potência.
  • O treinamento concorrente promove alterações positivas do VO2max (consumo máximo de oxigênio) da mesma forma que o aeróbio. Já o treinamento de força sozinho não promove nenhuma alteração crônica do consumo de VO2max.
  • Todos os tipos de treinamento se mostraram eficientes para promover a redução de gordura corporal.

Se formos analisar os resultados de forma geral pensando em alunos com objetivos de melhorar a saúde e a qualidade de vida (aqui excluo temporariamente os esportes). Temos grandes vantagens em voltar nossos treinos para uma divisão onde caibam treinos de força associados com treinos aeróbios. Eu sempre imagino o treinamento como uma forma de tornar seu corpo uma máquina equilibrada. Se formos brincar com os exemplos, eu não preciso de um trator nem de um carro de fórmula 1 quando eu posso ter uma Land Rover (ah como eu gostaria de uma).

Gosta do tema? Então acompanhe nossas futuras postagens que vamos nos aprofundar em alguns aspectos importantes desse tema!

Clique aqui e leia a parte 2 dessa postagem!


Referência

Wilson, Jacob M., et al. “Concurrent training: a meta-analysis examining interference of aerobic and resistance exercises.” The Journal of Strength & Conditioning Research 26.8 (2012): 2293-2307.

  • Yuri Motoyama

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