Treinamento Concorrente: correr, levantar peso ou fazer os dois? Parte 2/3

Por Yuri Motoyama

Vamos entender um pouco mais sobre o treinamento concorrente.(TC).  Para tornar a leitura menos maçante, nessa postagem vou me ater às teorias envolvidas nesse processo que podem explicar a existência de prejuízos relacionados ao TC e nas próximas mostrarei os resultados e a discussão sobre o assunto.

Clique aqui para ler a postagem anterior com uma introdução ao tema.

Uma série de esportes precisam combinar força e endurance (resistência aeróbia). Os treinadores dessas modalidades precisam combinar em seus treinos treinamentos com objetivos para melhorar a força e concomitantemente a resistência à fadiga. Se formos observar o famoso e controverso futebol, os atletas precisam ter vias metabólicas (glicolítica e oxidativa) suficientemente boas para manter o ritmo de jogo, o posicionamento em campo e a marcação de áreas. Porém, em alguns casos o mesmo jogador precisa ter uma via rápida (ATP-CP e glicolítica) treinada para poder dar tiros de velocidade ou imprimir força para a potência em um chute por exemplo.  Observarmos essas características em várias modalidades esportivas.

A polêmica que envolve o treinamento concorrente é que existem estudos que mostram decrementos na força, hipertrofia e potência enquanto outros estudos mostram incrementos nessas 3 características musculares. Dados mais recentes mostraram um incremento da força com uma variação de -12 a 87% na força após uma série de treinamento concorrente (KARAVITA et al., 2011) E agora o que fazer?

Quer aprender um pouco mais sobre métodos para o treinamento de força, clique aqui e fique atento a nossas atividades.

Para tentar clarear um pouco o tema, pesquisadores realizaram uma meta-análise para verificar o que a literatura científica mostra a respeito do tema (WILSON, JACOB M. et al, 2012).

Uma das explicações existentes para possíveis prejuízos na força e hipertrofia com o TC é a hipótese das interferências entre as adaptações crônicas de cada tipo de treinamento (força e endurance). Essa teoria hipotetiza que o supertreinamento (overreaching ou overtraining) causado pela adição do treino de endurance poderia prejudicar os resultados na força levando a um dano muscular maior que a capacidade de ressíntese.

Sob um ponto de vista molecular o treinamento de endurance promove uma maior densidade mitocondrial enquanto o treinamento de força uma maior densidade miofibrilar. Pesquisas mostram um prejuízo na via de sinalização PI3K-AKT-mTOR (também responsável pela síntese de proteína) quando o treinamento de força é feito após o a depleção de glicogênio provocada pelo exercício de endurance (Creer et al., 2005; Hawley, 2009).

Mas fique tranquilo que essa história não acaba aqui. Semana que vem temos os próximos capítulos dessa novela.

Clique aqui para ver a última parte relacionada a essa série de posts!


Referências

Creer, A, Gallagher, P, Slivka, D, Jemiolo, B, Fink, W, and Trappe, S. Influence of muscle glycogen availability on ERK1/2 and Akt signaling after resistance exercise in human skeletal muscle. J Appl Physiol 99: 950–956, 2005.

 Hawley, JA. Molecular responses to strength and endurance training: Are they incompatible? Appl Physiol Nutr Metab 34: 355–361, 2009.

 Karavirta, L,Ha¨kkinen, K, Kauhanen, A, Arija-Blazquez, A, Sillanpaa, E, Rinkinen, N, and Ha¨kkinen, A. Individual responses to combined endurance and strength training in older adults. Med Sci Sports Exerc 43: 484–490, 2011.

Wilson, Jacob M., et al. “Concurrent training: a meta-analysis examining interference of aerobic and resistance exercises.” The Journal of Strength & Conditioning Research 26.8 (2012): 2293-2307.

  • Yuri Motoyama

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