Você tem um ídolo profissional? Até que ponto isso é bom?

Por Yuri Motoyama

Durante a nossa vida encontramos várias pessoas que acabam marcando sua passagem com algum ponto admirável. Na nossa vida profissional isso também acontece. Sabe aquele professor da faculdade que faz você pirar na aula de fisiologia? Sabe aquele professor da academia que você treina que é um exemplo de profissionalismo? Sabe aquele nutricionista que passa toda segurança do mundo durante a consulta? Sabe aquele palestrante que faz você sair do evento querendo mudar o mundo? Sabe aquele texto que você lê na internet que faz você procurar o autor e curtir ele no facebook?

Então, é isso que eu estou falando…

Eu também tenho meus ídolos profissionais, porém a minha postura mudou um pouco como passar do tempo. Nessa relação fã e ídolo tem um ponto muito perigoso que eu chamo de fanatismo. Para mim o fanatismo não é quando você persegue o seu ídolo, quer tirar foto com ele ou quer um autógrafo dele em um livro. Isso é admiração e eu também tenho meus momentos como admirador. O problema é quando o fanatismo apaga um dos principais pontos de um bom profissional: o senso crítico!

Durante minha graduação tive professores que idolatrei tanto que se eles me falassem que andar de quatro na esteira ergométrica era bom eu ia prescrever para meus alunos (rs)! Percebeu onde mora o perigo? Existe uma grande diferença entre a ciência e a religião (espero que os religiosos não encarem isso como uma ofensa), na ciência você tem que estar aberto a criticas, duvidas e questionamentos enquanto na religião boa parte do caminho é através da fé e aceitação. Durante minha graduação eu não ousaria questionar meu ídolo, mesmo que eu tivesse lido alguma coisa diferente da que ele estava ensinando. Eu tinha fé total no que ele falava. Conheço um excelente profissional que durante um congresso (lotado de pesquisadores) questionou um dado apresentado por um renomado cientista. Sabe o que aconteceu? Os “seguidores” dele, pseudo-cientistas ficaram indignados e olharam torto para ele.

Percebeu onde eu quero chegar? Se você quer ser um bom profissional, seja de qualquer área não tenha fé! Tenha criticas! Tenha sempre um pé atrás quando receber uma informação! Sabe por que? Porque só assim você abre sua mente para um mundo onde o conhecimento não tem limites. Uma pessoa não vai ser um “ponto final” do seu conhecimento e sim uma “interrogação”. Brinco com a frase “a interrogação é uma porta enquanto a exclamação é uma parece” (essa vou patentear, rs). Somos criados sob um sistema de controle de massas muito bem organizado, onde o “sistema” quer e precisa de pessoas que abaixem a cabeça e digam: Sim senhor! Correto senhor!

Agora, o patinho feio é aquele aluno que está no meio de uma aula onde o povo está de pé aplaudindo com suor nos olhos, ele levanta a mão e diz: eu não concordo com isso professor, eu já li uma coisa diferente em outro lugar.

Se você acha isso um absurdo, se tem um colega seu que é assim (questionador) e acha ele um chato porque ele pergunta uma coisa bem no final da aula e você quer ir embora. Então te convido a pesquisar e procurar o “sistema” de controle de massas.

Se você é o cara critico e questionador, parabéns! Não perca essa qualidade, não deixe que a massa (que vai olhar torto para você) apague essa característica sua. Eu tenho certeza que você vai fazer a diferença!

Apresentação1Ah, e sabe aquele ídolo profissional que você pensou no começo do texto? Aquele cara você aplaude de pé e assovia! Então, ele também não fazia parte da massa. Coloco minha mão no fogo que ele era o “chato da turma”.

  • Yuri Motoyama

    ok

  • Jonathan S. Chavarro.

    Um bom texto para refletir…
    Foi um profesional que eu admiro muito que levou-me nesse texto. Ele me ensino ter senso crítico, ele disse “nao acredite nem em mim” e é isso o que eu faço. O mundo do conhecimento é doido, mas nesse caminho vamos, sempre com vontade de questionar sem ser ou parecer idiota! Abraço…

    • Yuri Motoyama

      Nós podemos falar que temos sorte de termos educadores que nos ensinaram a importância de se cultivar o senso crítico e construir seu próprio caminho né?

      • Jonathan S. Chavarro.

        Temos sorte sim. somos nós que construimos nosso caminho. Abraço aí,continuo curtindo essa ideia maravilhosa de divulgar e discutir a ciência.