Treinamento físico experimental: conheça um pouco sobre pesquisas com exercícios em “ratinhos” de laboratório

Por Mariana Eiras

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Modelo para treinamento com escalada simulando um exercício de força. Neves et al. (2016). “Treinamento de força em ratos espontaneamente hipertensos com hipertensão arterial grave.” Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 106(3): 201-209.

A utilização de animais para melhor entendimento do organismo começou com Hipocrátes (450 a.C) que utilizava órgãos de animais para comparar com órgãos doentes de humanos (Pompeu et al., 2004). Os estudos com animais proporcionaram e continuam ajudando no avanço de grandes áreas como a medicina, a farmácia e a nossa área também, a Educação Física evoluiu muito com a ajuda de experimentos com animais.

Hoje em dia existem diversos tipos de protocolos de treinamento físico utilizados para roedores (ratos e camundongos). Estas pesquisas na maioria das vezes pretendem descobrir o melhor tipo de exercício, volume e intensidade para diversas comorbidades, como hipertensão, obesidade, diabetes, entre outras.

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Mas por que utilizar roedores?

Bom, os organismos destes animais são muito semelhantes ao nosso organismo, isso facilita a transição dos conhecimentos. As pesquisas realizadas com animais tem caráter mais invasivo, geralmente com extração de tecidos para diversos tipos de análises complicadas para realizar em humanos, como análise morfológica e molecular.

E como os animais realizam os exercícios?

Existem alguns tipos de aparatos. Por exemplo, para realizar exercício aeróbio existem esteiras, piscinas e rodas de atividade específica para roedores; já para exercício resistido os tipos mais utilizados são a escalada e o agachamento.

Assim como para o humano, existem protocolos para determinação da intensidade do exercício. Os mais utilizados são a máxima fase estável de lactato e a determinação do VO2 máximo.

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Ergômetro (esteira) para treinamento de roedores.

Vamos para um exemplo de estudo experimental:

Em um dos trabalhos mais clássicos sobre hipertensão e exercício físico, Overton et al.(1988) utilizaram 19 ratos espontaneamente hipertensos para descobrir qual duração de exercício físico seria melhor na diminuição da pressão arterial. Os animais foram distribuídos em 2 grupos, o primeiro grupo correu na esteira por 20 minutos e o segundo grupo correu por 40 minutos .

Todos os animais correram em uma intensidade de 70% do VO2 máximo.  30 minutos após o exercício agudo, a pressão arterial dos animais foi aferida. O resultado encontrado mostrou que 40 minutos de corrida a 70% do VO2 máximo proporciona uma maior queda da pressão arterial.

Esse é só um exemplo, pois existem muitos trabalhos na literatura com exercício físico e animais, e é importante ressaltar aqui que todos esses experimentos são SEMPRE submetidos e aprovados aos comitês de ética em pesquisas com animais.


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Referências

Pompeu E., Gimenez M. P., Camargo R. S. Medicina legal e ética experimental. Revista Brasileira de Medicina Legal [online]. 2004. Disponível em: http://www.revistademedicinalegal.com.br. Acesso em: 28 abril de 2016.

Overton J. M., Joyner M. J., Tipton C. M. Reductions in blood pressure after acute exercise by hypertensive rats. Journal of Applied Physiology, v. 64, n. 2, p. 748-752, fev. 1988.