5 fatos interessantes sobre a Percepção Subjetiva de Esforço

Por Gilmar Esteves

Diversas modalidades de exercícios (aeróbio e resistido) utilizam a percepção subjetiva de esforço (PSE) como um meio de prescrição de intensidade ou para avaliar a intensidade de esforço que o indivíduo está sentindo em um determinado momento ou para indicar que um indivíduo entrou em fadiga. Mesmo sendo uma técnica muito utilizada no meio esportivo e em pesquisas científicas, algumas dúvidas ainda nos cercam quando discutimos a percepção do esforço. Vamos lá.

Quais fatores influenciam na percepção subjetiva de esforço

A Percepção Subjetiva de Esforço é um evento que envolve informações psico-fisiológicas, onde o sistema nervoso central interpreta toda informação da periferia para então indicar a sensação de esforço que naquele momento o indivíduo esta sentindo, portanto ela responde a alterações periféricas como frequência cardíaca, variáveis respiratórias, pH, substrato energético e outros. Também existem algumas alterações centrais que não podemos descartar como temperatura, fluxo sanguíneo, fornecimento de substratos ou algumas substâncias como dopamina, triptofano, interleucina-6 e serotonina. Além desses citados, existem uma série de fatores que podem ser sensíveis ao aumento da Percepção Subjetiva de Esforço. Um dos grandes pontos dessa discussão é se um desses fatores é determinante ou um conjunto de fatores se torna necessário para construção da PSE.

A Percepção Subjetiva de Esforço responde somente a intensidade do exercício ou ela também é sensível a duração do exercício?

Pois bem, acredito que os dois fatores. Vamos imaginar que um indivíduo esteja correndo em uma intensidade fixa abaixo do limiar anaeróbio, a Percepção Subjetiva do Esforço dele vai aumentar gradativamente até o fim do exercício sem necessariamente existir um aumento de intensidade, portanto foi uma resposta da duração total do exercício e não somente da intensidade. Recentemente nosso grupo de pesquisas (GEPEFEX) realizou uma pesquisa na qual os indivíduos pedalavam em uma intensidade supramáxima por 30 segundos, (famoso e temido teste de Wingate), mas estranhamente eles indicaram uma PSE baixa mesmo sendo um teste extremamente exaustivo, porém eles sabiam que fariam mais 3 sprints supramáximos em sequência e com isso a duração total do esforço pode ter influenciado na resposta dos indivíduos naquele primeiro momento.

Em qual região do nosso encéfalo é construída a Percepção Subjetiva do Esforço?

Será que o sistema nervoso central como um todo é responsável por modular as respostas a PSE? Eu penso que como um todo não, mas não é apenas em uma região do cérebro que ela é modulada. Alguns estudos indicam áreas como o córtex frontal, córtex pré-frontal, córtex cingulado anterior, o tálamo e córtex temporal. Uma região que apresenta uma forte modulação quanto a PSE é o córtex insular, que é uma área responsável pelos sentimentos do corpo, mas acredito que esta região por si só não seja a determinante na resposta da PSE, e sim uma interação com outras áreas.

Quer ouvir um pouco mais sobre a interação entre essas áreas do sistema nervoso e a fadiga? Então clique aqui e ouça esse podcast!

A escala de Percepção Subjetiva de Esforço é uma variável quantitativa, qualitativa ou quali-quanti?

Pois se pensarmos que a escala de PSE, graduada com números, é uma variável na qual podemos aplicar um método estatístico quantitativo, definimos que ela é quantitativa, mas por outro lado se analisarmos que a resposta do indivíduo é subjetiva ao esforço dele então ela apresenta ser uma variável qualitativa. Acredito que os dois pensamentos estão corretos. Seria então a escala da Percepção Subjetiva do Esforço uma variável quanti-quali? Bom, ainda não sei se podemos inclui- lá neste termo.

Como alguns indivíduos atingem a fadiga e se auto-avaliam com escalas de PSE abaixo do valor máximo? Será que eles chegaram ao máximo mesmo?

Alguém já leu algum estudo onde os voluntários entraram em fadiga (fim do exercício) e mesmo assim não indicaram o valor máximo da escala de PSE? Isso é bem comum nos artigos e muito louco, pois se o sujeito chega ao seu limite, como ele pode não indicar a sensação de esforço máxima naquele momento. Será que é falta de entendimento da escala? Será que ele pensa, “eu estou parando, mas ainda tenho uma energia sobrando”. Bom, eis um grande mistério.

Eu entendo a PSE como um regulador central necessário para manter determinada intensidade ou duração de esforço, que interpreta e integra sinais centrais e periféricos a fim de manter a pratica do exercício dentro de um limite seguro ao indivíduo. Na literatura existe uma série de definições e controversas sobre a Percepção Subjetiva de Esforço e acredito que ainda há muito que descobrir sobre como a nossa “sensação de esforço” interfere e está relacionada ao exercício físico.

Abraço


Referência

GIBSON, A. S. C.; BADEN, D. A.; LAMBERT, M. I.; LAMBERT, E. V.; HARLEY, Y. X.; HAMPSON, D.; RUSSELL, V. A.; NOAKES, T. D. The conscious perception of the sensation of fatigue. Sports Medicine, v. 33, n. 3, p. 167-176,  2003.