Existe uma intensidade ideal para a queima de gordura?

Por Yuri Motoyama

Aqui vai um tema muito polêmico e controverso. Ano passado tivemos a moda do HIIT como a salvação para queima de gordura, depois passamos pela polêmica que exercícios aeróbios engordavam e agora o pessoal está indeciso (rs)! O carnaval está aí e você está com o “corpo dos sonhos” (expressão de um amigo meu para se referir a mulher que tem a cintura igual a um sonho de padaria quando vaza o recheio para os lados).

O processo para queima de gordura depende de vários fatores como: genética, cultura, nível de atividade física, alimentação, tipo de atividade física, etc. Porém, nessa história toda um dos pontos que sempre me chamou a atenção foi com relação a intensidade. É melhor reduzir o tempo de treinamento e realizar séries com alta intensidade ou manter um ritmo constante e aumentar o tempo do treinamento?

Como poderíamos estabelecer intensidades de treinamento para queima de gordura?

Antes de comentar o artigo referente a esse post eu gostaria de relembrá-los que o estabelecimento de intensidades para o trabalho aeróbio não é uma tarefa tão simples e depende de equipamentos caros ou de profissionais qualificados em determinadas avaliações.

Clique aqui e leia um post sobre a determinação dos limiares de treinamento!

Em uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Católica no Chile, foi analisado o efeito de diferentes intensidades de treinamento na taxa de oxidação de gordura. Para isso, participaram do estudo 97 homens divididos em 4 grupos:

  1. Controle.
  2. 5 a 6 km de treinamento com intensidade constante associada a velocidade do 1° limiar.
  3. 5 a 6 séries de 1000m na velocidade do 2°  limiar.
  4. 10 a 12 séries na velocidade máxima.

Todos realizaram 24 semanas de treinamento e as intensidades associadas aos limiares foram obtidas através de um teste incremental de 1km/h a cada minuto até a exaustão.

Qual intensidade obteve uma resposta maior com relação a queima de gordura?

De todos os resultados, alguns me chamaram a atenção e de alguma forma são bem contraditórios com o que é divulgado pela mídia. Um ponto interessante foi que o treinamento realizado no primeiro limiar (L1) apresentou aumento no valor do VO2max relativo e um consumo de oxigênio maior no L1.

O treinamento intervalado realizado no segundo limiar não apresentou nenhuma diferença nas variáveis respiratórias. E o treinamento realizado na intensidade máxima (velocidade associada ao VO2max) apresentou um consumo de oxigênio maior na intensidade associada ao segundo limiar (L2).

Com relação a queima de gordura (oxidação máxima de gordura) todos os treinamentos apresentaram uma efeito positivo aumentando a quantidade de gordura utilizada. Comparando todos as condições experimentais com o grupo controle, o grupo que realizou o treinamento no L1 foi o que apresentou maiores taxas de redução de gordura corporal.

Está solucionado o problema com relação a queima de gordura?

Não, muito pelo contrário! isso é somente mais um pedacinho de palha na grande fogueira da curiosidade científica. Lendo o trabalho, que está em espanhol e é um idioma que não estou muito acostumado, vejo alguns pontos que questionaria o autor. Por exemplo, já li em artigos que para se determinar os limiares em protocolos incrementais, é recomendado a utilização de estágios com 3 minutos para que exista uma estabilidade metabólica e que a mesma seja representativa. Eles utilizaram estágios de 1 minuto, que em alguns casos poderia superestimar o valor real dos limiares. Outro ponto foi na descrição da técnica de calorimetria indireta, no texto não ficou claro o tempo que os voluntários permaneceram conectados ao analisador de gases.

Enfim, fica aqui mais um artigo para discussão e interpretação de outros profissionais. Participe da discussão aqui na seção de comentários do site e escreva sua opinião sobre o tema!

Ficou curioso sobre o tema de determinação dos limiares? Então clique aqui e ouça esse programa onde discutimos uma nova técnica de identificação desses limiares de forma prática e barata!


Referência

ULLOA, David et al. Estudio comparado de la intensidad de entrenamiento sobre la máxima tasa de oxidación de grasas. Nutrición Hospitalaria, v. 31, n. n01, p. 421-429, 2014.

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